Lado-A-Lado

Livre Comércio será um fiasco?

Somos muito burocráticos e não é em vão que hoje se quer acelerar a nossa diplomacia económica. No âmbito 

do acordo, vários constrangimentos poderão ser superados

 

Justifica-se Angola aderir ao Acordo da Zona de Livre Comércio Continental e da SADC?
Como princípio estratégico sim, mas do ponto de vista pragmático, já devíamos ter há anos um acordo com a República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia (RZA) para nos encaminhar ao acesso à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), pois elas representam 50 por cento deste mercado e com facilidade de acesso directo.
O nosso Produto Interno Bruno (PIB) ter-se-ia ampliado consideravelmente e em relação a RDC a melhorar as relações políticas, mas ver também o que se pode fazer com a Nigéria e a África do Sul.
Depois ver o relacionamento mais activo com a África do Sul, a contornar eventuais dificuldades que os princípios da SADC possam contrariar.
A diplomacia falha neste domínio, apesar das múltiplas insistências da AIA durante os últimos 10 anos! Somos muito burocráticos e não é em vão que hoje se quer acelerar a nossa diplomacia económica.
Olhar a SADC, mas também o Golfo da Guiné com o seu grande potencial e as facilidades de ligação marítima com o mesmo e que deveria começar por fortalecer as relações com o país irmão São Tomé e Príncipe.

Quais são as vantagens e desvantagens dos Acordos pelo facto de Angola não ter ainda produtos competitivos?
Aumentar os fluxos comerciais fomenta a actividade produtiva e com isso a competitividade nas vertentes quantidade, qualidade e preço, O nosso mercado é muito restrito e hoje com muita reduzida capacidade de compra pelos cidadãos e as empresas, as activa em geral a trabalhar a 60% da sua capacidade e muitas semi-paralisadas e outras paralisadas.
A abertura aos mercados de forma corajosa e codiciosa podem ajudar a mudar o quadro.
Em termos de desvantagens, diria de risco, cinge-se a possibilidade de outros países com estruturas mais firmes e a actuar em mercados mais competitivos como África do Sul, Nigéria, Marrocos, Argélia, Egiptoe daí as empresas nacionais poderem sucumbir e as reservas internacionais líquidas serem colocadas em níveis insustentáveis pelo ainda baixo nível das exportações não petrolíferas e que levará tempo a impor-se e estas poderem baixar de um momento para o outro.

A circulação de pessoas e bens deve ser intensificada por via de acordos como a que o Presidente da Republica rubricou em Kigali e a que se prevê a nível da SADC em 2019...
Não dar um passo mais largo que a perna é o que se recomenda. Assim tê-lo como um acto político pertinente e a desenvolver-se em concertação com as associações empresariais e universidades.

Falou-se da aprovação do Relatório sobre o Mercado Comum da Aviação em África, que se prevê vir a ser um instrumento valioso para a livre circulação no continente, mas os custos da aviação africana são bastante altos. O que pensa sobre isso?
É um pensamento estruturante de grande valia e que deve ser uma pista importante, pois hoje circular nos nossos países é algo que coarcta de forma gravosa as relações comerciais.
Corrobora que a Zona de Livre Comércio pode resultar seja num efeito positivo de criação de comércio seja num efeito negativo de desvio do comércio.
O lado é positivo, pois é preciso incentivar e com urgência, mas com precaução, as trocas comerciais que estão a um nível muito baixo e que hoje contribuem mais para o desenvolvimento das balanças cambiais, tecnologias e “know-how” de terceiros países não negligenciáveis.