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Combate à corrupção é o ponto de partida

O país deu, nos últimos tempos, passos significativos no que toca à melhoria do ambiente de negócios, sobre tudo no âmbito da simplificação de processos para a constituição de empresas, segundo o economista, Carlos Rosado.

O país deu, nos últimos tempos, passos significativos no que toca à melhoria do ambiente de negócios, sobre tudo no âmbito da simplificação de processos para a constituição de empresas, segundo o economista, Carlos Rosado.
O especialista, que falava durante um debate promovido pela Tv Zimbo esta semana que abordou o tema “Ambiente de Negócios em Angola”, julga ser importante ter-se em conta que “estamos num mundo global aonde os outros estão a fazer melhor do que nós em termos de reformas no sector empresarial”.
O economista que esteve ladeado no mesmo painel com o presidente da Confederação Empresarial de Angola, Fracisco Viana e representantes do Ministério da Economia e Planeamento e da banca comercial teceu várias críticas ao actual quadro macroeconómico do país.
Na sua visão, a ausência de um bom ambiente de negócios prende-se com a falta de competitividade, uma vez que as empresas locais não têm capacidade para produzir bens e serviços a um preço justo e com qualidade internacional que permite exportar o excedente.
Como exemplo, lembrou que o Ministério da Economia e Planeamento criou em 2012 um programa ligado às micro, pequenas e médias empresas, com o fito de colocar Angola entre os 10 países africanos na competitividade, mas não resultou, acrescentando que posteriormente criou-se o “Angola Investe”, cujos resultados alcançados não foram divulgados.

Promiscuidade empresarial
“Nós sabemos que há pessoas que são simultaneamente políticos e empresários, sendo muitos deles representados pelos filhos e sobrinhos”, sustentou.
Conta ainda que é comum quando um governador chega a uma província retirar os negócios do anterior para pôr os seus a funcionar. Acredita que esta promiscuidade cria crispações no ambiente de negócios.
O também jornalista ressalta que o Executivo não pode continuar a ouvir os empresários depois de o Orçamento Geral do Estado estar na Assembleia Nacional. Sublinha ainda que o Instituto de Fomento Empresarial (IFE) produziu vários estudos sobre competitividade que não resultaram em nada.
Explica que a situação macroeconómica não garante confiança na medida em que o país está estagnado. Desde 2014 que a economia angolana está a crescer a menos de 3 por cento, sendo que a população aumenta 3,2 por cento/ano. “Por isso, não há outra alternativa senão uma aposta séria na produção interna”.
Carlos Rosado critica a banca comercial por não ter feito uma boa gestão de riscos, acrescentado que em todos os países quando a conjuntura económica piora é natural que as famílias e as empresas tenham dificuldades em pagar os seus empréstimos.
“A banca viveu durante muito tempo a conceder créditos com base em “papelinhos e compadrios” e sem garantia nenhuma”, denunciou.
Entretanto, alerta que não se pode transmitir às pessoas uma ideia completamente diferente daquilo que é a nossa realidade. Entende que há alguma evolução da política monetária e cambial que vai permitir um maior controlo da inflação.