Lado-A-Lado

A cultura do seguro

A cultura de se assegurar um bem em Angola e as falsas expectativas dos clientes com as seguradoras?

A cultura de se assegurar um bem em Angola e as falsas expectativas dos clientes com as seguradoras?
Penso ser um falso problema a ideia de que as pessoas não têm cultura de seguros, isto não é assim a 100 por cento, pois acredito que os tempos são outros e se as pessoas até hoje não têm a cultura de seguros, posso arriscar dizendo que também muita coisa não foi feita para revitalizar o sector. Durante anos, muitos agentes dirigiam-se a uma segurado para subscrever apólices com o fito de ter um documento para apresentar às autoridades, sendo que não há consciência da importância dos seguros, as pessoas não olham para esta actividade com responsabilidade. Associado a isto esta a dificuldade de algumas seguradoras não regularizarem os sinistros nos prazos estipulados, a própria má instrução do processo, assim como a não adopção de estratégias que respondam às expectativas das pessoas. Todos estes factores e outros contribuem para o divórcio entre o sector e pessoas.

O seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel e o número de apólice?
O seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel é, entre outros, o segundo maior produto procurado pelos proponentes, pois representam um volume de negócio à larga escala comparado com os outros seguros obrigatórios, no caso os acidentes de trabalho e doenças profissionais, mas este comportamento está associado, visando acautelar conflitos com a fiscalização das autoridades, visto que a maioria revê-se nesta posição. “... eu só fiz o seguro para não ter problemas com a polícia” ouve-se isto todos os dias. A pergunta que não se quer calar é a seguinte: o que as seguradoras têm feito para inverter o quadro? É importante que se faça investimentos em palestras e workshops, seminários debates radiofónicos e televisivos sobre a importância dos seguros para que os resultados destes sejam transformados em novos contratos de seguros. Quanto mais pessoas souberem da importância dos seguros, melhor será para os negócios.

A crise e o risco de muitas desaparecem daqui a uns anos por falta de clientes ?
Isso tem um peso e duas medidas: vejamos que quanto menos tenho mais quero proteger-me. Nos seguros é assim, pois as pessoas procuram proteger os seus bens quando menos têm. As seguradoras devem acordar e apresentar soluções para o mercado, como apresentação de seguros à medida do bolso dos clientes (microsseguros). Existem actividades sociais que não são exploradas para que se propõe medidas de novos produtos de seguros, isto é, a sociedade cresce e desenvolve-se com novas actividades e as seguradoras não apresentam tecnicamente novos produtos. Isso é mau para o mercado e para as seguradoras.

Resposta célere aos sinistros e reestruturação das oficinas criadas pelas seguradoras?
São os órgãos auxiliares da actividade seguradora que devem trabalhar em estreita cooperação com os técnicos das seguradoras ou peritos singulares. O segurado na hora do sinistro quer ver seu problema resolvido e não olha para o contrato. Os elementos contratuais devem ser observados e explicados na altura da subscrição.

Nos casos em que um assegurado não regista nenhuma ocorrência durante o ano se existe uma compensação a ser dada?
Nos seguros existe uma compensação em caso de o segurado não registe nenhum sinistro no decorrer do período da apólice, assim como também existe uma penalização na anuidade seguinte, quando se regista um número de sinistros superiores ao contratado na anuidade anterior denominado bónus/malus, que é o processo inverso do bónus. Deveria um aumento percentual ao prémio no caso de verificar-se que determinado segurado possui um sinistro com volume maior ao previsto de indemnização no período em que decorreu o contrato. A gestão das seguradoras, apesar de serem reguladas pelo mesmo órgão e normas, nem todas seguem os mesmos padrões, pois verificamos que não é aplicável a este princípio por parte das seguradoras, o que tem aborrecido muitos segurados principalmente quando são penalizados por excesso de sinistralidade. Penso que as seguradoras deveriam reorganizar-se tecnicamente para dar resposta a este desiderato, mas é importante que a seguradora alerte o segurado da compensação. aumento percentual ao prémio no caso de verificar-se que determinado segurado possui um sinistro com volume maior ao previsto de indemnização no período em que decorreu o contrato. Este processo deveria ser mais divulgado pelas seguradoras penso ser um elemento a ter em conta na relação contratual.