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Energias eólica e solar suprem demanda em áfrica

A energia eléctrica em África vai triplicar até 2030.

A demanda por energia eléctrica em África vai triplicar até 2030, de acordo com estudos da área. A situação preocupa as autoridades locais e acende um sinal de alerta no abastecimento do continente. No entanto, pesquisadores da Universidade da Califórnia (Estados Unidos) apresentaram recentemente uma pesquisa que pode oferecer uma solução para esse problema.
Segundo a publicação, feita por meio do periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences, o continente tem grande potencial de produção de energia eólica e solar. Ambos os métodos, de origem renovável, poderiam suprir a demanda, além de diminuir os gastos dos países com usinas convencionais (hidreléctricas ou termeléctricas).
Os pesquisadores, munidos de um aparelho que mapeia territórios, percorreram 21 países africanos e detectaram o potencial renovável em vários locais do continente. “Verificamos que a construção dos parques eólicos em regiões estrategicamente localizadas e a utilização de linhas de transmissão eficientes representariam uma economia de gastos de 20 por cento, em relação aos modelos convencionais de geração de energia”, disse, ao site de VEJA, a bióloga Grace Wu, uma das autoras do estudo.
Um obstáculo, porém, é a questão da transmissão e distribuição energética. Pois, para que os países africanos possam atingir potencial eólico e solar e competir com as tecnologias convencionais, acordos internacionais de transmissão para além das fronteiras nacionais devem ser negociados. Em iniciativas similares ao tratado entre o Brasil e o Paraguai, que divide os direitos de utilização de energia da Usina Binacional de Itaipu.
Entretanto, o diretor-geral da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena), Adnan Z. Amin, revelou que “estamos a testemunhar uma transformação global de energia. Isso se reflecte novamente num novo ano recorde na geração de energias renováveis.” A declaração foi feita durante a apresentação do relatório Renewable Capacity Statistic 2017, em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. O documento lista como as energias renováveis se desenvolveram desde 2007 em mais de 200 países e quantas usinas de fontes hidráulica, solar, eólica e de biomassa foram construídas, com qual capacidade.
Em todo o mundo, foram construídas em 2016 usinas de energia limpa com a capacidade total de 161 gigawatts (GW), segundo dados da Irena. Isso corresponde à capacidade instalada de cerca de 161 usinas nucleares ou de carvão de grande porte.
Em termos de geração de energia, as instalações solares estão, pela primeira vez, à frente das eólicas, tendo sido construídas em todo o mundo usinas solares com uma capacidade total de 71 GW, quase 50 por cento a mais do que em 2015. Em seguida vem a energia eólica (51 GW), hidráulica (30 GW), de biomassa (9 GW) e geotérmica (1 GW). Assim, até o final de 2016 a capacidade de geração de energias renováveis em todo o mundo era de 2.006 GW, mais do que o dobro de dez anos atrás. A transformação da matriz energética mundial é incentivada sobretudo pelo custo atualmente baixo da produção eólica e solar. Na última década, cerca de 80 por cento da energia renovável gerada recai sobre estas duas fontes. Desde 2009 o preço da eletricidade gerada por usinas eólicas caiu cerca de um terço, e a por centrais solares, aproximadamente
80 por cento.