Infraestrutura

Elevado custo inviabiliza exploração em Kassinga

Angola previa extrair a partir do ano passado uma média anual de 1,8 milhões de toneladas de ferro secundário, na localidade da Jamba, na província da Huila, inserido no Projecto Mineiro-Siderurgico de Kassinga(PMSG).

Angola previa extrair a partir do ano passado uma média anual de 1,8 milhões de toneladas de ferro secundário, na localidade da Jamba, na província da Huila, inserido no Projecto Mineiro-Siderurgico de Kassinga(PMSG).

Contudo, as dificuldades financeiras que o país atravessa ditaram um revés nos níveis de produção, muito aquém do previsto.
Segundo um documento do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos a que o JE teve acesso, a paralisação durante longo período, apenas em 2010, a produção a teve início, a cargo da Empresa Nacional de Ferro de Angola ( Ferrangol).
Longe de igualar ou superar os níveis produtivos do ferro, antes da Independência Nacional, onde se atingia cerca de 5,5 milhões de toneladas por ano.

Produção quer renascer
O reinício da exploração de ferro na localidade de Kassinga, ocorreu após a aprovação do programa de desenvolvimento mineiro de Kassinga ( Huíla) e Cassala-Quilungo (Cuanza Norte).
O Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos submeteu a revisão do projecto durante seis anos, que terminou com a extinção da empresa Angola Exploration Mining Ressources (AEMR), que era na altura, o consórcio e respondia pelas operações de prospecção, comparticipado pelo Governo, por intermêdio da Ferrangol, em parceria com outras empresas privadas.
Uma outra revisão culminou com a aprovação, em Dezembro do ano passado, de um novo figurino para a sua condução, com atenções viradas para a separação de Kassinga e Cassala-Quitungo.
Neste último serão desenvolvidos três projectos de prospecção de ferro, manganês e ouro.
O projecto de Kassinga incidirá a curto, médio e longo prazo.Na primeira fase, as previsões apontam para um volume de 1,8 milhões de toneladas anuais de concentrado de minério de ferro.
Está prevista a entrada em operação do jazigo de Cateruca, na Jamba, considerado um potencial de reservas provadas de 400 milhões de minério de ferro.
Com os estudos de viabilidade que podem terminar daqui há dois anos, as projecções de exploração da mina vão para um volume anual de 10 milhões de toneladas de peletes.

Qualidade e preços de referência
Segundo o documento, o preço de referência de uma tonelada de minério com o teor de ferro de 62 por cento, colocado num porto, sumando o custo do imposto e frete, o produto chega a custar 62 dólares.
Até aos 35 por cento, a qualidade do ferro é considerada baixa, embora possa ser comercializado desde que submetido a um tratamento adequado e mais exigente. Com um teor de 40 por cento, o produto é considerado de média qualidade.
Os preços praticados no mercado internacional de minério de ferro, o país pode arrecadar anualmente mais de 111 milhões de dólares.
Com o relançamento da exploração do ferro em Kassinga, o documento aponta que pode-se gerar em média, cerca de 800 empregos directos.
A prospecção e sondagens geológicas para a descoberta de ferro, não se limitaram ao município da Jamba (Huíla). A iniciativa governamental prevê a região do Cassala-Quitungo (Cuanza Norte), onde existem recursos calculados em 270 milhões de toneladas.
A prospecção do aço será outra meta a atingir pelo Ministério de tutela , através de agentes privados na comuna do Cutato (Cuando Cubango), projecto mineiro-siderúrgico a ser implementado pela companhia siderúrgica do Cuchi.