Finanças

Kinguilas perdem força

Medidas restritivas e de maior controlo adoptadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) estão a provocar uma redução sucessiva ao preço de venda informal das divisas por Luanda

O preço de compra de divisas nas ruas de Luanda desce nos últimos dias, após longas semanas (desde Janeiro) em alta.Numa ronda feita por alguns bairros da capital, sobretudo à zona baixa da cidade, São Paulo, Vila Alice e Mártires, o JE deparou-se com algumas kínguilas a transaccionarem a nota de 100 dólares por cerca de 38 mil kwanzas, contra os 42 da semana passada. Já o euro, que estava custar 52 mil kwanzas por cada nota de 100, neste momento, está ser transaccionado a 48 mil kwanzas.
Durante o mês de Janeiro, no mercado informal o custo da nota de dólar tinha aumentado quase 20 por cento e a de euro 15, segundo os cálculos feitos. A tendência agora inverteu.
O mercado da rua nas transacções que realizámos, esta semana, em bairros como Mutamba, São Paulo e Mártires o cenário da descida de moedas estrangeiras é evidente, e as vendedoras dizem mesmo que as moedas estrangeiras estão escassas.
Desde que a moeda europeia passou a ser a referência para o mercado de câmbio do país, no novo regime flutuante cambial, a moeda nacional já acumula uma depreciação de quase 28 por cento para o euro que vale 258 kwanzas na compra pelos clientes e 20 por cento para o dólar que custa 207 kwanzas.
Angola ressente desde finais de 2014 da crise financeira e económica decorrente da quebra do preço do petróleo nos mercados internacionais, e por ser o seu principal produto de exportação, esta quebra originou que metade das receitas com a exportação de petróleo deixasse de entrar. A situação originou uma acentuada perda do peso do kwanza face ao dólar, estimada em 23,4 por cento, isso em 2015, e mais 18,4 por cento ainda no primeiro semestre de 2016.
Há cerca de três semanas que os valores indicativos propostos pelos bancos comerciais angolanos passaram a definir o novo regime flutuante cambial no país, conforme anúncio do BNA.
Em reunião extraordinária do Comité de Política Monetária (CPM) do BNA realizada em Luanda, aquele órgão definiu “o limite mínimo e máximo da banda cambial” deste novo modelo, conforme refere um comunicado do banco central.
No comunicado, o CPM explica que o regime cambial que vigorou até antes da nova medida consistia numa taxa de câmbio administrada determinada pelo BNA, “independentemente da relação entre a procura e a oferta”.
“Doravante, o Banco Nacional de Angola adopta um regime cambial caracterizado pela flutuação da taxa de câmbio dentro de um intervalo, com um limite máximo e um limite mínimo. Esse intervalo é denominado de banda cambial”, acrescenta o comunicado final da reunião extraordinária do CPM.
A medida, que foi bem acolhida pelos bancos, foi ainda esta semana melhorada com a orientação do BNA em que os bancos devem priorizar um mínimo de 500 dólares na atribuição de cambiais para apoiar, essencialmente, os estudantes no estrangeiros.

BNA revoga licença da Mere Halima

O Banco Nacional de Angola (BNA) revogou nesta terça-feira a autorização para exercício da actividade de câmbios da sociedade Mere Halima- Casa de Câmbio Lda, por prática de infracções simples e graves.
As infracções têm a ver com o incumprimento das leis de base das instituições financeiras e de combate e prevenção ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, assim como os avisos e directivas sobre as Demonstrações Financeiras, Governação Corporativa, Sistema de Controlo Interno, Relatório de Governação Corporativa, Regras Operacionais das Casas de Câmbio e a Prestação de Informação via SSIF.
Em função das infracções, o BNA impôs a inibição temporária do exercício de funções em órgãos sociais de instituições financeiras sediadas em território nacional ao Senhor Mahamoud Dramé (Director) por um período de 18 (dezoito) meses e aos Senhores Silvino Francisco (Director Administrativo), Diawara Fousseynou (Gerente) e Van-Dúnem Paim (Contabilista) por um período de 12 (doze) meses.