Finanças

Clientes culpam conjuntura actual

Os clientes devedores de crédito bancários das instituições financeiras angolanas atribuem o incumprimento da falta de pagamentos à conjuntura económica actual do país e à falta de eficiência nos mecanismos de cobrança de muitos bancos comerciais nacionais.

Os clientes devedores de crédito bancários das instituições financeiras angolanas atribuem o incumprimento da falta de pagamentos à conjuntura económica actual do país e à falta de eficiência nos mecanismos de cobrança de muitos bancos comerciais nacionais.

Para muitos clientes ouvidos pela reportagem do JE, muitos não quiseram se identificar, mas afirmam que a crise económica e financeira internacional, provocada pela baixa do preço do petróleo no mercado internancional, que vem se arrastando desde finais de 2015, atirou muitas empresas para a falência e muitas pessoas no desemprego, afectando significativamente os compromissos creditícios dos particulares e empresas com os bancos.
Apesar da conjuntura económica desfavorável para a actividade bancária, muitas instituições não tiveram e têm tido capacidade de cobrança das dívidas aos seus clientes devedores.
Existe unanimidade de opinião de quase todos leitores ouvidos na qualidade de clientes pelo JE, segundo o qual, ao longo dos últimos cinco anos houve uma cultura de “deixa andar” por parte de muitos bancos, que não foram capazes de imprimir um certo rigor no processo de cobrança, acabando por serem igualmente vítimas da conjuntura macroeconómica actual.
No caso de Fonseca António, cliente do Banco de Poupança e Crétido (BPC), que recebeu 200 mil dólares em 2013, afirma, por exemplo, que o seu negócio faliu logo no segundo ano de actividade, e daí nunca mais recuperou.
Para ele, que até agora está numa situação de incumprimento e no desemprego, por mais que se entrega as garantias hipotecárias, traduzidas em bens materiais, nunca o BPC vai conseguir recuperar a totalidade do valor atribuido aos clientes.
“Na altura tudo corria bem, nos primeiros meses, mesmo sem o negócio no auge, era possível cumprir com as primeiras prestações, mas depois a situação piorou significativamente, sobretudo com a crise das dívisas”, reconheceu.

Medidas em curso
O BPC é actualmente o banco com o índice mais elevado de crédito mal parado do país. Por este motivo, anunciou estar em curso um processos para recuperação via judicial, mesmo depois de em 2019, ter reembolsados 47 mil milhões de kwanzas, ou seja, 4,2 por cento da carteira de 1.118 mil milhões em dívida.
Aquela instituição do Estado declarou, recentemente, uma tendência para o crescimento do stock de provisões para crédito, que passaram de 460,8 mil milhões, em Dezembro de 2018, para 1.298,1 em Novembro de 2019, o que representa um rácio de cobertura de provisões sobre a carteira de crédito de 92 por cento, o que, entre outras questões, inviabiliza a capacidade do banco de voltar a emprestar dinheiro aos seus clientes.
De acordo com economista e docente universitário, Gilberto Agripino, a questão do crédito malparado no país, só pode ser resolvida com medidas eficazes e coersivas de cobranças, embora acredita que muitos devedores já não terão condições para revolver e pagar as suas dividas.
“Se a situação macroeconómica se mantiver e não acontecer uma política orçamental capaz de reveter a situação, esse problema vai persistir por longos anos”, disse.
De acordo com a agência de notação financeira Moody’s, os empréstimos problemáticos de Angola eram 23,8 por cento no final de 2018, o que coloca o índice do país entre os mais negativos dos bancos africanos, revelando mais fraquezas nos activos dos bancos. O malparado em Angola desceu 0,5 pontos para 3,3 mil milhões de euros em Dezembro de 2019.