Finanças

Brent já pisca os 90 dólares

Os analistas de várias agências internacionais previram, há semanas, que o barril de petróleo poderia atingir os 100 dólares em 2019, ainda mais acelerado pelo cenário de eventuais sanções dos Estados Unidos contra o Irão.

Os analistas de várias agências internacionais previram, há semanas, que o barril de petróleo poderia atingir os 100 dólares em 2019, ainda mais acelerado pelo cenário de eventuais sanções dos Estados Unidos contra o Irão.
Apesar dos temores e mesmo após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito que a Organização de Países Exportadortes de Petróleo (OPEP) estava a enganar o mercado com falsos preços, a verdade é que é cada vez mais consensual a ideia de em 2019 o brent vir a ser vendido a 100 dólares pelo barril de 126 litros de ouro negro bruto.
Na quinta-feira, o barril de petróleo Brent, para entrega em Dezembro, abriu em baixa no mercado de futuros de Londres, cotado a USD 85,96, depois de ter fechado a sessão de quarta-feira nos USD 86,29. Na terça-feira, o petróleo referência para as exportações de Angola fechou a sessão a 84,8 dólares e abriu as transacções de quarta-feira nos 84,26 dólares.
A onda de elevado optimismo para os exportadores, que recentemente, viram também a Opep e suas aliadas fora do cartel, comandadas pela Rússia, a darem um sim ao programa de cortes e manutenção das quotas de produção, mecanismo adoptado para valorização dos preços.
O Brent mantém-se em alta num ambiente de grande volatilidade devido ao temor dos investidores de que aconteça uma escassez de fornecimento em nível global por causa das tensões internacionais. O mercado teme uma queda da oferta de petróleo quando no dia 4 de Novembro entrarem em vigor as sanções dos Estados Unidos contra o Irão, em um momento em que a produção americana também caiu por problemas de infra-estrutura.
O ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid Al-Falih, assegurou, recentemente, que um possível aumento da produção de petróleo ocorrerá no momento oportuno.
A posição de Al-Falih surgiu após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter pedido à OPEP o aumento da produção de petróleo e a redução de preços.

Cartel está firme
Já a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reviu, recentemente, ligeiramente em alta a sua previsão para o aumento da procura de petróleo até 2040.
No seu relatório anual World Oil Outlook para 2018, divulgado em Setembro, a Opep espera agora que a procura do ouro negro cresça 14,5 milhões de barris por dia para 111,7 milhões de barris por dia em 2040.
“Este número é ligeiramente maior do que o do ano passado, apesar do abrandamento do crescimento da procura em geral no período”, refere no relatório.
O petróleo deverá continuar a ser o principal combustível no mix de consumo de energia, suportado na procura dos sectores dos transportes e petroquímico.
“Combinados, o petróleo e o gás deverão representar mais de 50% do mix de energia global em 2040”, afirma.
Em termos de produção fora da OPEP, deverá aumentar significativamente, com a maioria do crescimento na próxima década a vir do petróleo de xisto dos Estados Unidos.
“A produção total de petróleo de xisto deverá aumentar para 16 milhões de barris por dia até ao final dos anos 20, representando quase 25% da produção não-Opep nessa altura.
A Opep estima que dada a previsão para a procura e produção, “há a necessidade evidente para investimentos em toda a indústria. Só o investimento no sector do petróleo deverá atingir os 11 biliões até 2040.