Especial

Reservas de petróleo garantem mais 50 anos

O petróleo levará mais 50 anos de exploração no mundo, em virtude das descobertas que aumentam mais do que a procura, segundo aventa o especialista em petróleo e gás, Flávio Inocêncio.

O petróleo levará mais 50 anos de exploração no mundo, em virtude das descobertas que aumentam mais do que a procura, segundo aventa o especialista em petróleo e gás, Flávio Inocêncio.

O também professor das Universidades de Coventry (Reino Unido) e Agostinho Neto (UAN), diz que falar sobre o petróleo tem de partir de uma avaliação económica e da procura e da oferta. As reservas provadas globais de petróleo estavam estimadas em um trilhão e setecentos bilhões de barris de petróleo (de acordo com a BP Statistical Review of World Energy) em 2015 e isso significa cerca de 50 anos de produção com os actuais níveis, mas todos os anos as descobertas aumentam mais do que a procura.
“A nível global, o problema não é o fim do petróleo, a teoria do pico do crude foi falsificada, em função das novas descobertas. Obviamente que o petróleo é finito, mas nas últimas décadas as novas descobertas têm ultrapassado a procura por crude. Isso significa que com a descoberta de novos poços em todo o globo, a revolução do petróleo não convencional como o xisto, assim como o petróleo, a oferta tem aumentado mais do que a procura”, disse.

Desafio a considerar
Flávio Inocêncio salienta que o petróleo representa cerca de 30 por cento do consumo primário energético mundial e essa percentagem vai diminuir a longo prazo em função da legislação ambiental, aumento de consumo de energias renováveis e de gás natural. “E esse é o desafio que temos de considerar”.
No caso angolano, afirma que temos reservas provadas de cerca de 10 a 12 bilhões de barris de petróleo. Ao actual ritmo de produção (se olhar para o rácio de reserva para produção), as reservas de Angola durarão cerca de 20 anos.
“Temos muito mais petróleo por descobrir em termos de reservas estimadas, mas isso requer exploração e investimento. Daí ser essencial criar-se um quadro financeiro e legal atractivo para as empresas internacionais de petróleo”, explicou.
Instado sobre até que ponto o aumento da produção do xisto nos EUA pode complicar ainda mais a vida dos países produtores do crude a nível mundial, o consultor jurídico disse que a pressão vai aumentar e isso terá um efeito nos preços de petróleo e uma tendência para a descida, pois isso pode forçar a OPEP a ter que acordar novos cortes de produção e ter como consequência um aumento da quota de mercado dos EUA.
Na visão de Flávio Inocêncio, a produção do xisto vai tornar em pouco menos de 5 anos os EUA num dos maiores exportadores de gás natural do mundo, uma vez que os norte-americanos já conseguiram atingir a auto-suficiência em gás natural.


Oferta de Xisto
Quanto ao petróleo de xisto, considerando os actuais preços de petróleo na ordem dos 65 dólares por barril, a produção vai aumentar e diminuir ainda mais a importação da matéria prima nos EUA que ainda importam cerca de 6 milhões de barris de petróleo por dia.
Questionado sobre os preços do crude caso subam para 100 dólares nada se vai alterar devido aos custos elevados de colocação em comparação com os anos 90, o especialista diz que a questão para Angola não é essa, sendo importante que se trabalhe mais para se atrair mais investimentos, a fim de se aumentarem as reservas provadas e explorar áreas que não são comercialmente viáveis com os actuais preços de petróleo. “Existem países que estão a atrair investimentos no offshore como o México e a Guiana e têm atraído grandes investidores”, rematou.
A venda de petróleo bruto ao exterior atingiu uma facturação de usd 3,07 mil milhões no primeiro mês deste ano, com o preço médio do barril exportado a subir para usd 63,36 e o volume de crude expedido a subir, em relação ao mês de Dezembro, mais de 358 mil barris.

Agência de energia
Esta semana, o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) previu um aumento da produção de petróleo em países como Brasil, Canadá, Noruega e Estados Unidos (EUA), o suficiente para atender a procura mundial nos próximos dois anos.
No relatório anual sobre os mercados do petróleo, apresentado segunda-feira como parte da conferência energética “IHS CERAWeek”, em Houston, no Texas (EUA), a AIE garantiu que a partir de 2020 será necessário mais investimento para impulsionar a produção mundial.
O barril de brent para entrega em Maio, referência angolana, está a negociar nos 65 dólares.