Especial

Economia beneficia de novo crédito de 2 mil milhões de dólares da China

Visita oficial do Presidente João Lourenço fortaleceu as bases da cooperação bilateral e mobiliza novas áreas de investimento com as necessárias linhas de financiamento

O Governo de Angola já identificou vários projectos que beneficiarão da linha de crédito de 2 mil milhões de dólares acordados, esta semana, com a China.
São os domínios da construção, energia e águas e indústria, capazes de alavancar o sector produtivo, diversificar a economia e alterar a actual trajectória do endividamento público do país os eleição nessa fase.
Segundo fez saber o ministro das Finanças, Archer Mangueira, o crédito será atribuído no quadro das facilidades acordadas e negociadas entre as autoridades angolanas e do Banco de Desenvolvimento da China.
Como qualquer outro empréstimo essa nova linha de crédito terá impacto directo sobre a economia e, de alguma forma,aumentará o stock da dívida.
Estima-se que Angola tenha até antes do presente acordo uma dívida acumulada para com a China fixada nos 23 mil milhões de dólares. As relações económicas e de maior valia-económica entre os Estados iniciaram-se em 2002 com a abertura da linha de crédito para o país em 2002.
A linha de crédito é parte de um acordo assinado entre o Ministério das Finanças de Angola e o Banco de Desenvolvimento da China (CDB), no quadro da visita de Estado do Presidente da República, João Lourenço, desta semana, à capital da chinesa.
Sem especificar a taxa de juros a aplicar no âmbito dessa nova linha de crédito e os termos do reembolso, Archer Mangueira fez saber que esse novo financiamento da China se destina à execução de projectos capazes de criar rendimentos para o país.
“Será destinado para financiar projectos que possam alavancar o sector produtivo, de tal maneira que possam, a médio e longo prazo, aumentar o volume de receitas, principalmente aquelas voltadas para a exportação”, referiu o ministro.
É propósito das autoridades angolanas, com esse financiamento, “reduzir a pressão sobre a balança de pagamentos e o stock da dívida, além de criar novas áreas de dinamização da economia e novos espaços para o desenvolvimento sócio-económico”.

Já não há mais dupla tributação

O ministro das Finanças, Archer Mangueira, referiu que o Acordo para evitar a Dupla Tributação, também assinado durante as negociações entre as delegações de Angola e da China, vai permitir que os investidores chineses se sintam mais motivados e actuar no mercado nacional.
O governante acredita que com esse instrumento, os investidores estejam mobilizados para realizar investimentos directos em vários domínios, no âmbito do processo de diversificação da economia.
Com essa medida, os investidores farão aplicações sem que sejam penalizados sob o ponto de vista da tributação e do fisco de forma dupla (na China e em Angola).
Segundo Archer Mangueira, esse acordo e o acordo sobre o financiamento de 2 mil milhões de dólares inserem-se na estratégia de alteração do paradigma económico desenhado pelo Estado angolano. Desde Janeiro deste ano, o Executivo tem tomado medidas para melhorar o ambiente de negócios, dando destaque às relações financeiras estratégicas com os principais parceiros, entre os quais a China.
“É nesse conjunto de medidas que se insere também esse acordo para evitar a dupla tributação”, finalizou.

“Mão-amiga” chinesa também cria empregos

Construíram a Centralidade do Kilamba, em Luanda, e várias outras pelo país; reabilitaram os caminhos-de-ferro, portos e aeroportos; estradas; redes de água e de electricidade e desde cedo iniciaram um processo de criação de emprego em massa para os nacionais.
A estratégia da presença chinesa em Angola previu o suirgimento de cerca de 500 mil empregos, maximizando, por essa via, a presença de 300 mil concidadãos chineses em território nacional.
A Linha de Crédito da China (LCC) a Angola admitiu financiar 155 projectos com 5,2 mil milhões de dólares. Nesse programa previu-se criar 365 mil empregos director.
O sector da energia e águas liderou, em termos dos montantes a investir, entre nove sectores com cerca de três mil milhões de dólares alocados para 34 projectos. Neste, só o projecto para reabilitação e reforço do sistema de abastecimento de água à província de Cabinda aplicaram-se em 18 meses 209 milhões de dólares , com a geração de 42.421 empregos.
Já o sector da construção contou, isto entre 2015 e 2017, com 33 projectos e mobilizou 1,6 mil milhões de dólares. Na educação concentrou-se o maior número de projectos, num total de 55, sobretudo com a construção de escolas. O investimento global foi de 373 milhões de dólares.
Por províncias, Luanda foi quem mais investimento mobilizou, com cerca de um quinto do total do investimento, isto é 1.026 milhões de dólares. Em seguida surgiu o Huambo, com 776 milhões de dólares.
Na capital angolana é visível a presença dos investimentos chineses em vários domínios, com realce também para o comércio automóvel, que permitiu a instalação da montadora Zenza.

Cartões Union Pay revivem “lá se faz, cá se paga”

Os chineses residentes em Angola há três meses que vivem mais folgadamente.
Depois de um período de certa instabilidade com a crise cambial e de pagamentos ao exterior, a Union Pay lançou em Angola os cartões multicaixa da sua rede, permitindo que se carregue na China e levanta-se dinheiro em território nacional.
Considerando o fluxo de chineses em Angola, que já foi de cerca de 300 mil, e na antevisão de cada um possuir de 1 a 4 cartões Union Pay, os cerca de 1.200 cartões emitidos para Angola e que podem movimentar até 60 milhões de kwanzas/dia permitem também ao sistema bancário nacional encaixar perto de 60 milhões de dólares/mês. Estes valores resultam dos reembolsos em divisas, que a Union Pay tem de efectivar ao sistema de pagamentos como compensação.