Empresas

Preço do serviço de televisão preocupa consumidores

Desde o início do ano que os consumidores registam comportamentos anormais no consumo dos serviços de televisão ou de telefonia, com a televisão por satélite e a cabo a efectuarem acréscimos no preço dos pacotes, sem qualquer notificação.

Desde o início do ano que os consumidores registam comportamentos anormais no consumo dos serviços de televisão ou de telefonia, com a televisão por satélite e a cabo a efectuarem acréscimos no preço dos pacotes, sem qualquer notificação.

A justificação continua a ser a mesma que já foi defendida no ano passado, altura em que o Inacom teve de travar uma sólida batalha com a Unitel e a Zap, quando estas decidiram pela subida unilateral do preço dos seus produtos. O certo é que esse aumento desigual permanece entre todas as operadoras do mercado e os acréscimos muito se parecem com quem anda a procura de conflito, para justificar um outro já lactente.
Desde Outubro de 2019 à data, os serviços de televisão já alteraram os seus preços por diversas vezes, muitas delas num espaço de uma semana ou 15 dias, que já atingiram 38 por cento.
A reportagem do JE apurou junto das operadoras que as constantes subidas se devem à desvalorização do kwanza e ao alto nível de inflação acumulada nos últimos anos, que criaram enormes prejuízos à contabilidade das empresas e no pagamento aos respectivos fornecedores internacionais.
A última actualização constatada ocorreu a 1 de Março e foi feita pela operadora de televisão por satélite Zap, com a tarifa do pacote mais baixo, denominado “Mini”, para 30 dias, a ser fixado nos 3.600 kwanzas e “Zap Max” a custar 7.190 kwanzas.
Já na Zap Fibra, o pacote de dois megabytes (2MB), que antes custava 17.850 kwanzas, passou para 20.150, um aumento de 12,88 por cento. O pacote mais alto da Zap Fibra, a “Zap Fibra 50 MB”, vale 118.300.

DSTv


“Portanto, a subida é garantida e nós pretendemos subir 23 por cento, de forma gradual, até Dezembro deste ano”, afirmou o director da DSTv, Eduardo Continentino.
Contactado pelo JE, o director informou que já existe outro pedido para a actualização dos seus produtos, submetido ao Inacom e que só depende de uma autorização. Depois disso, os clientes terão apenas 30 dias em sobreaviso, para saberem da alteração dos pacotes preferenciais.
Em Janeiro deste ano, a DSTv actualizou o preço dos diversos pacotes que oferece, mas foi em Fevereiro onde essa televisão por subscrição mais ajustes fez. A alteração de preços chegou mesmo a ser feita num espaço de menos de uma semana e variou entre 4,2% e 27 por cento.
O JE soube atempadamente que a DSTv actualizou os preços dos seus pacotes Mega, Premium, BUE, Grande + e Fácil de forma coordenada com o regulador do mercado. O maior aumento ronda 27 por cento (pacote Mega), que agora vale 17.900 kwanzas por 30 dias e o menor foi de 4,2% (Grande +), que custa 9.800 kwanzas.
Os restantes, muitos deles inferiores a 30 dias, ficaram actualizados entre 9,00 e 12,00%. Não sofreram qualquer alteração os pacotes “Grande”, que está em 6.200 kwanzas, e o “Família”, fixado em 3.300 kwanzas e lançado no final do ano passado para acudir as necessidades das pessoas carentes.

Telefone móvel


Se no caso das operadoras de TV subida é assumida, o mesmo não acontece com as empresas de telefonia móvel Unitel e Movicel, que continuam a dizer que os serviços de telefonia não pretendem alterar o custo da UTT (Unidade Tarifária de Telecomunicações) nos próximos tempos.
Recentemente, a rede Movicel subiu o preço para até 400 kwanzas, nos seus variados pacotes, como “Nice” e “Tudo” e fez desaparecer um conjunto de produtos promocionais (Planos Mensais) para particulares, deixando um espaço de manobra muito curto para os clientes, e passou a dar melhor conforto às empresas, mesmo com os ajustes protagonizados.
Hoje, a clientela das redes de telefonia têm constatado que os saldos não demoram, o que indicia, voluntária ou involuntariamente, um aumento não participado do preço da UTT.
A justificação, segundo um gerente de uma das agências, que preferiu o anonimato, é que a duração dos serviços pré-pagos é consequência do uso de cada cliente. “Obviamente, se não poupar, o saldo poderá acabar antes do prazo previsto”, informou.
“Os clientes têm de saber que devem efectivar o carregamento do plano atempadamente, para acumular o saldo, pois, de contrário e findo o prazo, é cortado na sua totalidade”, sustentou.