Editorial

Assim é a nossa paz

Tudo o que poderá vir a ser conquistado, primeiro resulta do facto de que já estamos em paz. e com isso, estamos mais capazes de olharmos para o desenvolvimento.

Já lá vão 15 anos. Se quisermos olhar para trás e trazermos à memória o que vivemos noutrora, certamente validaremos a opinião, segundo a qual, a paz foi a maior conquista dos angolanos dos últimos tempos.
Sem polemizar as discussões, ainda assim, inquieta-nos vezes sem conta quando ouvimos alguém falaciosamente a afirmar de que paz não é só calar das armas. Até pode ter razão quem assim pensa, desde que essa posição não seja para desmerecer o tamanho da conquista que foi o calar das armas. Quem muito andou pelo solo-pátrio sabe que do calar das AKM, das metrelhadoras, dos Uragan, ou seja, lá quais eram os instruimentos de guerra usados, a paz foi uma limpeza à memória do medo que a todos assombrava e desenhava um futuro de muitas incertezas.
Cada vez mais se faz necessário o calar das armas, para que quem busca os caminhos do crescimento económico, social, demográfico, empresarial, cultural, etc, etc, compreenda que a paz é uma equação simples, mas que resulta do somatório de várias parcelas, onde ao elemento conflito armado dá-se o maior valor absoluto. Claro: afinal, as nações em guerra armada, ainda nos dias de hoje, não têm esperança de ir ao encontro dos elementos complementares ao que se quer designar por paz completa.
A paz dos angolanos é especial. Hoje, passados 15 anos, a nossa paz adolescente pisca a maturidade da juventude, mas para com ela olharmos aos desafios do futuro e alinharmo-nos aos esforços da governação. Criar riqueza é um objectivo nacional, mas o trabalho foi o caminho escolhido para que se atinja a esse desiderato sem sobressaltos.
Desde logo, as realizações anuais que têm sido empreendidas nas mais variadas esferas (pessoais e privadas, colectivas ou públicas), incluindo as do Estado, são mostras simples de que esta conquista dos angolanos é responsável pelo sucesso já atingido até à presente data.
Tudo o que poderá vir a ser conquistado, primeiro resulta do facto de que já estamos em paz. E com isso, estamos mais capazes de olharmos sem receios para o desenvolvimento, pois as bases estão lançadas para que de forma acelerada e integradora as 18 províncias que constituem a nossa divisão político-administrativa providenciam novas oportunidades de afirmação dos locais ou investidores chegados.
As conquistas que derivaram da nossa paz reflectem também hoje no número de jovens que ingressaram às Universidades Públicas e Privadas, as quais saíram também dos centros e capitais de província para dar corpo a uma ampla municipalização do desenvolvimento nacional.
Para muitos ainda faltam serviços e em vários locais, sobretudo nas zonas do interior, mas até a forma bem sucedida em como o recém-terminado processo de registo eleitoral foi capaz de atingir locais mais longíquos é prova suficiente de que trilhamos o caminho certo, a rota do progresso.
Cada vez mais as famílias devem compreender o seu papel na estratégia de afirmação nacional no contexto continental e internacional. Há que redobrarem-se os esforços e o sentido de Estado para que os resultados económicos de muitas empresas traduzam-se em desenvolvimento social para todos.