Infraestrutura

Indicadores de capturas asseguram boa produção

O processo de diversificação da economia nacional exige um trabalho árduo e consentâneo, com vista a aumentar os níveis de produção, capazes de diminuir as importações.

O processo de diversificação da economia nacional exige um trabalho árduo e consentâneo, com vista a aumentar os níveis de produção, capazes de diminuir as importações.

Para se atingir este desiderato, será necessário apostar em sectores que contribuam para o sucesso deste ambicioso projecto, encabeçado pelo Executivo angolano, que, como exemplo, tem desenvolvido acções no segmento das pescas, ajudando os operadores privados.

É o caso da Coapesca, empresa de direito angolano, que está no mercado desde 1992, sendo uma das mais antigas do sector das pescas, que nos últimos anos tem investido em equipamentos e infra-estruturas para responder aos desafios lançados.

Em declarações ao JE, o proprietário da empresa, Arménio Lopes, disse que nos últimos meses os níveis de captura de peixe carapau, sardinha e cavala têm aumentado consideravelmente, apesar de o sector carecer ainda de mais apoios.

Recentemente, a firma aduiquiriu em Portugal um barco de pesca com capacidade para capturar 100 toneladas, juntando-se às oito embarcações de que já dispunha, construídas no seu estaleiro localizado na Ilha do Cabo, distrito urbano da Ingombota.
Para o funcionamento dos nove barcos de pescas, a empresa conta com o concurso de 225 trabalhadores.

Produção
A empresa dispõe desde o ano passado de uma imponente infra-estrutura, localizada no distrito urbano da Samba, em Luanda, com uma área de produção de 600 metros quadrados, subdivididos em vares áreas, com realce para a de seca, que emprega directamente 40 trabalhadores, maioritariamente jovens.

A unidade de congelação de pescado tem uma capacidade instalada para congelar diariamente 140 toneladas de peixe (carapau e sardinha), com um ciclo de seis toneladas em uma hora, contando com o uso da água fria, preparada para a conservação do pescado a bordo.

“Faço de tudo para manter a produção estável, contribuir desta forma para o processo de crescimento da economia nacional e diminuir as importações”, disse.

Nas instalações da unidade industrial, o movimento de camiões equipados de contentores de refrigeração está perfilado para o carregamento da mercadoria (peixe), com destinos diferentes. A firma tem como principal mercado as províncias de Luanda, Bengo, Cuanza Norte e Sul, Zaire, Uíje, Malanje, Bié, Moxico, Lundas Norte e Sul, sendo nestas últimas, onde o produto é mais consumido.

Dificuldades
Devido aos equipamentos instalados, bem como o modo de funcionamento, manuseamento, processamento e congelação de pescado, a unidade industrial consome enormes quantidades de quilowatts em energia eléctrica.

Por este motivo, o empresário Arménio Lopes pede que as autoridades viabilizem mecanismos para que a produção pesqueira não encontre dificuldades e contribua para o normal funcionamento das fábricas.

Actualmente, a unidade industrial consome energia eléctrica disponibilizada por um grupo gerador de 1.250 kva, consumindo 280 litros de gasóleo por hora, o que torna a produção muito onerosa.

“Uma unidade industrial trabalhando com geradores é muito dispendioso. Gasta-se muito combustível e isso como consequência encarece o produto final. Já temos as embarcações que usam o gasóleo, associado ao abastecimento do gerador, isso prejudica no desenvolvimento da economia”, alertou.
Por outro lado, o gestor pede mais apoio para os empresários do ramo, principalmente na subvenção dos combustíveis.

Políticas do sector
Recentemente, no seu conselho de gestão integrada dos recursos biológicos aquáticos, sob o lema “pesca e a aquicultura em Angola e a sua contribuição na diversificação da economia nacional”, o Ministério das Pescas indica que da quota de importação do carapau, das 90.000 toneladas previstas, foi importado um total de 56.000, o que corresponde a 70 por cento do total estipulado.

O balanço da importação dos produtos derivados da pesca indica que a produção nacional actual de pescado diverso não é suficiente para suprir a procura no mercado nacional, o que pode ser justificado pela pouca quantidade de pescado produzido e também pelo baixo nível de industrialização do sector no domínio da transformação de produtos semi-acabados.

Como recomendação, o conselho consultivo recomenda o estímulo à produção nacional de pescado, através da aquicultura, conservas, produtos semi-acabados e de sal, a fim de atingir a auto-suficiência, visando a criação de mais postos de trabalho e contribuir para a diversificação da economia e para a poupança de divisas.