Infraestrutura

Fraca procura de casas preocupa intermediários

Nos últimos anos, o mercado imobiliário em Angola tem crescido de forma substancial, fruto das políticas que o Executivo angolano tem estado a implementar, o que está a provocar o surgimento de diversos projectos habitacionais.

Nos últimos anos, o mercado imobiliário em Angola tem crescido de forma substancial, fruto das políticas que o Executivo angolano tem estado a implementar, o que está a provocar o surgimento de diversos projectos habitacionais.

Apesar do abrandamento do ritmo de construção, face ao momento que o país se encontra, o mercado imobiliário continua activo, abrindo novos horizontes e modos de promoção e aquisição de habitação.

A reportagem do JE saiu à rua, para ouvir a opinião dos profissionais que actuam no ramo da promoção, os também conhecidos como “intermediários imobiliários”.

Por exemplo, a intermediária Conceição João Manuel, casada, mãe de cinco filhos, que actua no sector há mais de 10 anos, explica que tanto os preços como os clientes “reduziram considerávelmente”.

“Antes tinha uma média de 20 clientes por mês. Hoje, somos nós que temos de ir à procura deles e mesmo assim, nem sempre os encontramos”, disse.

Segundo lembra, em 2008, arrendar uma vivenda no centro da cidade de Luanda chegava a custar 21 mil dólares por mês (2,8 milhões de kwanzas). “Actualmente essa mesma vivenda pode custar apenas o equivalente a 5 mil dólares (673 mil)”, revelou.

Maria Soares está também ligada a esta função, mas a “part-time”. Disse que antes havia rentabilidade, já que todos os meses tinha dois ou três “negócios fechados” e dava sempre “algum jeito”.

“Com a subida do dólar, as pessoas não aceitam fazer contrato. As rendas baixaram muito e como consequência as comissões também”, sublinhou.

Moisés da Cunha, 40 anos, sempre trabalhou como intermediário, afirma que está cada vez mais difícil aparecer clientes tanto para comprar como para arrendar casas ou apartamentos.

Argumentou que com o surgimento do projecto habitacional do Executivo, que visam a criação das cidades, ou centralidade e outros, “reduziu muito o número de pessoas sem casa própria”.

“Sempre sustentei a minha família a trabalhar como intermediário. Antes, eu cobrava uma comissão até para me deslocar, hoje é o contrário. Realmente as coisas mudaram”, lamentou.

Antes do lançamento oficial do projecto do Executivo angolano, de construir casas a nível do país, em 2010, as classes média-alta e alta eram os segmentos alvo com o surgimento de condomínios residenciais, em zonas como centro da cidade e Talatona,
na província de Luanda.

Avaliação imobiliária
Um estudo de “Mercado imobiliário” realizado pela empresa de consultoria e avaliações imobiliárias “Proprime” avança que, o sector encontra-se actualmente com uma nova dinâmica, maior profissionalização dos “players” e de entidades.

Este novo dinamismo está motivado também com as políticas do Governo no sector, com a criação de mecanismos e programas que, por um lado, atentam no desenvolvimento económico e social do país e, por outro, permitem satisfazer as necessidades da população no acesso à habitação.

De acordo com a Proprime, outro factor responsável por esta mudança de paradigma no mercado imobiliário angolano é a emergência da classe média.

Nas zonas como o centro da cidade de Luanda, Lar do Patriota e Talatona, os preços das habitações de tipologia T2 ainda ultrapassam um milhão de dólares, preços suportados apenas para classes média-alta e alta.

No entanto, começam a surgir agora diversos projectos destinados às classes com rendimento mais baixo, como por exemplo na zona do Camama ou de Viana, onde um apartamento de tipologia T2 chega a custar cerca de 200 mil dólares.

Estudos confirmam que a emergência da classe média está a mudar o panorama do sector imobiliário em Angola, sem, no entanto, alterar o facto de a habitação na Baixa de Luanda continuar a manter preços não comportáveis para a classe média.

Em Luanda, a criação das novas centralidades como o Kilamba, Cacuaco, Zango, entre outros, bem como a requalificação dos municípios do Cazenga e Sambizanga são exemplos de empreendimentos dirigidos a consumidores da classe mais baixa.

As centralidades são “um exemplo urbanístico” impulsionado pela estratégia habitacional do Governo, à qual se juntou, depois, o investimento privado. O preço praticado ronda os 2.000 dólares por metro quadrado. Não é para todos os bolsos mas, ainda assim, representa uma redução de cinquenta por cento face a Talatona.

Neste contexto, e como consequência desta realidade, de uma forma geral, os preços das casas tanto para compra como para arrendar baixaram de forma significativa, em relação aos anos anteriores, principalmente em 2008, onde tudo se vendia a qualquer preço.