Gestão

“Toda empresa precisa de uma boa estratégia”

A gestão de uma empresa pode ser considerada como o principal factor de sucesso de qualquer negócio. Ainda que muitos gestores tenham a confiança de que o seu produto ou tamanho de mercado sejam mais importantes, a verdade é que apenas esses dois pontos não sustentam a sobrevivência de uma empresa por muito tempo.

A gestão de uma empresa pode ser considerada como o principal factor de sucesso de qualquer negócio. Ainda que muitos gestores tenham a confiança de que o seu produto ou tamanho de mercado sejam mais importantes, a verdade é que apenas esses dois pontos não sustentam a sobrevivência de uma empresa por muito tempo. Estas e outras questões são analisadas pelo gestor, consultor de empresas e docente universitário, Edson Maurício Horta, sobre a gestão de empresas e que caminhos devem estas trilhar para se tornarem mais competitivas no mercado angolano e global.

Onde reside de facto o sucesso da gestão de uma empresa?

Toda empresa deve ter uma estratégia competitiva que a torne única em relação às demais no mercado. Mas a estratégia tem que ter no centro de tudo as pessoas que ajudam a empresa a ser diferente. Primeiro, é necessário ter o coração delas, fazer com que as pessoas sintam que são proprietárias da empresa, depois é preciso uma boa remuneração, segundo os critérios do mercado. Não é possível ter sucesso sem ter os melhores profissionais motivados, quer pelo ambiente que estimula a criactividade, quer pelo salário, assim como pela qualidade dos factores de produção.

Que sinais podem ser notados para se considerar que uma empresa está a ser bem administrada?

Basta olhar para os indicadores de gestão como o grau de satisfação interno e dos consumidores. Quando os clientes estão satisfeitos repetem as suas compras e deste ponto de vista o grau satisfação também é alto, significando que as vendas futuras devem aumentar. O outro indicador é a riqueza que a empresa cria para os investidores, funcionários e as contribuições que dá ao Estado por via da segurança social, através do pagamento dos impostos e taxas. As empresas de sucesso criam riqueza para
todos os seus Stakeholders.

O papel do gestor é determinante para o sucesso de uma empresa?

Sou gestor e não há como dizer que não, mas é verdade que o sucesso depende também do ambiente em que a empresa actua e de indicadores como a taxa de inflação, de juro, a existência de leis que promovam e protegem a propriedade privada, a celeridade da justiça, a existência de concorrência assente em critérios do mercado. Além disso, a estabilidade política e o poder das instituições são também muito importantes. Sem dúvida, um gestor que sabe e aponta o caminho mediante análise e execução eficiente faz a diferença. Todavia, temos de aceitar que o gestor por si só, não garante o sucesso, tem que ter uma equipa que executa o trabalho deixando-o cuidar da estratégia de forma a produzir melhor, vender e prestar os melhores serviços. A tarefa do gestor é fazer acontecer e garantir que a empresa consiga uma combinação óptima dos recursos para ser mais eficiente e assim ter vantagem competitiva.

Como avalia as empresas angolanas do ponto de vista da gestão?

Essa é uma pergunta difícil, pois é muito genérica, mas dos estudos que faço e tendo em conta os indicadores de gestão, notei que algumas são geridas de forma eficiente pelos resultados que apresentam e são visíveis: um exemplo é a Agrolider, grupo Refriango, NCR Angola, fazenda Pérola do Kikuxi, Infrasat, Ford Angola, o Grupo Zahara, DT Transportes, Shoprite, Pep, Zopo, Zap, Tv Cabo, Unitel, Banco BFA, BIC, BAI, Banco Sol, Millennum Atlântico, empresas que estão a mudar o país do ponto de vista da criação de empregos e receitas também para o Estado. Falo apenas destas porque não estão em regime de monopólio e oligopólio, mas em segmentos onde há concorrência. Acredito também que há empresas públicas geridas de forma eficiente. Temos ainda reconhecer que muitas delas não são geridas com a eficiência que espera de uma empresa no mercado em função dos custos de contexto da economia.

Que áreas da gestão moderna acha serem mais importantes para a sobrevivência da organização?

A área que é o motor do crescimento é a inovação e só é possível se a empresa atrair e reter trabalhadores orientados para acção aqueles que dizem que “eu farei o meu melhor e não aqueles que dizem vou o que posso fazer”. Você tem que investir no Custumerr Relationship Management (CRH), além de ter uma gestão de recursos humanos da era da economia das coisas você simplesmente tem que investir nos seus clientes, conheça-os e venda e produza aqueles que eles querem hoje e amanhã.

Hoje há uma tendência de maior valorização do capital financeiro em relação ao capital intelectual. O que acha dessa corrente?

É mau, pois não pode ser radical! Numa organização é fundamental encontrar sempre o equilíbrio entre as pessoas e o dinheiro. São as pessoas que trazem o dinheiro. É possível aumentar as vendas se não tiveres os melhores vendedores? É possível cortar os custos se não tiveres bons contabilistas, engenheiros e gestores de produção? Creio que não! Só em sociedade que não sabe o valor das pessoas é que valorizam a área financeira em detrimento do capital humano.

Como gestor que é como acha que as empresas devem resistir à crise actual?

Muitas empresas já estão a resistir ao desequilíbrio económico, adoptando uma estratégia de liderança em custos ou melhor cortando o que é desnecessário e focar-se no seu “core business” é possível resistir. É natural que algumas empresas estão com mais dificuldades que as outras, principalmente aquelas que dependem de fornecedores externos é que poderão não aguentar por mais tempo. Grosso modo, das empresas angolanas do sector privado, dependem das importações e isto é um factor crítico e uma ameaça. Por exemplo, há empresas que estão a optar por fornecedores locais, mas claro quando não existem localmente, é preciso comprar no exterior, o que oneram os custos.

A falta de produtividade é um grande problema para muitas empresas nos dias de hoje. Como é que se pode inverter essa situação?

Nenhuma empresa pode viver se não for produtiva e produzir sobretudo o que o mercado precisa. Para aumentar a produção, são necessários factores de produção eficientes, quer sejam máquinas, softwares, quer capital humano. Outro factor importante para aumentar a produtividade é articular a remuneração a produção e não apenas a assiduidade e a pontualidade.

Há nas empresas muitos quadros subaproveitados até certo ponto. A que se deve este fenómeno?

Quando há quadros subaproveitado é sinal de má gestão de recursos huamnos, porque há pessoas com excesso de capacidade sem fazer nada ainda outras que simplesmente não sabem qual é o seu papel dentro da empresa e isso é um desperdício total. As pessoas representam um custo e que a produção converte-se em benefício. O gestor de RH, com apoio da gestão de topo, deve fazer tudo para que nenhum funcionário fique subaproveitado no sentido lato e estrito da palavra.

O que devem as empresas fazer para se reinventar com tempo e com as sucessivas mudanças do ambiente envolvente?

As empresas precisam a todo tempo de serem mais criativas e acompanhar as tendências da economia nacional e mundial. Os gestores não podem se acomodar para que as suas organizações não sejam empresas desruptivas. É fundamental inovar. É claro que a inovação tem custos, mas para isso é precisso um bom investimento.