Gestão

Resiliência é competência fundamental para consolidação do mercado de trabalho

Autoconfiança do colaborador pode ser determinante para a capacidade de organização e execução de tarefas que levam a corporação a alcançar os principais objectivos quando combinados factores de coerência estratégica 

Aresiliência é uma palavra que vem do latim resílio, que significa “voltar ao normal”. O conceito foi criado em 1807, pelo cientista inglês Thomaz Young, que fazia estudos sobre a elasticidade dos materiais. Mais tarde, a resiliência foi incorporada pela física como a capacidade que certos materiais têm de acumular energia quando submetidos a um esforço e, cessado o esforço, retorna ao seu estado natural sem sofrer deformações permanentes.
É o que acontece com uma vara no salto em altura: quando o atleta toma impulso para saltar, a vara se curva, acumula energia, projecta o atleta sobre o obstáculo e depois retorna ao seu estado normal.
A resiliência hoje em dia é interpretada como uma competência influenciada pelo estilo de vida do indivíduo. Quanto mais se ganha consciência sobre as próprias reações e comportamentos diante de situações de pressão e desafios, por exemplo, mais se domina estas questões. Nas empresas, após um período longo de enxugamento no quadro de funcionários por conta de uma crise económica preocupante que ocorreu no último ano, o ambiente de trabalho se tornou altamente estressante. “A resiliência é a capacidade de uma empresa, um líder, uma equipa ou talento, promover as transformações necessárias para alcançar o seu propósito. É resiliente quando cresce nas mudanças, inova, se antecipa às situações e produz coerência estratégica para sua equipa e clientes. A sua influência como um ser resiliente precisa ter mais impacto proativo e orientado para o futuro”, é o que explica Eduardo Carmello, especialista no tema que realiza diversas palestras em empresas.
A boa notícia é que se trata de uma competência que pode ser aprendida. “muitos autores dizem que essa competência é assimilada no processo de educação familiar, mas eu acredito que pode ser desenvolvida em qualquer estágio da vida, principalmente quando a pessoa entra no mercado de trabalho”, diz Paulo. Trocar de chefe, ter um projecto rejeitado e sofrer uma injustiça do colega são situações que testam os limites do profissionais.

Nove passos
Os nove factores da escala para avaliar o nível de resiliência dos profissionais:
1. Autoeficácia - crença na própria capacidade de organizar e executar acções requeridas para produzir resultados desejados;
2. Competência social - capacidade de ir em busca de apoio externo em momentos de estresse. Engloba tanto a abertura para receber apoio quanto a busca proactiva de ajuda;
3. Empatia - habilidade promotora tanto da competência social quanto da solução de problemas. significa colocar-se no lugar do outro, compreender a pessoa a partir do quadro de referência dela;
4. Flexibilidade - está relacionada à maior tolerância à ambiguidade e à maior criatividade. o pessimismo faz com que o indivíduo de baixa resiliência insista teimosamente em atitudes pouco efetivas;
5. Tenacidade - trata-se da persistência e da capacidade de aguentar situações incômodas ou adversas;
6. Solução de problemas - característica dos agentes de mudança, indivíduos preparados para diagnosticar problemas, planejar soluções e agir, sem perder o controle das emoções. Atitude que mobiliza para a acção;
7. Produtividade - está associada a desafios, a conviver com incertezas e ambiguidades. Refere-se à propensão a agir e à busca de soluções novas. Reativos tendem a esperar pelos impactos de adversidades; proativos tomam iniciativas;
8. Temperança - está associada ao controlo da impulsividade e da raiva. Significa maior capacidade de regular emoções, mantendo a serenidade em situações difíceis;
9. Optimismo - Na escala de resiliência, o optimismo é uma competência resultante da união de três outras: a competência social, a proatividade e a autoeficácia.