Gestão

Recuperação interna de empresas críticas

A complexidade e conectividade do mundo actual exige práticas de transparência mais eficentes  

As empresas no geral e em qualquer parte do mundo ainda têm muito que evoluir e aprender sobre o valor da previsibilidade, pois o que não é medido não é controlado. O risco não medido pode atingir, em cheio, as finanças de qualquer empresa. Se isto ocorrer, é preciso acender logo a luz amarela e tomar as providências imediatas, porque os riscos mal administrados têm grande probabilidade de gerar custo financeiro, encarecer a operação, tirar eficiência e diminuir as margens, provocando o ingresso em ciclo de crise que pode não ter saída ou um altíssimo custo para a firma.
Na verdade, grande parte das empresas adoptam o modelo que centraliza ou estrutura a sua área de risco voltada unicamente para a esfera financeira. Com o foco unidireccional, no entanto, acaba por avaliar apenas os números da corporação e acompanham somente alguns indicadores de mercado. Essa análise, portanto, é rasa, levando-se em conta a complexidade e conectividade do mundo actual.
Não podemos esquecer que a economia está globalizada e as avaliações precisam sempre levar em conta o contexto sectorial e a conjuntura das regiões onde está inserida. No entanto, as auditorias internas, quando existentes, preocupam-se apenas com questões operacionais e do controlo interno de processos, as quais muitas vezes estão na cartilha ou no manual corporativo. O problema é que, quase sempre, são documentos descolados da realidade, porque há anos não passam por qualquer revisão.
O que é preciso ter é a compreensão que empresas são organismos vivos, sujeitas aos mais diversos factores internos e externos. Os seus relacionamentos e a forma como aproveitam as oportunidades também precisam ser levados em consideração e estar sempre na órbita do administrador. É importante, neste cenário, que o Conselho de Administração, responsável pela condução do planeamento estratégico da empresa e que deve em última instância avaliar a situação, estruture esta área e cobre dos seus executivos e gestores que o risco não seja trabalhado apenas no estrito cumprimento legal e regulatório.
Muitas vezes, é preciso ser ousado e ao mesmo tempo saber avançar com segurança, construindo mecanismos em constante evolução para prever as incertezas e propagar a transparência, colocando em prática a boa governança.
Os riscos hoje são os mais variados e a cada dia poderemos ser surpreendidos por novos tropeços. Mas, de uma maneira geral, os riscos podem ser agrupados como de mercado, de crédito e operacional. Nessa estrutura, podemos – e devemos - abordar diversos factores que podem impactar a empresa em qualquer uma das esferas. Por isto, não podemos desprezar informações tais como a incerteza económica que os países ainda vivem de mudanças e eventuais mudanças na política de tributação, na taxa de juros, na volatilidade do câmbio, no aumento da competitividade dos concorrentes.