Gestão

Anomia nas organizações cria insucesso nas acções

A anomia nas organizações cria insucesso nas acções diárias por ser um estado de falta de objectivos e regras, que vão além da perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno, que de certa forma afectam também as empresas.

A modernidade, com os seus intensos processos de mudança, não fornece novos valores que preencham os anteriores modelos, algo que ocasiona uma espécie de vazio do significado no cotidiano de muitos indivíduos ligados às empresa.
A melhor forma de identificar anomia nas organizações, não é nada mais senão o sentimento de se “estar à deriva,”, onde a participação dos funcionários deixa de ser consciente nos processos colectivos: perda quase total da actuação consciente dos trabalhadores nas questões
internas e externas da empresa.
O termo anomia é apanagio na sociologia e, frequentemente debatido, sendo também um conceito muito utilizado pelos funcionalistas estruturais, como Émile Durkheim, assim como no trabalho de Robert Merton, daí a importância de referir estes dois principais conceitos, que hoje se estende
às organizações no geral.
Visão de Durkheim
O conceito foi estabelecido por Émile Durkheim nas sua obras “Da Divisão do Trabalho Social” e “O Suicídio”. Durkheim emprega este termo para mostrar que algo na sociedade não funciona de forma harmônica, o mesmo acontece com as empresas, que em determinados momentos atingem a anomia. Quando algo não está a funcionar de forma normal em relação aos padrões e normas pré estabelecidas nos ideais da empresa.
No seu famoso estudo sobre o suicídio, Durkheim mostra que os factores sociais - especialmente da sociedade moderna - exercem profunda influência sobre a vida dos indivíduos com comportamento suicida, sendo a anomia uma dessas influências. Este contexto é transportado para as empresas, que também podem chegar ao extremo do seu funcionamento.
Durkheim concluiu que o suicídio anômico era causado por uma ausência de regulação social, devido a contextos de mudança repentina ou de instabilidade na sociedade. A perda no que diz respeito às normas e desejos, pode perturbar a harmonia da vida da empresa, tal como acontece em tempos de crises económicas ou de fortes conflitos pessoais na sociedade e empresas.
O termo anomia é também utilizado para designar sociedades ou grupos no interior delas, que sofrem do caos gerado pela ausência de regras de boa conduta comumente admitidas, implícita ou explicitamente, ou, pior ainda, devido à instalação de regras que promovem o isolamento ou mesmo a predação ao invés da cooperação.

Conceito segundo Merton

Segundo Robert Merton, anomia significa uma incapacidade de atingir os fins culturais, sociais e organizacionais. Para ele, ocorre quando o insucesso em atingir metas, devido à insuficiência dos meios institucionalizados, gera conduta desviante. O seu pensamento popularizou-se em 1949 graças ao seu livro: Estrutura Social e Anomia.
A teoria da anomia de Merton explica por que os membros das classes menos favorecidas cometem a maioria das infrações penais e crimes de motivação política, que decorrem de uma conduta desviante.