Gestão

“A procura dos cursos aumenta cada ano lectivo”

A Academia de Pescas e Ciências do Mar está a elaborar, com a parceria de outras instituições, estudos sobre a contaminação do espaço marinho da costa angolana.

A Academia de Pescas e Ciências do Mar está a elaborar, com a parceria de outras instituições, estudos sobre a contaminação do espaço marinho da costa angolana, informou a sua coordenadora de gestão, Cármen dos Santos. Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, a responsável académica disse que os estudos incidem sobre a saúde dos ecossistemas marinhos.

Que balanço faz do primeiro ano do arranque da Academia?
Neste primeiro ano civil, e ano académico, fazemos um balanço positivo em termos de desenvolvimento do quadro discente e docente, pois em ambos duplicamos em número. O ano académico 2018 conta, assim, com 1.000 estudantes e 86 docentes apoiados por um quadro técnico e administrativo de 148 técnicos e funcionários administrativos.

Quais são as necessidades um ano depois da sua inauguração?
A instituição tem um Plano Estratégico 2017-2019 para o desenvolvimento das actividades até 2019, altura em que entrará em vigor o Plano de Desenvolvimento da instituição da Academia de Pescas e Ciências do Mar. As nossas necessidades estão identificadas e são de vária ordem, pelo que temos um programa de gestão para o nosso desenvolvimento.

Acredita que a formação em Pescas e Ciências do Mar têm correspondido com as expectativas criadas?
As políticas de um país passam obrigatoriamente pela formação do capital humano em todas as áreas prioritárias do desenvolvimento do país. As Pescas e Ciências do Mar são um segmento na economia dos países banhados por oceanos, que sempre obrigam fortes políticas para a formação de quadros capacitados devido à especificidade desta formação e também pela grande necessidade de tecnologia e competências técnicas. Angola está apostada na diversificação da economia e pensar no segmento da economia do mar é uma das premissas que estão subjacentes ao Ministério das Pescas e do Mar com a parceria do Ministério do Ensino Superior, Ciência Tecnologia e Inovação e o Ministério da Educação, no que toca à formação formal de quadros nacionais.

Há algum interesse das pessoas em inscreverem-se nos cursos que a Academia administra?
Há grande procura dos nossos cursos por parte dos jovens que querem ingressar no Ensino Superior, pois nós tivemos uma afluência às provas de exame de acesso na ordem dos 1. 890 candidatos para 480 vagas. Por outro lado, esperamos ainda este ano oferecer cursos de curta duração não conferentes de grau, devido à grande solicitação que recebemos. A ideia é fornecer apoio à formação contínua de quadros e pessoal navegante.

A realização da 1ª Conferência Internacional sobre as Ciências do Mar correspondeu às expectativas criadas?
Naturalmente. Foi de econtro com o programado, pelo facto de o debate e a formação de valores sobre os oceanos terem sido abordados numa tónica académica e filosófica dos princípios sobre a economia dos oceanos ou economia azul e suas formas de abordagem.

Acha que a Aquacultura Comunitária é um caminho para o desenvolvimento sustentável?
Tenho fé que sim, além da sustentabilidade das comunidades, pode pensar-se na melhoria das condições de vida das populações piscatórias através da renda que se extrai desta actividade, mas também em toda a cadeia do consumo, atraindo outros segmentos como o comércio quer interno quer para exportação.

Quais as oportunidades e perspectivas de desenvolvimento da
economia do Mar?
Para Angola que tem uma costa imensa (1. 650 Km) e cujo aproveitamento pode ser intensificado, vemos uma oportunidade excepcional de desenvolvimento da economia do Mar, a economia dos oceanos ou se quiserem a economia azul.

Até que ponto os Blocos de Construção do Oceano ajudarão na desenvoltura dos espaços marítimos?
Os blocos de construção do Oceano é uma abordagem ao desenvolvimento económico, tecnológico, sociológico e cultural que o nosso prelector o antigo Secretário de Estado do Mar da República Portuguesa, nos brindou com o seu conhecimento e experiência no desenvolvimento de políticas para o Mar.

Está em curso ou a Academia prevê elaborar estudos mais aprofundados sobre a contaminação do espaço marinho da costa angolana?
Além do pilar da formação, nós temos o pilar da investigação científica e um terceiro, o pilar da extensão universitária. Este domínio da investigação científica comtempla várias linhas de investigação entre as quais a saúde dos ecossistemas marinhos, na qual estudos aprofundados sobre a matéria estão a ser organizados através de projectos que serão desenvolvidos em parceria com algumas instituições de investigação do país e do estrangeiro.

Há uma grande preocupação com a contaminação do mar, devido à exploração petrolífera, particularmente Cabinda, como encara essa situação?
Nós julgamos que esta matéria merece sempre uma abordagem séria e sistematizada que passa por medidas de monitorização e fiscalização, assim como de mitigação na vertente técnica para alteração de algumas rotinas e na vertente da educação ambiental. A Academia vai integrar projectos aplicados como forma de contribuição para o conhecimento e para a resolução dos conflitos que ocorrem, sempre através da execução de produtos específicos e adequados.

Um dos principais fortes das instituições de ensino superior é o quadro docente, discente, laboratórios e bibliotecas. Será que a Academia de Pescas do Namibe está bem servida nesta matéria?
Qualquer um destes aspectos invocados fazem parte dos nossos planos de desenvolvimento, agora o Plano Estratégico que mais tarde vai ser substituído pelo Plano de Desenvolvimento Institucional. Neste momento, ainda é prematuro falar de rácios estudante, professor e livros, mas temos uma boa relação instituída. Existem docentes para a população estudantil que temos e estes estudantes têm bibliografia para estudo.

Com que instituições nacionais e internacionais vai cooperar para impulsionar os projectos da Academia de Pescas do Namibe?
Um ano de funcionamento, ainda estamos em conversações com algumas instituições nacionais e estrangeiras. Brevemente, viremos a público apresentar a nossa carteira de cooperação e intercâmbio que devido aos procedimentos legais não posso adiantar.

A Polónia foi a que financiou parte das obras da Academia e ainda disponibilizou o corpo docente para leccionar na instituição. De que forma foi estabelecido este convénio e quais as vantagens recíprocas?
Este convénio de financiamento é da alçada do nosso órgão de tutela o Ministério das Pescas e do Mar, que trabalha em concertação com a Academia uma vez estarmos já em funcionamento e assim capazes de estruturar e propor as necessidades em corpo docente.Esta matéria é fundamental para o nosso desenvolvimento e esperamos a sua efectivação muito em breve.

E os interesses chineses e portugueses que estiveram na empreitada?
Não é do meu conhecimento tais interesses, mas posso adiantar que talvez estejam a confundir com as empreitadas durante as obras, pois várias empresas fizeram parte do painel.

Já estão a receber estudantes de outros países da região que não dispõem de universidades semelhantes?
Não estamos ainda a receber estudantes estrangeiros, pois a campanha para acolhê-los só começará mais para o fim deste ano académico, entre
Outubro e Novembro.


Como pensam encaminhar os quadros a serem formados daqui a 4 anos para o mercado de trabalho?
Através de estratégias assertivas e apostando na qualidade da nossa formação.

Como vê a questão das elevadas milhas náuticas ainda não exploradas de forma efectiva em Angola?
A abordagem do Planeamento do Espaço Marinho até como base para a Economia do Mar.

De que forma foi equacionada a questão das propinas, que inclusive, gerou celeuma no seio dos alunos?
Neste momento estamos a aguardar por orientações superiores.