Finanças

Transferências já não obrigam cativos

A história de muitos cidadãos muda com a decisão do Banco Nacional de Angola (BNA), recentemente anunciada, segundo a qual deixa de ser obrigatória a constituição de cativos monetários nas operações de transferências para o exterior.

A história de muitos cidadãos muda com a decisão do Banco Nacional de Angola (BNA), recentemente anunciada, segundo a qual deixa de ser obrigatória a constituição de cativos monetários nas operações de transferências para o exterior.
Em termos práticos, aquelas pessoas que até bem pouco tempo quisessem transferir dinheiro para o exterior, comprando a respectiva divisa num banco comercial, já não precisam de depositar um valor pré-definido, em função do que se pretende adquirir, e ao qual eram proibidos movimentar tais somas, fossem qual fossem as suas necessidades, até que se cumprisse a operação desejada. Até ao momento, são muitos os casos de pessoas com cativos de há quatro ou cinco meses sem que a operação de transferência se efective e nem o interessado movimente os valores sob pena de perder a requisição.
No contacto que efectuamos com alguns bancos, apenas uma funcionária do Millennium Atlântico (BMA) acedeu a nossa conversa e sob anonimato disse não aconselhar, em muitos casos, os clientes a efectivarem novas solicitações, pois há muitos clientes em espera.
Esta decisão do BNA é aplaudida pelos clientes, que no somatório das medidas parecem compensados com a decisão de aumento da taxa de juro, medida que vai tornar mais caro o crédito e enxugar liquidez do mercado. Ainda assim esta medida tem em vista o combate à inflação em grande maioria dos casos gerada por um certo excedente de liquidez.
Mas os bancos também estão com as contas mais aliviadas. As decisões do BNA também buscaram equilibrar a balança para estes operadores e só assim pode-se entender a medida de desobrigar os bancos de reter 30 por cento dos seus depósitos em reservas no banco central passando para os 21.
Os cidadãos reagiram favoravelmente e os bancos operadores parecem, pelo silêncio sepulcral que se faz até ao momento, que andam de mãos dadas e alinhados às medidas do governo do BNA.