Finanças

Taxas de esforço não compensam

O problema do crédito malparado em Angola começou com a degradação dos principais indicadores macroeconómico, principalmente, nos últimos cinco anos, que fez surgir um sector empresarial em permante dificuldade e, por consequência, alguns operadores económicos deixaram de honrar os seus compromissos para com os bancos.

O problema do crédito malparado em Angola começou com a degradação dos principais indicadores macroeconómico, principalmente, nos últimos cinco anos, que fez surgir um sector empresarial em permante dificuldade e, por consequência, alguns operadores económicos deixaram de honrar os seus compromissos para com os bancos.
Chamado a abordar a situação do crédito malparado e as suas condicionantes ao JE, o consultor económico, Inocêncio das Neves, afirma que em regra, os clientes dos bancos não pagam os seus créditos quando vêem o seu rendimento comprometido com um aumento não previsto das despesas básicas, o que faz disparar a taxa de esforço dos clientes.
Na sua visão, em condições normais, no momento da avaliação do risco de crédito, as instituições bancárias avaliam a capacidade de pagamento dos clientes ao analisarem o rendimento mensal, com o volume de despesas, se estas representarem quase ou mais do que 30 por cento das receitas e se adicionar as prestações mensais do crédito ultrapassar o limite de 35-40 por cento. O consultor anteve-se uma possibilidade de incapacidade por parte dos clientes de pagar os créditos.
Porém, para Inocêncio das Neves, existem bancos que arriscam e vêem-se na situação de créditos em incumprimento, muitos, às vezes por falta de rigor interno. Para ele, essa situação não acontece apenas com os clientes particulares, o mesmo se aplica às empresas. E em ambos os casos, tudo se complica quando as fontes de renda reduzem ou desaparecem, como por exemplo, a perda do trabalho para os indivíduos (desemprego forçado) ou de contratos de negócio para as empresas.
Nos dois casos, no princípio assumem qualquer risco e esforço na ânsia da resolução dos seus problemas mais imediatos, depois surgem os incumprimentos. Em regra, os clientes devedores têm tendência de atribuir a culpa a conjuntura económica do país, mas existem outros factores e são de facto inúmeros.