Finanças

Plano do BPC mostra o caminho da recuperação

O processo de estabilização do Banco de Poupança e Crédito (BPC), iniciado em Abril deste ano, deve estar concluído em 2018.

O processo de estabilização do Banco de Poupança e Crédito (BPC), iniciado em Abril deste ano, deve estar concluído em 2018. Nesta altura, o banco público estará recapitalizado, livre de activos tóxicos, com a sede reinaugurada e capaz de assumir o seu papel de principal banco comercial em matéria de cedência de créditos, investimento em projectos e outros sectores tradicionais do seu core business, segundo disse o seu presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva.
Ricardo Viegas De Abreu chamou a imprensa para abordar os 100 dias de actividade da sua administração.

Visão global até 2021
A estratégia em curso no BPC está focada na organização e na monitorização da actividade, na implementação de indicadores de gestão e controlo, orientados para a dinamização da actividade do banco, para a eficácia comercial e para a eficiência operativa
em toda a organização.
Avançou ainda também que esta estratégia que se estende até 2021 tem as seguintes fases de implementação. De Abril a Dezembro de 2017 estabilização, reestruturação, dinamização e controlo da actividade comercial do BPC, de Janeiro a Março de 2018 aprovação da estratégia de actuação, de Abril de 2018 até 2021 criação do compromisso accionista com a estratégia e implementar o road map liderar o processo de implementação e efectuar os ajustes e correcções necessárias.
“Será, por isso, justamente neste período que iremos proceder com sucesso à implementação plena do programa de transformação
do BPC”, afirmou.
Destacou que nos primeiros 100 dias em funções o conselho decidiu centrar o trabalho em torno de três grandes áreas a saber, relação de excelência com o banco central, apor cada vez mais na adopção das melhores práticas de governo e de compliance defendidas e aceites por toda a comunidade financeira mundial, segmentação dos clientes BPC e foco na actividade comercial do banco.
Acrescentou também que as questões relativas ao funcionamento, créditos e especifidades dos créditos, montantes e outros aspectos relativos a este processo, serão comunicados e partilhados a partir da Recredit (sociedade anónima de capitais públicos que visa recuperar o credito mal parado da banca pública, criada em 2016).
Apontou o III trimestre de 2018 como período que será reinaugurado o edifício sede do BPC, que se encontra
em reabilitação.
A estabilização, reestruturação, dinamização e controlo da actividade comercial do BPC prevê-se ser concluídas em 2018, garantiu o responsável.

Crédito mal parado
Na ocasião, Viegas de Abreu, disse que do crédito mal parado, avaliado em 500 mil milhões de kwanzas, 231 mil milhões vão ser transferidos à Recredit, no âmbito do plano de recapitalização da instituição financeira.
“No âmbito da reestruturação do banco, seguindo os princípios de avaliação recomendados pelos accionistas, pela entidade de supervisão, pelo Comité de Monitorização do Saneamento e Reestruturação do BPC e as boas práticas internacionais sobre matéria, o Conselho de Administração irá concentrar os seus esforços na implementação efectiva do Plano de Recapitalização e Reestruturação
do Banco”, garantiu.
Segundo o gestor, o plano de recapitalização considera um conjunto de iniciativas que visam assegurar a manutenção de uma posição financeira sólida e de um nível de rendibilidade sustentável e adequado ao perfil de risco do BPC, destacando-se o aumento do capital social por subscrição de acções ordinárias pelos accionistas, no montante de 90 mil milhões de kwanzas, a emissão de instrumentos de dívida subordinada convertível elegíveis para fundos próprios base no valor global de
72 mil milhões de kwanzas.