Finanças

“O maior de todos os males é vermos sempre as importações como único mecanismo de sobreviVência”

A administradora da Fazenda Pérola do Kikuxi, Elizabete Dias dos Santos considera pertinente a revisão da tabela dos códigos pautais. E esta intenção, da parte do Executivo de desagravamento das taxas de importação de alguns produtos, e de agravamento de outros é uma mais-
valia para o mercado.

A administradora da Fazenda Pérola do Kikuxi, Elizabete Dias dos Santos considera pertinente a revisão da tabela dos códigos pautais. E esta intenção, da parte do Executivo de desagravamento das taxas de importação de alguns produtos, e de agravamento de outros é uma mais-
valia para o mercado.
Em entrevista ao JE, a gestora defende que sendo um instrumento de política fiscal com o qual o Estado procura adoptar medidas para incentivar e proteger o sector produtivo nacional, os seus avanços devem ser para o fortalecimento da cadeia produtiva local.
“Se não criarmos uma balança equitativa entre importações de matérias-primas e importações de produtos integrantes da cesta básica, continuaremos a deparar-nos com a existência de um sector produtivo muito aquém do esperado”, disse.
A empresária diz que a Nova Pauta Aduaneira pode facilitar a vida dos importadores na teoria. “Tenho algumas reservas principalmente no que toca aos benefícios ao consumidor final, assim como no que se refere à afectação de divisas, que são escassas, e que devem ser maioritariamente dirigidas para permitir aos produtores nacionais a importação de matérias-primas essenciais”, afirmou.
Disse, por outro lado, que existem sectores que não conseguem ser competitivos devido ao alto nível dos custos de produção e das estruturas subsequentes.

Sucesso das políticas
Elizabete dos Santos refere que as políticas de Estado, para terem sucesso, devem ser acompanhadas desde a fase de elaboração até à aprovação, divulgação e implementação dos programas, para posterior responsabilização e punição dos infractores.
Por isso, revela que há agentes económicos que condicionam as políticas do Executivo lançando falsas alertas como a falta de alimentos no país, alegando a inexistência de sectores produtivos.
Esse comportamento, segundo afirma empresária, força os importadores que deveriam reduzir às importações a elevarem os preços dos bens. E com isso, “estariámos a fortalecer outras economias e a enfraquecer diariamente a nossa”.

Mudança de paradigma
Elizabeth Santos disse que o maior de todos “os nossos males é vermos sempre as importações como único mecanismo de sobrevivência da nossa economia. Temos que alterar esta cultura urgentemente”, precisou.
A empresária cita como exemplo o sector avícola no país que recebeu nos últimos seis anos grandes investimentos.
“Por isso, mesmo na crise, não se falava em necessidade de importações de ovos, o que é óptimo para a economia”, referiu.
Lamentou o facto de muitas empresas que actuam neste sector que não suportaram a pressão da crise e faliram e as que sobrevivem estão a atravessar uma fase muito complicada.
“Por isso, mas do que desagravar as taxas aduaneiras, temos que melhorar a fileira de desenvolvimento local”, rematou.