Finanças

O ano em que a banca tremeu

O ano de 2017 fez tremer a banca comercial angolana. Sobre os gigantes BFA e BIC pairou a forte hipótese de uma fusão real já longe das especualações, à semelhança do que ocorreu com os bancos Millennium Angola e o Privado Atlântico, do que originou o quarto maior banco privado em capitais, clientes e rede de balcões - o Banco Millennium Atlântico (BMA).

O ano de 2017 fez tremer a banca comercial angolana. Sobre os gigantes BFA e BIC pairou a forte hipótese de uma fusão real já longe das especualações, à semelhança do que ocorreu com os bancos Millennium Angola e o Privado Atlântico, do que originou o quarto maior banco privado em capitais, clientes e rede de balcões - o Banco Millennium Atlântico (BMA).
A banca angolana teve de confrontar-se com menos receitas petrolíferas, menos divisas à disposição e menos liquidez (os títulos e garantias públicas não eram remunerados nos tempos previstos). Houve também condicionalismos resultantes da exposição ao exterior do banco BFA, tudo pela presença na sua estrutura accionista de capitais europeus. E, por deliberação do Banco Central Europeu (BCE), a banca portuguesa foi obrigada a diminuir o seu peso em congéneres angolanas e vice-versa.
Alías, esta deliberação levou a um longo braço de ferro entre a accionista Isabel dos Santos, através do grupo Santoro no capital do grupo Banco Português de Investimentos (BPI), que viu os espanhóis do La Caixa a assumirem a posição de sócio comandita, enquanto que no angolano BFA, a Unitel reforçava tal papel com o enfraquecimento dos portugueses na sua estrutura.
Mas ao BIC foi deliberada a diminuição do seu peso na congénere BIC Portugal, que passou assim a designar-se EuroBIC.
O economista Rui Malaquias, num artigo a este jornal, escreveu sobre eventuais preocupações com a pressa da empresária Isabel dos Santos desfazer-se de acções do BIC e BFA.
E a escolha foi o BFA, porque mesmo sem operação na Europa, este tem como accionistas os espanhóis do La Caixa com 49,1%, o que por si só confere qualidade ao banco (os espanhóis são conhecidos por terem olho para o negócio, pois compraram o BPI que é o banco português - agora espanhol mais sólido de Portugal).