Finanças

Habemus Supervisor

O sentido de responsabilidade e justeza na análise, nos leva areconhecer a coragem e a verticalidade que o nosso supervisor do mercado monetário e creditício, o Banco Nacional de Angola (BNA), teve ao revogar as licenças à dois bancos da praça nacional que não cumpriram atempadamente com um dos requisitos mais básicos da atividade bancaria.

O sentido de responsabilidade e justeza na análise, nos leva areconhecer a coragem e a verticalidade que o nosso supervisor do mercado monetário e creditício, o Banco Nacional de Angola (BNA), teve ao revogar as licenças à dois bancos da praça nacional que não cumpriram atempadamente com um dos requisitos mais básicos da atividade bancaria.
Sempre que achamos necessáriocriticamos o BNA, para que o nosso supervisor seja o supervisor que o país precisa, alguém que ponha a banca na ordem e que ponha a banca ao serviço do mercado e não dos seus próprios accionistas, que como já vimos, enquanto toda a economia colapsa
eles ficam mais ricos.
Não nos cansamos de alertar que BNA quase sempre,parece estar mais interessado em vender moeda estrangeira, quando é assim tende esquecer-se que o mercado monetário não é só o cambial e sendo assim, deixa de fazer o que lhe compete na verdade, que é a supervisão bancaria pura e dura para que quem queira ser banco, seja mesmo banco e não algo assim parecido.
É neste contexto que aplaudimos vivamente e demos palmadinhas nas costas do Dr. Massano e sua equipa, pela coragem em revogar as licenças dos bancos, que não demonstram capacidade para o ser, e pelo que exortamos que este trabalho continue porque, estar-se-á a dar um sinal correto ao mercado, para prevenir problemas sistémicos, e assim mudar a imagem disfuncional que o nosso sistema financeiro apresenta.
Tem se dito, que quem guarda dinheiro alheio para o aplicar, tem que ter e engajar também dinheiro seu, para que seguramente guarde e aplique o do outro,e se sinta dentro do barco para leva-lo a bom porto, bem como porque esta partilha de responsabilidades faz com que dificilmente quem guarda e empresta, caia na tentação de dar outro fim ao dinheiro alheio como muitas vezes vimos.
Quem guarda dinheiro de outrem, emprestando-o a outras pessoas individuais ou coletivas está a partilhar o risco com quem lhe confia o dinheiro, pois ao emprestar as outras pessoas existe o risco de não voltar a receber este dinheiro de volta, nem tão pouco receber os juros, que na verdade são o preço exigido por emprestar dinheiro alheio.
E como quem guarda dinheiro de outrem, indiscriminadamente de quem seja o depositante, entra na esfera publica, ou seja mexe com o bem estar do povo, o Estado na pele do BNA, tem que intervir, tem supervisionar, tem que criar as regras para que o quem deposite o dinheiro se sinta seguro e quem guardar e aplica o dinheiro alheio não o faça que lhe apetecer.
Se estamos todos de acordo, não será difícil entender o que fez o BNA, ou dito de outra forma, é difícil entender como não acometeu algo semelhante no passado, pois o BNA fez o que lhe compete, leu as demonstrações financeiras destes bancos, e de todos os outros, e entendeu que para o risco e complexidade desta atividade, os bancos em questão teriam de reforçar os fundos próprios para cumprir com as regras impostas pelo Estado enquanto BNA.
Reforçar os fundos próprios é na verdade obrigar os acionistas dos bancos a colocarem mais dinheiro nos bancos, para que se cumpram os rácios estruturais da atividade bancaria (não vamos aqui explicar tais rácios porque daria outro artigo), pois como já dissemos acima, quem quer guardar e emprestar dinheiro alheio deve ter dinheiro lá colocado, e o que BNA verificou, é que os bancos estavam a quebrar essa regra.
É importante que o BNA tenha esta postura vertical para o bem do próprio sistema, pois se os bancos com depósitos das famílias e empresas deixam de estar em condições de fazer o seu papel, por mais pequeno que seja o banco, estaremos a beira do efeito contágio, em que um banco deixa de satisfazer os levantamentos de seus clientes e os clientes dos outros bancos acorreram aos seus bancos para levantar o seu dinheiro,isto seria o colapso do sistema.
Alguns poderão perguntar, mas porquê razão será o colapso do sistema? A resposta é simples, será porque os nossos depósitos nos bancos, principalmente os depósitos a prazo, não ficam no caixa dos bancos a espera de serem levantados a qualquer momento, os bancos aplicam este dinheiro na própria economia, os bancos emprestam dinheiro depositado, às famílias, às empresas e ao próprio Estado.
Sim, o nosso dinheiro não está no banco a nossa espera para ser levantado, ele está aplicado, foi emprestado a nós mesmos para comprarmos uma casa, um carro ou outros bens, foi emprestado às nossas empresas para adquirir mais maquinaria ou fazer face a ativos circulante, foi emprestado ao próprio Estado pelo intermedio da aquisição de títulos de divida pública.
O BNA tem a função de supervisionar para que os bancos, de facto estejam a emprestar corretamente o nosso dinheiro, e sempre que um banco der mostras de estar a fazer essa atividade de forma errada e assim subverter a ordem imposta, pelo BNA como supervisor tem toda legitimidade de exercer o seu ius-imperii e colocar ordem na casa.
Não nos cabe aqui falar especificamente dos bancos em questão, é importante que o BNA não seja pai e padrasto ao mesmo tempo (sem desprimor dos padrastos pois também existem maus pais), ou seja, que aja da mesma forma com todos os bancos da praça de acordo com a situação que se impuser.
Temos de ser perentórios e reconhecer que o tamanho dos bancos visados e o risco para todo sistema justifica tal medida, que diga-se, não é única do role das medidas punitivas, pelo que também percebemos, que revogar a licença de um BAI, BFA ou BIC requer uma análise mais profunda e certamente outras medidas administrativas, devido a carteira de clientes destes bancos.
Importante é, que se evite chegar a situação a que se chegou no passado com o Banco Espirito Santo Angola, em que no fim do dia os contribuintes é que tiveram que recapitalizar o banco sob pena do sistema ver cair um colosso naquela altura e arrastar consigo o próprio sistema.
Então devemos apoiar o BNA neste esforço que, além de certamente reforçar o nosso sistema