Finanças

Fundo Soberano atento às contas no estrangeiro

Os activos, alegadamente, desviados para contas privadas ou outras e que são do Fundo Soberano de Angola (FSDEA) não poderão ser facilmente movimentados, sendo que para tal a administração está neste momento a encetar contactos com parceiras internacionais.

Os activos, alegadamente, desviados para contas privadas ou outras e que são do Fundo Soberano de Angola (FSDEA) não poderão ser facilmente movimentados, sendo que para tal a administração está neste momento a encetar contactos com parceiras internacionais.
Recentemente, a administração de Carlos Alberto Lopes, depois de ter-se deslocado às Maurícias, também reportou por via de cartas rogatórias às várias entidades internacionais no sentido de impedirem que contas tituladas pelo Fundo ou seus entes sejam movimentadas sem que se
notifique esta instituição.
O fundo apelou judicialmente a um tribunal no Reino Unido para garantir a preservação desses mesmos activos e impedir a sua utilização.
A segunda diligência tem a ver com uma ordem NPO (Norwich Pharmacal Order), no sentido de o Fsdea obter a autorização por via judicial para que as instituições bancárias partilhem informações referentes aos recursos depositados nas contas bancárias em seu nome ou de entidades por si detidas ou participadas.
A terceira acção diz respeito a uma solicitação de congelamento das contas dos responsáveis e entidades gestoras dos recursos do Fsdea para prevenir eventuais dissipações ou esbanjamentos.

Visita às Maurícias
No mês passado, uma delegação do Fundo Soberano de Angola, chefiada pelo seu presidente do Conselho de Administração, esteve nas Maurícias para estabelecer contactos com as autoridades locais, na expectativa de obter de volta ao país os dinheiros públicos transferidos ilicitamente para aquele destino.
A viagem da delegação do Fundo Soberano de Angola ocorreu na sequência de uma primeira diligência, a nível político-diplomático, pelo ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, que se deslocou à cidade de Port Louis, capital maurícia, para se avistar com o Primeiro-Ministro, Navim Rangoolam.
O Presidente da República, João Lourenço, nomeou, em 10 de Janeiro deste ano, um novo conselho de administração do Fsdea, presidido por Carlos Alberto Lopes, em substituição de José Filomeno dos Santos.
A nova administração do Fsdea está a tomar medidas para remover a Quantum Global da condição de gestora dos activos desta instituição e garantir que os propósitos subjacentes à sua criação sejam cumpridos. Segundo a nova administração, o objectivo da criação do fundo era o de investir as receitas petrolíferas de Angola para o futuro dos angolanos e estabelecer um legado para além da produção de petróleo.

Projectos
Em 2014, O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) lançou, em Benguela, um projecto de construção da Academia de Gestão Hoteleira Angolana.
O projecto de construção da referida academia, localizado no bairro da Graça, zona norte da cidade de Benguela, numa área de 18 mil metros quadrados, contemplou áreas de formação, auditórios, dormitórios, restaurantes e cozinhas.
As obras iniciadas tiveram a sua conclusão em finais de 2015, tendo na ocasião sido revelado que no quarto trimestre de 2015 far-se-iam as admissões iniciais de alunos, cujos cursos serão assegurados por professores da escola de hotelaria de Lausanne da Suíça e de angolanos.
Para o fundo, a construção da academia para o ramo hoteleiro visa proporcionar uma educação de elevado padrão aos profissionais mais jovens
desta indústria crescente.

Dotações
Através da Carta Social, o Fundo Soberano de Angola apoia programas sociais e parcerias com organizações humanitárias por intermédio do seu programa de impacto social, concebido para apoiar as comunidades de todo o país e noutras regiões onde invista directamente.
O Fundo dedica 7,5% da dotação ao desenvolvimento social e projectos de responsabilidade social nas?áreas da educação, geração de rendimento próprio, saúde e acesso a energia e água potável fora da rede
nacional de distribuição.