Finanças

BNA morde e assopra

José de Lima Massano, muito ao estilo de big boss banqueiro central que está de volta a cadeira mais alta da praça financeira nacional, “atacou” o mercado com três medidas que, na verdade são quatro ou cinco, como tentaremos aqui explicar.

José de Lima Massano, muito ao estilo de big boss banqueiro central que está de volta a cadeira mais alta da praça financeira nacional, “atacou” o mercado com três medidas que, na verdade são quatro ou cinco, como tentaremos aqui explicar.
Já se compreendeu de núpcias passadas que Massano gosta de deixar marcas fortes na vida financeira dos bancos, das empresas e das famílias, através do arremesso de medidas de política cambial e controlo da massa monetária, contudo, pensamos que desta vez o governador está a ver “big picture” ao invés dos alvos separados do passado.
A medida tomada no mês passado, de condicionar a atribuição de divisas à quota de mercado dos bancos comerciais é de todo justificada pelo facto de alguns bancos, que mesmo com alvará de banco comercial, de bancos parecem ter muito pouco, estavam a fazer o “business” das divisas como princípio e fim da sua actividade.
Temos bancos no mercado que não se preocupam em conquistar clientes e se não se preocupam em conquistar clientes, não estão preocupados em captar depósitos e se não estão dispostos a captar depósitos não estarão interessados em conceder créditos, pois banco que é banco empresta o dinheiro alheio, que lhe é confiado para guardar.
Estes pseudo bancos, vão ser obrigados a deixar de ser meras casas de câmbio, pois terão menos divisas pra transferir, neste contexto, têm dois caminhos lógicos a seguir; primeiro, mudar de postura e captar depósitos para emprestar a economia ganhar quota de mercado e tornando-se competitivos no “core business” da banca comercial ou deverão fundir-se com outros pequenos na pior das hipóteses serão comprados pelos “bigdogs” do mercado.
Depois desta medida curta e grossa, como quem bate e sopra, o governador soprou e soprou muito mais do que bateu, não deixando mal os seus antigos companheiros de mesa, fazendo jus ao ditado que a banca comercial sai sempre a ganhar no fim do dia.
O governador reduziu o volume de reservas obrigatórias que os bancos comerciais tinham de manter no banco nacional de Angola de 30 para 21 por cento da sua carteira de depósitos, desobrigou os bancos a manutenção de cativos para transferências bancárias e por fim subiu a taxa de juros de referência na economia.
Numa assentada o governador deu aos bancos mais folga e mais recursos para aplicação na economia, fez com que os bancos tivessem mais margem para emprestar e de forma mais rentável porque subiu a taxa de juros de referência.
Na prática, para os bancos há mais dinheiro para emprestar e com mais retorno, criando-se as bases para que emprestem com incentivo e assim reaquecer a economia, fomentar a produção interna no sector produtivo, fazendo assim jus a nova estratégia do Executivo, que consiste na substituição das importações.
Desta forma, espera-se que a procura por divisas reflicta de forma natural a procura pela matéria-prima a ser importada para o sector produtivo, pois só desta forma é que crescerá a produção interna e reduzir-se-ão as importações e consequentemente a “queima” de divisas.
Mas como nada na vida é perfeito, linear e direitinho, a subida da taxa de juro encarece o crédito, apesar de “by the book” parecer que estamos a prevenir a inflação atraindo o dinheiro para uma poupança mais rentável, este argumento cai por terra porque a vida está pelos olhos da cara e poucas são as empresas e famílias que conseguem poupar um níquel se quer.
Na prática, e no fundo, é o que importa no fim do dia, os créditos ao consumo e habitação também ficarão mais caros, fica mais caro pedir dinheiro emprestado ao banco para aplicar na empresa ou para abrir novos projetos, fica mais caro criar empregos ou aumentar a produção interna.
Por fim, como já é sabido, quem paga a factura de um aumento nos custos financeiros das empresas é sempre o consumidor final, então é neste sentido que pensamos que estas medidas do governador terão de ser compensadas com outras de apoio ao sector produtivo.
Somos levados a entender que as intenções são as mais nobres, mas é preciso explicar melhor ao mercado o que se pretende com tais medidas, até para incluir na dinâmica e moralizar os agentes económicos, que são os alvos das políticas públicas, auguramos o melhor e que os sacrifícios de hoje reflictam a prosperidade do amanhã.