Finanças

Até que ponto as cantinas são uma alternativa ao emprego?

No início só estavam no interior dos bairros. Era lá onde os “Mamadú”, expressão que os angolanos encontraram para amistosamente lidar com os irmãos do Centro.

No início só estavam no interior dos bairros. Era lá onde os “Mamadú”, expressão que os angolanos encontraram para amistosamente lidar com os irmãos do Centro e Oeste africanos, pareciam “reis” e “senhores”. O negócio de proximidade, que já foi exclusividade dos nacionais, mudou de dono. Agora é raro um angolano ser ele mesmo o dono da cantina. Só em “Janelas abertas” ficaram os angolanos, mas é também estranho que só para os casos de venda de bebidas alcoólicas os nacionais superam os malianos, senegaleses. Mas também nem é bem superação, pois que estes cidadãos do oeste por força da religião não fazem a venda de bebida alcoólica. Restará alguma esperança aos nacionais retomarem este negócio, pois que cada vez mais familiariza-se com o Abdul, o Mahamed ou Brahim? Como e o que fazer para que o pequeno comércio retorne aos angolanos? Mas a missão parece hercúlea, pois os “Mamadú” dão kilapi e o angolano volta lá para pagar. O contraste é com muitos nacionais que justificam a falência com o excesso de vales, os quais nem a chamada “kilapi só amanhã” inibiu. Durante a ronda realizada pelo JE, os entrevistados apontaram a falta de paciência, o mau atendimento ao cliente, assim como a ausência da cultura de poupança, como dos principais impasses que levam os angolanos a falir nos pequenos negócios, hoje dominados, maioritariamente, pelos expatriados. Segundo Jacob Cruz, para o expatriado a jornada começa cedo e se estene até altas horas da noite. Já para o angolano, além de chegar tarde, quer largar cedo para gastar o pouco que ganhou e lamentar no dia seguinte. Por sua vez Teresa Matias aponta o mau atendimento ao cliente como o principal impasse na progressão do angolano no mundo dos negócios. No seu entender a sociedade precisa trabalhar para inverter o actual contexto, pois, os pequenos negócios constituem uma importante parcela da economia que movimento milhões, pelo que precisamos aprender com os nossos irmãos Oeste africanos como fazer bons negócios disse. Já Maria Inês aponta a preguiça como principal impasse e acrescenta, que no tempo colonial as pequenas lojas, no interior dos bairros, municípios e cidades geraram dinheiro e bem estar para muitos portugueses sobretudo. Mas, para o angolano pouco ou nada ficou em termos de cultura para gerir pequenos negócios, um espírito de missão que precisamos resgatar para se tirar proveito nos ganhos que sector comercial gera na vida de quem aposta neste segmento. O actual contexto económico que o país está atravessar, onde as empresas estão mais preocupadas em desempregar do que empregar o comércio, constititui a principal alternativa, pois as pessoas não param de consumir. As necessidades de base, obrigam cada um de nós a encontar meio termo para atender por pouco que seja a resposta.