Finanças

Angola preside reunião no Banco Mundial este mês

Representantes do organismo de Bretton Woods em Luanda num período em que o FMI também realçou as melhorias locais.

As duas reuniões da 25ª Constituência (órgão integrado por Angola, África do Sul e Nigéria), que decorrem à margem das reuniões anuais do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, vão ser, este ano, presididas por Angola.

Segundo um programa de reuniões dos organismos de Bretton Woods a que o JE teve acesso, a primeira reunião acontece este mês, entre os dias 21 a 23 e a segunda em Outubro, prevista para os dias 13 a 15, ambas a serem realizadas na sede do organismo em Washington DC, Estados
Unidos da América (EUA).
Recentemente, com o objectivo de preparar as condições logísticas e protocolares ligadas à presidência da referida Constituência, esteve de visita ao país de 20 a 23 de Março a directora Executiva do Banco Mundial para a Angola, África do Sul e Nigéria, Bongi Kunene.
Bongi Kunene lembrou que a sua visita deve-se, igualmente, a necessidade de avaliar as actividades do Escritório de Representação do Banco Mundial em Angola e as principais questões em debate no Conselho de Administração do organismo, Durante a sua permanência em Angola, a responsável reuniu com os ministros das Finanças e do Planeamento e Desenvolvimento Territorial, e visitou alguns projectos sociais financiados pelo grupo Banco Mundial na província do Huambo.
Missão do FMI
O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), Ricardo Velloso, disse recentemente, que Angola tem adoptado políticas fiscais desafiantes, no âmbito dos ajustes resultantes do grande choque externo causado pela redução abrupta do preço do barril de petróleo.
Segundo Ricardo Velloso, apesar do preocupante índice de inflação que Angola apresenta desde Maio de 2016, o banco central tem implementado medidas com resultados visíveis para uma forte contracção monetária.
“É preciso persistir e continuar com essas políticas para que a inflação volte a níveis mais aceitáveis”, arguiu.
O encontro de trabalho entre a delegação do FMI liderada por Ricardo Velloso e a 5ª Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional, orientada pelo seu vice-presidente Diógenes de Oliveira, visou a auscultação, recolha de sugestões bem como a selecção dos temas que serão elaborados por aquela instituição de Bretton Woods ao longo dos próximos meses.
O representante máximo da missão do Fundo Monetário Internacional considerou os temas avançados durante a reunião bastante pertinentes, tendo em conta a situação macroeconómica que o país atravessa.
“O desenvolvimento do mercado de seguros e de pensões foram, entre outros temas, debatidos durante este encontro, na medida em que representam actividades económicas que podem constituir fontes de financiamento adicional, a longo prazo, para o país”, reforçou.
Para Ricardo Velloso a realidade cambial nacional se afigura instável, defendendo por isso a necessidade de maiores esforços a fim de contrariar o cenário actual.
“Há ainda muito trabalho pela frente visto que o sistema de alocação de moeda estrangeira, deveria ser mais determinante pela fonte do mercado, e que as taxas de câmbio podiam ser mais flexíveis do que actualmente se verifica” advertiu.
Quanto ao Plano de Reestruturação e Recapitalização do Banco de Poupança e Crédito (BPC), o responsável adiantou que tal medida deve, acima de tudo, ter como foco o desenvolvimento económico de Angola.