Finanças

Angola e Moçambique registam maiores taxas de juros na SADC e CPLP

O Angola encontra-se numa posição desfavorável na aplicação de taxas de juros sobre o crédito bancário, sendo o 2º país, quer na região austral, quer a nível dos Países da Comunidade de Língua Portuguesa (CPLP).

O Angola encontra-se numa posição desfavorável na aplicação de taxas de juros sobre o crédito bancário, sendo o 2º país, quer na região austral, quer a nível dos Países da Comunidade de Língua Portuguesa (CPLP).
O Banco Nacional de Angola (BNA) no seu aviso n.º 11/2012, de 14 de Junho, instituiu a taxa básica de juros a 18 por cento, que tem como objectivo sinalizar a orientação da política monetária para o mercado e serve de referência para a formação da taxa de juros do mercado interbancário.
A taxa BNA é definida mensalmente pelo Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola e divulgada através da sua página na internet.
Num artigo de opinião publicado recentemente pelo Jornal de Economia & Finanças, a contabilista e docente universitária Manuela dos Santos considera que quando as taxas de juros são baixas, os indivíduos vão desejar comprar títulos que guardam todos os seus excedentes monetários e a quantidade demandada de moeda aumenta, quando as taxas aumentam os indivíduos passam a desejar comprar títulos e a quantidade demandada de moeda reduz-se.
A demanda da mesma ocorre não só por causa dos motivos de transacção e precaução, mas também porque a moeda é uma forma de património, segundo evoca a teoria keynesiana.
Os especialistas consideram que a alta taxa de juros tem reflexos directos sobre o nível de preços, inflação e no aumento do emprego.
Quando o tomador do empréstimo possui poucas garantias, as instituições financeiras estão menos dispostas a ceder-lhes fundos em troca da promessa de pagamento futuro.
Por outro lado, o crédito concedido a uma empresa torna-se relativamente importante em relação ao total de recursos disponíveis, o risco aumenta para a instituição financeira e, nesse caso, a operação de empréstimo será efectuada cobrando-se
uma taxa maior de juros.

Avaliação

O estudo divulgado pelo Trading Economics, sediado em Nova York, fornece aos seus usuários informações precisas para 196 países, incluindo dados históricos para mais de 20 milhões de indicadores económicos, taxas de câmbio, índices de mercado de acções, rendimentos das obrigações dos governos e preços das commodities.
No ranking sobre as taxas de juros sobre o crédito transaccionadas diariamente nos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), Malawi está na primeira como sendo o país com taxa alta (13), Zâmbia com 9 é o segundo, Zimababwe tem 8.86 e na quarta Angola com 8.75 por cento.
O país da SADC mais favorável para solicitar crédito é a República Democrática do Congo (RDC) que tem uma taxa básica de juros de 2.45 por cento, Seicheles tem 2.81 por cento, Ilhas Maurícias (3.5 por cento), África do Sul (5 por cento), Suazilândia (5 por cento), Botswana (5 por cento), Namíbia (5.5 por cento), Lesoto (5.8 por cento), Madagáscar e Moçambique têm 7 e 7.5 por cento, respectivamente.
A nível da CPLP, Angola está na segunda posição atrás de São Tomé e Princípe de São Tomé e Príncipe (9 por cento), que é o país cuja taxa de juros é a mais alta entre os países lusófonos. Portugal lidera com uma taxa neutra, a seguir Timor-leste com 0,5 por cento, Guiné-Bissau aplica 3.5 por cento, Cabo Verde 5.5 por cento, Brasil 6.75 por cento (na 3ª posição) e Moçambique com 7.5 por cento.

Brics

Quanto aos cinco países em vias desenvolvimento, os chamados Brics, nomeadamente a África do Sul, Índia, Brasil, China e Rússia, aplicam taxas do nível médio. A China tem taxas mais atractivas que as demais, estando em 4.35 por cento, secundada pela Índia com 6, e África do Sul e Brasil com 6.75, e na última posição a Rússia com 7.50 por cento a mais alta taxa de juros de mercado cambial e financeiro.

Produtores de petróleo

Dos maiores produtores do crude a nível de África, Angola tem a taxa mais alta. A Líbia tem taxas inferiores com 3 por cento, a seguir a Argélia com 3.75 e a Nigéria com 14, taxa alta.
Do conjunto mundial, a Noruega aplica uma taxa mais favorável com 0.50 por cento, vem a seguir o Canadá com 1.25, depois os EUA com 1.50, a Arábia Saudita com dois, Emirados Árabes Unidos com 2.25, Kuwait com 2.75 e Iraque com 4 por cento. A Venezuela tem a taxa mais alta com 21.77 por cento sobre o crédito.

Movimentos

Em 2016, segundo o estudo da Delloite, o crédito líquido a clientes em Angola registou um aumento em comparação com o ano anterior. Considerando os bancos analisados, o total de crédito líquido ascendeu a 3.062 mil milhões de kwanzas, o que representa um crescimento de 12 por cento face a 2015, com o BPC, o ATL, o BAI, o BIC e o BFA a liderarem na concessão de crédito. Esta variação incorpora o efeito da valorização dos créditos concedidos em moeda estrangeira ao câmbio oficial. O estudo demonstra ainda que o reconhecimento de perdas para o crédito dos bancos aumentou cerca de 0,4 por cento. No que se refere ao rácio de crédito vencido, este manteve-se nos 13 por cento.