Especial

Mais soluções eléctricas para zona leste

João Lourenço inaugura barragem do Chiumbue. A infra-estrutura vai gerar 12,42 MW de energia eléctrica e garantir a sustentabilidade à economia  depois de ser sido descerrada a placa do complexo que vai iluminar regiões da Lunda Sul e do Moxico.

Com capacidade de gerar 12,42 MW de energia eléctrica e garantir a sustentabilidade do desenvolvimento económico e social das províncias da Lunda Sul e do Moxico, o aproveitamento Hidroeléctrico de Chihumbue, no município de Dala, foi esta quarta-feira inaugurado pelo ministro da Defesa Nacional, João Lourenço.
Acompanhado pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, pela governadora da Lunda Sul, Cândida Narciso, membros do governo central e das duas circunscrições desta região leste do país, João Lourenço descerrou a placa do complexo que vai iluminar circunscrições da Lunda Sul e do Moxico.
O aproveitamento destina-se ao fornecimento de energia eléctrica à cidade de Luena (província do Moxico) e à região do Dala (Lunda Sul), conta com uma central hidroeléctrica com quatro grupos geradores, com turbinas do tipo Francis Horizontal, sendo duas de 4,14 Megawatts e duas de 2,07 Megawatts,totalizando 12,42 MW.
Para o escoamento de toda energia produzida, conta com uma linha de transmissão de alta tensão de 110 kilovolt, com 298 torres, para cidade do Luena, numa extensão de 99 quilómetros.
Em paralelo, o aproveitamento conta com uma subestação de 110/15 KV, junto à central térmica da cidade do Luena, província do Moxico, com dois transformadores de 10 MVA cada. Há ainda uma subestação com dois transformadores, com potência de 10 MVA, com tensão de 6,3/110 KV.
Para distribuição de energia no município do Dala, foi construída uma rede de média tensão e a instalação dos PT monoblocos, num total de seis transformadores com tensão 15/0,4 KV.
O custo global do projecto esteve avaliado em 97 milhões, 111 mil e 91 dólares norte-americanos, sendo USD 42,1 milhões para obras do aproveitamento de 54,9 milhões para linhas de transmissão e subestação do Luena.

Aumento da capacidade
A capacidade de fornecimento e distribuição de energia eléctrica na província da Lunda Sul poderá aumentar, nos próximos anos, de 16,5 para 40 megawatts, anunciou no município de Dala, o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges.
O ministro disse que a região leste do país dispõe de condições para construção de mini barragens hídricas para atender as comunidades, permitindo assim o desenvolvimento socioeconómico e consequentemente a melhoria das condições de vida da população.
O governante assegurou que o Executivo vai continuar a trabalhar com objectivo de melhorar a capacidade de distribuição de energia eléctrica, por ser um elemento fundamental para a dinamização da indústria e do desenvolvimento sustentável.
Aproveitou a ocasião para agradecer as equipas de desminagem, os governos provinciais da Lunda Sul e Moxico, pelo trabalho abnegado na construção do aproveitamento hidroeléctrico do Chihumbue.
“Este empreendimento hidroeléctrico é fruto do trabalho abnegado de todos os que nele trabalharam, começando pelas equipas de desminagem que conseguiram eliminar vários engenhos explosivos, os governos provinciais da Lunda Sul e Moxico, pelo apoio e colaboração, entre outros trabalhadores” reconheceu.

Cidadãos avaliam impacto
Segundo alguns entrevistados pela Angop no município de Dala, o empreendimento cujas obras tiveram início em 1981, e posteriormente interrompidas, tendo sido realizadas as obras civis relativas ao açude de derivação, tomada de água, canal de adução, estrutura de transição canal-condutas e ponte de acesso, e as terraplenagens gerais, vai garantir a sustentabilidade do desenvolvimento económico e social das duas províncias.
O secretário municipal da Unita no Dala, António Cassule, considerou o aproveitamento hidrelétrico como um “presente de luxo” dos 15 anos de paz, acrescentando que o mesmo contribuirá na atracção de investidores para a circunscrição.
“No período de guerra, jamais imaginaríamos que este feito seria possível, mas, hoje, com a paz, o município, fruto do esforço do executivo angolano, temos uma barragem que não só vai impulsionar o sector industrial, mas sim melhorar a qualidade de vida dos munícipes”, disse.
Deste modo, o político defende que a preservação, manutenção e a consolidação da paz, deve ser uma tarefa e compromisso de todos os angolanos, por se constituir num elemento fundamental para implementação de políticas que visam a melhoria de vida da população.
“Temos que fazer todos os sacrifícios para preservarmos, defender, cuidar e consolidar a paz, para que o processo de desenvolvimento sustentável do país, seja cada vez mais um facto”, defendeu.
Já o secretário municipal do Convergência Ampla de Salvação de Angola- Coligação Eleitoral (CASA-CE), Anibal Luzembe, disse que a construção da barragem de Chihumbue, constitui-se num marco histórico para os habitantes do Dala e do Luena, pois que vai contribuir para a implementação de vários projectos económicos. “Este empreendimento veio dar resposta à uma das aspirações e anseios da população da Lunda Sul e do Moxico, porque sem energia é impossível haver desenvolvimento, por isso enaltecemos este esforço do governo e apelamos que continuem a implementar projectos do género”, sublinhou.
Lourenço Fio Malesso, secretário municipal do PRS no Dala, defende que depois da construção da referida barragem, há toda uma necessidade de criar políticas para que se possa tirar proveito dela e permitir o surgimento de unidades industriais na região. “Esta barragem foi construída graças a paz conquistada em 2002, porque se não tivéssemos paz jamais teríamos um empreendimento como este, por apelo todos angolanos a defender a paz com unhas e dentes, porque este, depois da independência é o maior ganho do povo angolano”, frisou.
Para o secretário municipal da FNLA no Dala, Alberto José, a barragem do Chiumbue demonstra que Angola está a caminhar passos largos rumo ao
desenvolvimento sustentável.
“Com alguns erros, o governo angolano tem estado a dar passos no que toca o desenvolvimento socioeconómico, cultural e político, fruto da implementação de vários projectos, pelo que, apelamos que iniciativas do género prossigam para que o país continue na senda do
desenvolvimento”, referiu.