Especial

Gestão do fundo foi questionável

Apesar de não ser novidade em função das declarações do Presidente da República,João Lourenço, na colectiva que manteve com os jornalistas na segunda-feira, indicações apontavam de forma clara à queda dos gestores do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), que acabou por se consumar na quarta-feira à noite.

Apesar de não ser novidade em função das declarações do Presidente da República,João Lourenço, na colectiva que manteve com os jornalistas na segunda-feira, indicações apontavam de forma clara à queda dos gestores do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), que acabou por se consumar na quarta-feira à noite.
O ministro das Finanças, Archer Mangueira, havia anunciado recentemente durante a apresentação do Programa de Estabilidade Macro Económica (PME), uma investigação e diagnóstico para apurar a veracidade dos factos divulgados na imprensa internacional sobre um possível desvio financeiro no Fundo Soberano de Angola (FSDEA).
A mesma posição foi reforçada pelo Chefe de Estado na conferência de imprensa. Em reacção, o economista Samora Kitumba achou oportuna a intervenção do mais alto mandatário do país, pelo que soube que o diagnóstico não se limitava à análise dos aspectos ligados à denúncia avançada pela imprensa, mas também pela gestão da carteira de investimentos do FSDEA. O Governo apresentou ontem a conclusão do relatório sobre o fundo, tendo constatado a existência de um risco elevado, resultante da exposição causada pelo volume de activos que se encontram sob gestão de apenas uma entidade externa, além de ser diagnosticada a falta de transparência nos processos de contratação dos gestores de activos e prestadores de serviços da instituição. O Ministério das Finanças, em alinhamento com esta orientação, institucionalizará um Comité de Supervisão do Fundo Soberano de Angola, tendo em atenção a garantia de uma gestão mais eficiente e transparente dos recursos estratégicos do Estado.
Além de elogiar o novo estilo de governação, Samora Kitumba enalteceu a entrevista colectiva de jornalistas nacionais e estrangeiros, por “ser uma nova experiência, mas que se devia tocar em questões mais profundas sobre a economia”.
Já o especialista em finanças Miguel Pereira avançou que o Presidente da República procurou responder de forma directa às questões económicas, enfatizando o assunto do dia-a-dia sobre o aumento do salário da função pública.
A questão salarial deve constituir uma das prioridades do Executivo pela depreciação da moeda nacional, que tem ainda reflexo directo na vida das famílias.
“Há um esforço notável do Governo e acreditamos que a situação económica e financeira do país possa vir a ser controlada devido ao ensaio do Programa de Estabilidade Macroeconómica. Este programa, segundo o especialista, tem objectivos bem definidos aos quais ajudarão no controlo da inflação.
Miguel Pereira, que também é docente universitário, ressaltou o excedente do preço do petróleo, cujo diferencial entre o proposto no OGE e o preço diário do crude no mercado internacional servirá para programas e projectos a serem executados em 2018.
O Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano foi concebido com o preço médio do petróleo a 50 dólares, mas este tem estado acima dos 60 dólares. Avelino Capaco é outro especialista em combate ao branqueamento de capitais. Igualmente docente universitário corrobora com a opinião de Miguel Pereira, quanto ao aumento de salários da função pública, apesar de respeitar o que disse o Presidente da República, pois nesta altura é complicado mexer-se nos salários, em virtude da crise financeira que o país atravessa. Ele discorda com a diminuição de funcionários públicos.
Um outro ponto marcante extraído no que disse o Chefe de Estado é a diversificação da economia, que deve ser feita através de acções concretas que permitam com que as exportações não tenham apenas origem no petróleo bruto, mas também noutros produtos.
O economista Carlos Gomes acha pertinente nessa fase dar-se soluções às questões que criem impacto mais directo às populações, essencialmente sobre os salários, inflação, emprego, saúde, educação e habitação. Reconhece que tem havido esforços para a reversão da situação económica e financeira, pelo que todos devem ter alguma paciência sobre a melhoria dos indicadores macroeconómicos.
Na conferência de imprensa, o Presidente garantiu a contínua aposta ao empresariado privado nacional e estrangeiro. A actividade privada deve ser a principal responsável para a criação de bens e serviços. Esta posição é também defendida pelo empresário Bartolomeu Dias, mas que apela à efectivação das acções da teoria à prática, pois os empresários estão a viver momentos difíceis, resultantes da crise económica e financeira que o país vive. Bartolomeu Dias afirmou que os empresários angolanos são hoje autênticos “heróis”, ao manterem os seus negócios intactos e funcionais, especialmente as fábricas, além de assegurar grande parte da força de trabalho.”Só precisamos de mais incentivos e que as políticas traçadas vão de encontro às nossas expectativas”, finalizou.