Especial

França e Itália reafirmam cooperação

O presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, manifestou esta semana, em Paris, França, o interesse em reforçar as relações de cooperação com Angola, que se circunscrevem aos sectores dos petróleos, da indústria agro-alimentar, banca, educação e construção civil.

O presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, manifestou esta semana, em Paris, França, o interesse em reforçar as relações de cooperação com Angola, que se circunscrevem aos sectores dos petróleos, da indústria agro-alimentar, banca, educação e construção civil. O interesse do Chefe de Estado francês foi manifestado durante uma audiência que concedeu, no Palácio do Eliseu, ao ministro angolano da Defesa, João Lourenço, na qualidade de enviado especial do Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, no quadro do reforço das relações de cooperação com os dois países.
Em França, primeira etapa da visita ao continente europeu, João Lourenço foi recebido pelo Presidente francês, que manifestou o interesse da França em reforçar as relações de cooperação com Angola e felicitou ainda o seu homológo angolano pelo processo de transição em curso no país.
No final do encontro, segundo a Rádio Nacional de Angola, o secretário de Estado das Relações Exteriores, Manuel Augusto, informou que durante a audiência o presidente Emmanuel Macron mostrou ter um conhecimento apurado da situação em Angola e reafirmou o desejo de reforçar as relações entre os dois países.
A França continua a ser uma potência mundial e pode ser uma mais-valia para o esforço que está a ser empreendido pelo Executivo angolano no sector da economia e na melhoria da qualidade de vida da população, frisou Manuel Augusto.
Angola precisa principalmente do saber e da tecnologia francesa. Na política externa, numa altura em que o país lidera a Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos, Angola espera uma maior sincronização política para a estabilidade e segurança da região.

Visita à Itália
Uma mensagem verbal do Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, foi transmitida, em Roma, ao primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, pelo ministro da
Defesa Nacional, João Lourenço.
Durante a audiência com o chefe do Governo italiano, os dois interlocutores passaram em revista as relações entre os dois Estados, que são consideradas “excelentes”, refere uma nota da Embaixada de Angola na Itália.
No encontro foi igualmente analisada a situação política dos dois países, com realce para a realização de eleições, que terão lugar em Angola, em Agosto próximo, e em Itália em 2018.
Segundo o secretário de Estado das Relações Exteriores, Manuel Augusto, que presenciou o encontro, os dois governantes discutiram a cooperação económica com África, um assunto que também esteve na agenda da cimeira do G7, realizada em Junho na Itália, e na reunião do G20 que teve lugar
recentemente na Alemanha.
De acordo com o diplomata, a parte italiana explicou ao enviado especial do Presidente José Eduardo dos Santos que o país enfrenta um grande fluxo migratório, principalmente, a partir do norte de África.
Manuel Augusto acrescentou que a Itália preconiza, para combater a imigração, maior cooperação e investimento nos países de origem dos migrantes, que para além da instabilidade político-militar, também
fogem de situações de pobreza.
Só nos primeiros seis meses deste ano, a Itália registou cerca de 85 mil entradas de migrantes através da costa marítima daquele país, na sua maioria provenientes de países africanos como a Nigéria, Guiné, Côte d’ivoire, Gâmbia, Senegal, Mali, Marrocos, Eritreia e Sudão, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Neste contexto, a parte angolana referiu que Angola tem enfrentado um fenómeno idêntico, registando presentemente mais de 30 mil refugiados da República Democrática do Congo, devido a instabilidade
política naquele país vizinho.
Paolo Gentiloni, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, é chefe do governo da Itália desde de Dezembro de 2016, substituindo Matteo Renzi, que renunciou ao cargo, depois de um referendo popular ter rejeitado a sua proposta de reforma constitucional.
Matteo Renzi foi o primeiro chefe do Governo italiano a deslocar-se a Angola, em 2014, tendo a visita sido retribuída pelo presidente José Eduardo dos Santos, em Julho de 2015, altura em que foram rubricados
vários acordos de cooperação.
A Itália foi o primeiro país da Europa Ocidental a reconhecer a independência de Angola, em Fevereiro de 1976, é o terceiro parceiro da Itália na África subsaariana, depois
da África do Sul e da Nigéria.

Ambiente empresarial
O embaixador de Angola na Itália, Florêncio de Almeida, acredita que a mensagem do Chefe de Estado inscreve-se no quadro do reforço das relações de cooperação nos domínios político, diplomático e económico entre os dois países. “As relações entre
Angola e a Itália são excelentes. É evidente que estamos a fazer um esforço para que as actuais relações de cooperação económica e científica sejam elevadas ao bom nível das relações políticas”, disse o embaixador.
Florêncio de Almeida destacou o interesse dos empresários italianos em investir em Angola e falou das condições de natureza institucional para o empresariado de ambos países. Apontou o sector agro-pecuário, indústria farmacêutica e o sector dos petróleos. Em Fevereiro, empresários angolanos e italianos reuniram-se em Luanda para estabelecer parcerias, com realce
para a indústria e agricultura.
O encontro teve a participação de representantes das companhias italianas Confimi, Unido Itpo, Etimos e Coopermondo, que representam cerca de 50 mil empresas com um milhão de trabalhadores e um volume de negócios de cerca
de 150 mil milhões de euros.
A concessão de vistos aos investidores constitui um dos pontos abordados. O director da Unidade Técnica para o Investimento Privado, Norberto Garcia, falou do trabalho com o Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) para se ultrapassar
a situação dos vistos.
A Itália foi o primeiro país da Europa Ocidental a reconhecer a independência de Angola, em Fevereiro de 1976, e a 4 de Junho, do mesmo ano, estabeleceram-se relações
diplomáticas entre os dois países.
Em Julho de 2015, o Chefe de Estado realizou uma visita oficial a Itália, durante a qual foram assinados três memorandos de entendimento sobre cooperação económica, financeira e político-diplomática, que permite operacionalizar as consultas bilaterais sobre temas de interesse comum.