Especial

economista vê riscos na decisão do bna sobre o câmbio


A taxa de câmbio a vigorar, doravante, nas operações bancárias passa a ser definida pelo Banco Nacional de Angola (BNA) e os operadores comerciais durante as transacções que ocorrem em leilões no mercado primário.

A taxa de câmbio a vigorar, doravante, nas operações bancárias passa a ser definida pelo Banco Nacional de Angola (BNA) e os operadores comerciais durante as transacções que ocorrem em leilões no mercado primário.

A decisão foi tomada ontem, em Luanda, na reunião extraordinária do Comité de Política Monetária do BNA, no seguimento do Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM) apresentado pela equipa económica do Governo na quarta-feira.
Assim, o CPM decidiu-se pela definição de limites máximo e mínimo da banda cambial (regime caracterizado pela flutuação da taxa de câmbio dentro de um intervalo). A medida é adoptada após a análise do comportamento dos fundamentos macroeconómicos da economia angolana e, particularmente, da tendência decrescente das reservas internacionais. A decisão teve, igualmente, presente o actual desequilíbrio entre a oferta e a procura de divisas.
A este respeito, o economista Victor Hugo de Morais diz ser muito arriscada a decisão do BNA, pois que se fica sem saber, por um lado, quem realmente vai vender os dólares ao mercado e, por outro, dá-se margem a existência de grupos organizados que podem reter ou pôr a circular a moeda à sua conveniência e proveito.
Embora, admita que a medida foi bem sucedida em alguns países, Victor Hugo pede que se pondere o facto de Angola, neste momento, não ter reunido os pressupostos que considera essenciais para o sucesso desta decisão, tais como: dívida pública baixa; reservas internacionais em níveis aceitáveis e inflação moderada. O facto de o Governo manter o peso do kwanza ante as divisas liberando-o quando entender necessário deixa o mercado sob forte pressão.
Para Victor Hugo de Morais, o BNA e o Executivo, em concreto, deverão conseguir amenizar o impacto destas medidas às pequenas e médias empresas sob pena de gerar um clima ainda mais apertado do que já se vive.