Especial

Diplomacia prioriza economia

Angola prioriza, no quadro das relações exteriores, a adopção de uma diplomacia económica, virada para a conquista de mercados e investimento estrangeiro para potenciar a economia nacional.

O encontro visou transmitir aos diplomatas angolanos a “estratégia de comunicação governamental 2017”.
O ministro salientou que a aposta na diversificação da economia não petrolífera constitui mais um desafio dos diplomatas angolanos a todos os níveis.
Adiantou que os desafios, cada vez mais crescentes, da governação justificam uma melhor e permanente coordenação entre os diversos actores, bem como exigem capacidade e discernimento para a pronta defesa do interesse nacional.
“Angola tem uma diplomacia de prestígio que se foi consolidando ao longo dos tempos, fruto do seu engajamento construtivista, assente no diálogo para a construção da paz”, disse.
Por outro lado, enalteceu que o Estado angolano aposta na resolução de conflitos por via pacífica ao mesmo tempo que defende o diálogo e a boa fé nas relações internacionais.
Georges Chicoti pediu maior atenção e melhor interpretação dos conflitos regionais e internacionais que pela sua complexidade podem afectar a conjuntura internacional.
Fez apelo à coesão, no encontro, para defender-se com eficácia os interesses nacionais, e isto através de diplomatas que conheçam a agenda angolana e os princípios que norteiam a política externa.
Para o ministro, é necessário que a diplomacia saiba afirmar, diante das tribunas mundiais, que Angola é um Estado soberano e independente que faz da sua política externa vocação universal um instrumento para ajudar outros povos.
“Aprendemos com a nossa própria experiência e hoje temos uma diplomacia respeitada, que é ouvida e que tem voz na preservação da paz e segurança mundial, afirmou o ministro”.
Lembrou que o país vai realizar eleições gerais a 23 de Agosto próximo, cujo processo está a ser seguido pela comunidade internacional pelo papel que Angola tem jogado na resolução de conflitos em diferentes espaços geoestratégicos.

Visão dos embaixadores

Os embaixadores angolanos destacados em vários países do mundo consideraram no encontro de quarta-feira, em Luanda, essencial que haja maior aproximação às comunidades na diáspora para transmitir a realidade concreta do país e evitar informações deturpadas sobre a realidade nacional.
O embaixador de Angola nos Estados Unidos, Agostinho Tavares, afirmou que a imagem do país deve ser bem passada, para contrariar círculos interessados em deturpar a realidade.
Disse que apesar de Angola vir de guerras destruidoras há uma imagem positiva do país devido a melhoria da comunicação e a troca de informações com os cidadãos e as comunidades.
“O país é bem referenciado pelo papel positivo que desempenha na resolução de conflitos em África e vem aumentando o interesse em cooperar com Angola vários domínios, com destaque para os de segurança e não petrolífero”, disse.
Já o embaixador no Brasil, Nelson Cosme, considera vital que a diplomacia transmita uma melhor percepção do país, de modo proactivo, no interesse nacional.
Afirmou ser importante levar uma mensagem de esperança e que somos um país em construção, que consolida as políticas públicas.
Por seu lado, o embaixador em Portugal, Marcos Barrica, valoriza uma maior aproximação à comunidade angolana, calculada em 60 mil cidadãos, e à imprensa para a troca de informações sobre a realidade do país.
Sublinhou que a deturpação de informações nas redes sociais é quase inevitável, sobretudo, em sociedades como a portuguesa, onde este meio está ao alcance de todos.
Marcos Barrica aconselha a ser assertivo na contra informação, reagindo e esclarecendo, pontualmente, questões ligadas ao Estado e pedindo aos indivíduos visados a reagirem oportunamente as informações que coloquem em causa do seu bom nome, sob pena de a embaixada se imiscuir em assuntos pessoais.
“As informações deturpadas, as vezes até medonhas, apocalípticas e de sociedade inóspita, podem inibir investimentos externos”, lembra.
Por essa razão, recomenda aos angolanos a manterem uma postura sempre positiva ao contrário da imagem negativa que muitos meninos, jovens e até adultos passam dentro e fora do país.
Quem também opinou foi a embaixadora Josefina Diakité, na África do Sul.
Nesse país onde estão registados cerca de 22 mil cidadãos nacionais, Josefina Diakité é pela reposição da verdade nos mesmos canais em que as informações negativas são difundidas.
Afirmou que Angola continua a ser um bom mercado, mas é necessário o engajamento e uma reacção célere para repôr a verdade.

Conquista de África

A necessidade de um maior investimento na economia africana de modo a suprir as necessidades dos povos foi defendida, recentemente, em Luanda, pelo embaixador Joaquim do Espírito Santo.
O diplomata fez esse pronunciamento durante uma Mesa Redonda sobre o lema “ Dos ideais do panafricanismo ao desenvolvimento de África” em comemoração ao 25 de Maio, dia da África.
Na sua dissertação sobre o tema sobre “Recursos naturais em África: Um continente, uma variedade de oportunidade - ênfase na agenda 2063 da UA”, referiu que Angola possui 35 milhões de hectares de terra arável (cerca de 6 por cento do total da África). Destes, 30 milhões de hactares ainda são virgens, classificados como potencialmente aráveis destinados ao desenvolvimento da agricultura.
“Todos esses recursos naturais são factores chaves para o desenvolvimento económico em África”, disse.
Joaquim do Espírito Santo acrescentou que, neste contexto, teoricamente podem impulsionar o desenvolvimento económico e social dos países africanos.
Explicou que, apesar da sua abundante riqueza de água, terra e minérios, a África continua pobre e tem taxa de pobreza mais elevada do mundo.
Já o embaixador de carreira Luís Neto Quiambata, que fez uma abordagem sobre “O papel das lideranças políticas africanas”, enalteceu o contributo dos líderes na luta contra o colonialismo, pois foram eles os precursores das independências, por isso merecem
ser recordados por todos.
Explicou muitos destas eminentes personalidades eram jovens e tiveram participação activa, pelo que não permaneceram indiferentes
à época em que viveram.
Por essa razão, apelou à juventude a apostar na formação, de forma a dar continuidade no desenvolvimento e resolução dos problemas do país.