Especial

Angola reforça posição no continente africano

Eleição da angolana Josefa Sacko para comissária do Comércio Rural e Agricultura da União Africana representa um grande ganho para o país segundo o ministro angolano das Relações Exteriores

A eleição da engenheira Josefa Sacko, para o cargo de comissária da União Africana (UA) para o Comércio Rural e Agricultura, representa a afirmação de Angola a nível do continente, considerou, na passada quarta-feira, em Luanda, o ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti.
O governante fez este pronunciamento à imprensa, no aeroporto internacional “4 de Fevereiro”, quando fazia o balanço da participação de Angola na 28ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, realizada de 30 a 31 de Janeiro, em Addis Abeba – Etiópia.
“Esta cimeira representa para Angola um passo para afirmação do país na União Africana e no continente, sobretudo porque permitiu eleger a engenheira Josefa Sacko, numa altura em que todos os países reconhecem que a agricultura é um sector chave para a economia de cada
um dos Estados”, referiu.

Alavancar a agricultura
Por sua vez, Josefa Sacko apontou o trabalho com a juventude e as mulheres como vector para alavancar a produtividade agrícola e a economia, com vista a atingir o desenvolvimento sustentável do continente.
“Temos uma agenda muito carregada. Vou tudo fazer durante o mandato de quatro anos, com vista a alavancar a produtividade agrícola e a economia rural. Para isso, pretendo trabalhar com os jovens e com as mulheres, pois correspondem cerca de 80 por cento da força activa
no campo agrícola”, destacou.
Fez saber que a sua visão nesta missão centra-se no profissionalismo da actividade, lembrando que foi o cartaz da sua campanha “profissionalizar a agricultura para atingir o desenvolvimento sustentável”, que faz parte da agenda 2020-2030.
A comissária afirmou que vai trabalhar para alavancar o sector agrícola.
Falando à imprensa destacou que no campo da economia rural, 80 por cento da mão-de-obra do campo é feminina, sendo sua intenção modernizar este tipo de agricultura, através da especialização de cooperativas.
Na sua opinião, a agricultura pode servir de fonte de oportunidades de emprego para a juventude.
Unir jovens em cooperativas para a produção de sementes e de fertilizantes seria uma boa via de ter-se os produtos disponíveis dentro do país em fase de campanhas agrícolas, sobretudo neste período de crise económica.
Outro foco da sua agenda será trabalhar com os Estados membros da UA na implantação do Acordo de Paris, atendendo aos problemas da seca, erosões e outros ligados às alterações climáticas.
Há que elaborar estratégias de adaptação e de mitigação para contrariar os efeitos nefastos das alterações climáticas, considerou.
Josefa Sacko, ex-secretária-geral da Organização Inter-Africana do Café, foi eleita com 47 por cento dos votos, depois da anulação do primeiro escrutínio, por irregularidades.
A cimeira decorreu sob o lema “Aproveitamento do dividendo demográfico, investindo na juventude”, durante a qual, os delegados debateram, entre outros temas, a Governação (Arquitectura Africana de Governação e Eleições) e Integração (Livre circulação de pessoas, de bens e serviços).
Angola participou na 28ª Cimeira da União Africana com uma delegação chefiada pelo Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, em representação do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.
Ao longo dos trabalhos, os participantes testemunharam o retorno do Reino de Marrocos à UA e elegeram o tchadiano Moussa Faki Mahamat como presidente da Comissão da União Africana.