Especial

Angola e RDC têm eixos estratégicos de cooperação

Caminho-de-Ferro de Benguela e o Porto do Lobito são apontados como dois dos vectores das relações entre ambos os países que se comprometem manter uma forte vigilância à segurança na fronteira comum

O caminho-de-ferro de Benguela e o Porto do Lobito são dois eixos estratégicos que deverão reforçar a cooperação político-económica entre Angola e o Congo Democrático.
O Presidente da República de Angola, João Lourenço, declarou ontem, quinta-feira, que Angola e a República Democrática do Congo (RDC) “estão condenados a viverem bem”.
Já Joseph Kabila pediu, no final do encontro privado que manteve com o estadista angolano, que se aproveitem as potencialidades das infra-estruturas dos Caminhos de Ferro de Benguela (CFB) e do Porto do Lobito.
Com um vasto potencial de riqueza em Katanga, um território encravado, para aceder ao mar precisa-se passar pelo estratégico corredor do Lobito, em Benguela, que o leva até ao Porto. Este caminho é potencial para exportar o ouro e outros minérios de Katanga, região mineira e bastante rica do Congo Democrático, pelo que foi enaltecido pelo seu Chefe de Estado. A agricultura é muito comum na província, a qual providencia cobalto, cobre, estanho, rádio, urânio e diamantes.
O Congo Democrático é das zonas mais cobiçadas do mundo, factor que muitas vezes representa perigo aos vizinhos devido a uma forte tendência de surgimento de grupos armados. É também por esta razão que no encontro dos dois chefes de estado, a preocupação com a segurança na fronteira comum mereceu atenção especial.
Joseph Kabila disse que as questões abordadas poderão ajudar a consolidar cada vez mais as relações de cooperação, e sobretudo, as ligadas a segurança na fronteira comum, a bem das populações. Defendeu, igualmente, a criação de factores chaves para alavancar as relações comuns.
Em Março deste ano, o primeiro comboio carregado de mil toneladas de manganês da região de Kisenge, província de Katanga, RDC, chegou ao terminal de contentor do Porto do Lobito, para depois seguir destino para China e Índia. Tratou-se de um carregamento de 25 vagões levando consigo 50 contentores de 20 pés com manganês.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), no III Trimestre de 2017, a RDC foi o segundo maior destino das exportações de Angola, no comércio entre os africanos só atrás da África do Sul, com um total de 4.403 milhões de kwanzas. No II Trimestre, a cifra foi de 4.421 milhões. Estes valores ficaram, todavia, muito aquem das trocas do III Trimestre de 2016 que se fixaram nos 9.215 milhões
de kwanzas, segundo a AGT.
Os dados mais recentes situam em 35 mil milhões de dólares o Produto Interno Bruto da RDC. Já Angola detém um PIB de 89 mil milhões. A África do Sul, que é a maior economia da região Austral, detém um PIB de 294 mil milhões.
As projecções mais recentes avançam que a RDC tem uma população de mais de 85 milhões de habitantes, dos quais 49,7% (42,3 milhões) é masculina e 50,3% é feminina (42.7 milhões). Só este ano já terão nascido mais de dois (2) milhões de novos congoleses.
Joseph Kabila visita hoje a base da Sonils para inteirar-se sobre as operações petrolíferas.

Parlamento
faz proposta de governação

Os delegados ao 18º Fórum dos Parlamentares da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) fizeram esta semana “propostas concretas” para uma melhor governação nos Estados-membros, visando assegurar a estabilidade política e lutar eficazmente contra a corrupção, declarou a sua presidente.
Gina Michelle Sandzé interveio nos trabalhos do Fórum, na terça-feira na capital congolesa, Brazzaville, para elaborar propostas concretas a submeter aos chefes de Estado dos países-membros nos domínios da paz, da segurança, da luta contra o terrorismo, do combate à corrupção e da partilha equitativa dos recursos naturais.
O Fórum dos Parlamentos da CIRGL, criado a 4 de Dezembro de 2018, em Kigali, Rwanda, visa enquadrar as propostas dos países-membros para o estabelecimento e a consolidação da democracia, da boa governação, dos princípios do Estado de Direito e da luta pela democracia.
Este fórum reúne os delegados dos parlamentos de Angola, Burundi, RCA, República do Congo, Rwanda, Uganda, Quénia, RDC, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia. Reunidos em Brazzaville até ontem, os participantes examinaram relatórios dos conflitos, os processos eleitorais actuais e o retorno real da paz em alguns países da sub-região.

Embaixadas
são as portas
da nova imagem

O Chefe de Estado angolano, João Lourenço, reiterou ontem, quinta-feira, em Luanda, a necessidade de os embaixadores de Angola nos diferentes países empenharem-se na promoção da imagem do país e realizarem uma diplomacia actuante.
O Presidente João Lourenço, segundo a Angop, fez este apelo na cerimónia de empossamento dos embaixadores nomeados para o Congo, Japão e Rwanda, respectivamente Vicente Muanda, Rui Xavier e Eduardo Octávio.
Para João Lourenço, com a indicação destes diplomatas Angola pretende reforçar os laços de amizade e cooperação já existente com estes países.
Recordou das orientações fundamentais do Governo angolano transmitidas aquando da abertura em Maio da reunião de embaixadores.
Na altura, o Presidente da República referiu que na agenda da diversificação da economia, é necessário trabalhar para tornar a diplomacia mais eficiente e virada para a promoção da boa imagem do país, captação do investimento privado estrangeiro e promoção de Angola como destino turístico.
Às representações diplomáticas no exterior, João Lourenço tem feito apelos sucessivos para que elas sejam verdadeiras captadoras de investimento externo.