Especial

Angola e Indonésia estreitam cooperação

Um acordo geral de cooperação entre os governos das repúblicas de Angola e da Indonésia no domínio económico, científico, técnico e cultural, foi aprovado em Decreto Presidencial.

Um acordo geral de cooperação entre os governos das repúblicas de Angola e da Indonésia no domínio económico, científico, técnico e cultural, foi aprovado em Decreto Presidencial, no quadro da necessidade de se estreitar as relações entre os dois países. Este acordo geral de cooperação, de acordo com o decreto publicado no Diário da República, de 20 de Abril do corrente ano, que a Angop teve acesso, constitui um instrumento jurídico de grande importância para o aprofundamento das relações de cooperação bilateral. Os dois países acordam promover a assistência mútua na base dos princípios da igualdade e reciprocidade de vantagens, além do estabelecimento e promoção da cooperação nos domínios económico, técnico e cultural. No interesse da cooperação económica e técnica, entre outras, as partes definiram como prioritárias, as áreas de energia e águas, ciência e tecnologia, agricultura, petróleo, gás e minerais, comércio e investimento, cultura e turismo, saúde e educação, pequenos e médios negócios, entre outras a serem acordadas pelas partes. A cooperação vai desenvolver-se na troca de experiência nos domínios técnico e científico, interacção entre especialistas ou consultores em vários campos económicos e técnicos, troca de bolsas de estudo para a formação de pessoal nas instituições públicas dos dois países. Bolsas internas para a formação profissional e especialização e actividades de pesquisa de desenvolvimento económico e social, elaboração de estudos e documentos técnicos para novos projectos económicos e sociais para os respectivos países, constam da lista de prioridades da cooperação. As partes decidem também estabelecer uma comissão bilateral, composta por representantes de ambos os países, cujas competências serão definidas por acordo específico e será co-presidida pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da Indonésia e das Relações Exteriores de Angola. A referida cooperação vai avaliar o desenvolvimento das relações económicas bilaterais e propor novas áreas de interesse bilateral.

Outros domínios
Em Abril de 2017, Angola e Indonésia iniciaram em Djakarta, conversações oficiais a nível de Chefes de diplomacia. De acordo com uma nota do Ministério das Relações Exteriores, em Djakarta naquele ano foram assinados vários instrumentos de cooperação bilateral com destaque para o memorando de entendimento sobre consultas políticas entre os dois ministérios. Entretanto, as autoridades indonésias já isentam os angolanos de visto de entrada. Por um período de 90 dias, qualquer cidadão de nacionalidade angolana que queira visitar a Indonésia, o país com mais muçulmanos no mundo, pode fazê-lo sem precisar de visto. A Indonésia recebe por ano, dez milhões de turistas, na sua maioria de Singapura, Malásia, China, Austrália e Japão. No mesmo encontro, esteve também o reforço da cooperação económica e empresarial, pois o objectivo, é também o de atrair os empresários e investidores indonésios.

Classe empresarial
Ainda no âmbito da visita, à câmara de Comércio e Indústria da Indonésia juntou os empresários e investidores do diversificado sector da agro-indústria para um encontro com o governante angolano. Durante a sessão, o especialista Lello Francisco da Utip, apresentou na altura, o quadro jurídico que regula o investimento privado angolano, as potencialidades da economia nacional, o ambiente de negócios e ainda as oportunidades que o governo oferece a quem deseja investir no país, fora do sector dos petróleos. A Indonésia, potência em recursos minerais e petróleo, diversificou com sucesso a sua economia, estando a reduzir a pobreza, ao apostar na difusão da tecnologia e na melhoria das boas práticas de gestão em articulação com as instituições públicas e privadas.

Experiência
Outra experiência indonésia, com resultados positivos, vem do sector financeiro. Os progressos são a nível da supervisão e regulação bancária, na classificação e provisão de empréstimos, no reforço de capitais próprios e na imposição de limites à exposição cambial. A Indonésia, está a investir em infra-estruturas. Possui enormes recursos em bauxite, prata, estanho, cobre, níquel, ouro e carvão. A indústria assenta nos têxteis, fertilizantes, produtos electrónicos e farmacêuticos, cimento, pneus de borracha, processamento de madeira, roupa e calçado. Por sua vez, a agricultura também muito diversificada, aposta agora nos pequenos agricultores que já usam tecnologia de ponta. A produção animal, a pesca e silvicultura são referências à escala mundial. A Indonésia compra de Angola, petróleo, ferro e aço. No mercado indonésio, Angola compra medicamentos e vários produtos farmacêuticos.