Entrevista

reportagem Travessia para o Mussulo “na rota dos lucros”

Movidos pela vontade de ganhar a vida, muitos jovens tiram vantagem dos encantos da península do Mussulo, em Luanda, para facturar. São ousados, destemidos e valentes. A partir do alto, a paisagem é visível, apetecível e atrai qualquer ser, aguça a vontade de desfrutar a sua paradisíaca praia. 

Astúcia, iniciativa, e vontade de vencer andam de mãos dadas. Não há sorte na vida; há sim, tirar proveito das oportunidades, pois o tempo, o maior activo económico para qualquer negócio é escasso e irrecuperável. Movidos pela vontade de ganhar a vida, muitos jovens tiram vantagem dos encantos da península do Mussulo, em Luanda, para facturar. São ousados, destemidos e valentes. A partir do alto a paisagem é visível, apetecível e atrai qualquer ser, aguça a vontade de desfrutar a sua paradisíaca praia. A brisa é notável e sentida numa aparente recepção ao visitante. Numa altura em que Luanda regista temperaturas altíssimas, a ida ao mussulo aconselha-se. Como disse alguém “ está quente parece um inferno, mas factura-se”. É um verdadeiro paraíso e tesouro pouco aproveitado para gerar receitas para os cofres do Estado. Para deliciar a beleza da península, o interessado tem de atravessar muitas milhas náuticas. Aí é onde reside o problema para quem lá vai, mas vantajosos para centenas de jovens proprietários de pequenas chatas que fazem a travessia. Ao todo são 46 pequenas embarcações, cada uma tem navegador e dois ajudantes. Cada barco pode carregar 12 pessoas, e cobram por viagem 5 mil kwanzas. Lúcio Viegas começou a navegar com 21 anos, como o tempo recompensa o empenho, hoje com 41 anos é o chefe dos marinheiros, a sua missão é orientar a saída e entrada das embarcações. É proprietário de duas embarcações. Revela que a navegação para aquele local turístico gerou 92 postos de trabalho directos. Além de outros indirectos, que inclui ajudantes no carregamento de bens. A travessia começa às 4horas da manhã, e termina às 18. A factura pode chegar aos 15 mil kwanzas por dia. A fasquia pode subir durante o fim-de-semana, ou nas datas festivas. Nestas datas o cliente chega a pagar mil kwanzas. Viega alega que a subida deve-se à procura elevada, e para compensar os dias que a fasquia baixa. “Nestes dias temos de tirar os dias fracos”, disse. Destemidos navegam também em épocas que o mar regista ondas altas, usando as tácticas e técnicas aprendidas na formação e “na escola da vida”. “Levamos metade da capacidade da embarcação”. Em caso de algum deslize durante o trajecto, como por exemplo, avaria do motor, a navegação de uma embarcação, movimentam-se os que estão na costa para desembarcar os passageiros, disse. Cada passageiro tem a obrigação de colocar coletes, como medida de segurança. É obrigatório! “ A segurança está garantida para os clientes”. A carga também é literalmente controlada. Formação Engana-se quem pensa que os jovens são aventureiros! Antes de exercerem a actividade, passam por uma formação de três meses promovida pela Capitania de Luanda, e é paga. De igual modo, para ter acesso à licença que o habilita a exercer a actividade, o marinheiro paga 18 mil kwanzas/ano, onde estão inclusos os impostos fiscais.

Capitania em alta

 A capitania de Luanda regista,  mensalmente, centenas de licenças para a actividade de navegação e pescas.
Segundo uma fonte, daquela
instituição a capitania defende também das ameaças actuais no mar, consubstanciadas em actos de pirataria e assaltos à mão armada, e precauções a tomar de modo a prevenir acções criminosas.
Razão pela qual as Capitanias foram instruídas para identificarem a vulnerabilidade das instalações portuárias, pontos fracos em termos de segurança, integridade estrutural, e sistema de protecção.
A obrigatoriedade das avaliações de segurança dos activos e infra-estruturas das Capitanias em estado crítico e das reais ameaças, com vista a dar propriedade às medidas de segurança necessárias, integra as acções a serem levadas a cabo pelas Capitanias no quadro do controlo e fiscalização.
A sua actividade incide ainda, na formação de quadros em qualidade e quantidade de forma orientada, no trabalho sobre os dados estatísticos das actividades desenvolvidas.