Entrevista

" O FMI não é mais o lobo mau"

O engenheiro Ade­lino Galvão Branco é uma voz autori­zada na análise dos factos econó­micos. O empre­sário no ramo da Consultoria, não está indiferente ao tema do momento, que é a exten­são do âmbito dos acordos entre Angola e o FMI.

O engenheiro Ade­lino Galvão Branco é uma voz autori­zada na análise dos factos econó­micos. O empre­sário no ramo da Consultoria, não está indiferente ao tema do momento, que é a exten­são do âmbito dos acordos entre Angola e o FMI.

Como encara a mudança de posição do Governo quanto ao papel do FMI na sua actual estratégia macroeconómica?

Não me parece nada de transcen­dente ou relevante que o Executivo tenha mudado de opinião solici­tando também ajuda financeira associada à prestação de assis­tência técnica para a execução dos seus programas. Significa dizer que ao invés de precisar­mos de monitoramento nos vários domínios que concorrem para a estabilização macroeconómica, importa de igual modo e cumula­tivamente que actuemos do lado do crescimento económico.

Porquê os receios anteriores e mesmo agora nota-se uma enorme incerteza sobre a eficácia ou não desta decisão?

Não me revejo no postulado de que haja receios e incertezas sobre a assumpção desta decisão do Exe­cutivo. Outrossim, entendo como uma medida oportuna e ajustada que só pode, em termos estratégicos, trazer benefícios em vários domí­nios que concorram para a estabili­zação e crescimento e uma melhor credibilidade externa do país. Estes dois críticos pressupostos estão devidamente sustentado no Pro­grama de Estabilização Macro- económica e no PDN 2018-2022, cujas categorias e metas, nomea­damente a questão da política cam­bial, a formação de receita fiscal, a qualidade da despesa pública e a problemática do endividamento, associadas às questões do cresci­mento económico e, por consequên­cia, do desenvolvimento humano são determinantes que sejam tra­tados com muito rigor, competên­cia, seriedade e profissionalismo cuja assistência técnica do FMI pode concorrer para uma eficaz contribuição. Importa clarificar e desdramatizar que no momento actual o FMI já não é mais “… o lobo mau que comia crianças ao pequeno – almoço” temperadas com os “famosos” programas de reajustamento estrutural. O país tem rumo e o FMI vai intervir no reforço e concretização dos objec­tivos dos programas do Governo, cujas medidas não são sempre tão populares e de ampla adesão, como qualquer terapia para aten­der enfermidades graves.

Há quem diga que USD 4,5 mil milhões não são suficientes para as necessidades actuais. Também é da mesma opinião?

O FMI regula o seu funcionamento segundo regras e procedimentos assumidos pelos Estados, do qual Angola é membro de pleno direito e de igual modo beneficia den­tro das condições estabelecidas, como é o caso dos empréstimos, no caso o montante de USD 4,5 mil milhões concedidos à razão de 1,5 mil milhões em cada ano de Acordo. As “necessidades actuais da econo­mia” estão suficientemente reflec­tidas no OGE/2018 onde se regista um défice fiscal de 3,5% que tem que ser suprido por via do recurso a fontes alheias, isto é, ao endivi­damento. O empréstimo contraído ao FMI, além das suas condições bastante favoráveis, vai concorrer para a consolidação fiscal e permi­tir que se realizem as despesas de capital inscritos no OGE.