Entrevista

Empresários do Bié nos projectos agrícolas

A província do Bié é, eminentemente, uma província agrícola, por isso, o Governo em parceria
com o empresariado está a executar vários projectos. De acordo com a vice-governadora para a área económca, Deolinda Belvina Gonçalves, realce para a produção do milho, no município de Camacupa, com uma área de nove mil hectares, uma média de produção de cinco toneladas por hectare. Neles, 250 jovens estão empregados. Existe ainda a fazenda Rosal, numa área de 697 hectares, com média de produção de quatro toneladas, por cada hectare. Está também em execução, o projecto “Terra do futuro”, que prevê a criação de 60 fazendas agrícolas, numa área de 250 hectares, cuja implementação vai até 2017, com vista a contribuir para o desenvolvimento da agricultura familiar, o que vai ajudar na redução significativa da importação de alimentos, particularmente os produzidos em grande escala

A vice-governadora para Área Económica da província do Bié, Deolinda Belvina Gonçalves, afirma que estão em fase de execução vários projectos nos domínios agrícola, da apicultura, minério e habitacional, que poderão ajudar a desenvolver o sector produtivo da região. A governante assegurou que, na presente campanha agrícola, a aposta recai para a produção do milho, batata rena, feijão e outras culturas tradicionais .

Quais são os projectos em execução no sector agro-pecuário para mitigar os efeitos da actual crise, e promover o desenvolvimento da província do Bié?
Sabe que o Bié é eminentemente uma província agrícola, por isso, o Governo em parceria com o empresariado está a executar vários projectos. Temos o de milho, no município de Camacupa, com uma área de nove mil hectares, com uma média de produção de cinco toneladas por hectare, e emprega mais de 250 jovens. Existe ainda a fazenda Rosal, numa área de 697 hectares, com média de produção de quatro toneladas, por cada hectare. Está também em execução, o projecto “Terra do futuro”, que prevê a criação de 60 fazendas agrícolas, numa área de 250 hectares, cuja implementação vai até 2017, com vista a contribuir para o desenvolvimento da agricultura familiar, o que vai ajudar na redução significativa da importação de alimentos, particularmente os produzidos em grande escala localmente. Este projecto está virado para a juventude, ou seja, criar jovens fazendeiros.

O Bié é também uma potência na produção do café, já foi reactivada a produção?
No município do Andulo já estamos a produzir em grande escala o café da espécie “arábica”. Há muito agricultor empenhado na produção, com ajuda do Executivo, este município tradicional nesta cultura, desde os idos tempos está a renascer aos poucos. O Chinguar é forte na batata rena, mas introduziu várias outras culturas, que anteriormente não eram ali produzidas, com ajuda de vários parceiros que trouxeram novas tecnologias, e deram formação. A nível da província temos o sector agrário bastante intenso, o que está a ajudar a contribuir para o desenvolvimento económico.

O mel é outro forte na região, que uma vez bem explorado pode contribuir na diversificação da economia?
Com a implementação de novas práticas para a produção do mel, actualmente já temos vários produtores a nível da província. Inclusive,
o município do Cuemba já produz mel e embala-se, e sai com o rótulo “Mel do Cuemba”. Existe ainda o “Mel do Chitembo” e o “Mel do Andulo”. Por isso, já temos as nossas marcas no mercado.

Então significa que já existe pequenas indústrias de mel montadas logicamente?
Existe, ainda que rudimentares. Aproveitamos lançar aqui o nosso convite aos industriais e aos empresários que queiram, a produção do
mel, assim como para o descasque de arroz, que em muitos casos tem muito custos com esta operação. Se tivéssemos a possibilidade de
termos indústrias para o descasque do arroz, talvez minimizaria o investimento que se faz, princpalmente os pequenos produtores,
que fazem manualmente, o que requer muito esforço físico.

Vaticina que com este apoio incentivaria a produção em grande escala destes alimentos?
Poderia incentivar em grande medida. O governo provincial tem adoptado medidas para atrair investidores, temos feito alguns convites, e nos fóruns apresentamos as potencialidades da província, para o fomento da actividade agrícola, através da instalação de
indústrias de transformação. Vezes há em que o excedente da produção estraga-se, porque um agricultor colhe tomate e não consegue vender tudo. Se tivéssemos pequenas indústrias, se poderia minimizar estas perdas. Também temos incentivado a troca de experiência com empresas de outras províncias para em conjunto, consigamos alavancar o desenvolvimento. O Bié tem uma extensão de 7.314 quilómetros quadrados, dos quais 60 por cento são terras aráveis para a prática da agricultura. Destes 60 por cento estamos a explorar menos de 50. Mas, ainda assim estamos esperançosos que bons tempos virão, porque apesar de não haver tanta receptividade mais já vê-se, hoje, algumas intenções de instalação de indústrias, na província do Bié, onde vai nascer dentro de pouco tempo uma fábrica de água mineral que não tínhamos, numa altura em que a província é rica em recursos hídricos.

Para quando a reactivação do Parque Industrial do Chinguar, que poderia contribuir para a conservação de frutas e outros legumes?
Para o Chinguar penso que não será para breve, mas foi feito o lançamento de uma plataforma logística que será construída no município do Cunhinga, aproveitando a linha-férrea. Prevê-se também a implementação do Parque Industrial do Kunje. Nesse momento já temos a área
preparada destinada, penso que essas infra-estruturas todas irão responder às necessidades dos investidores que pretendem instalar no Chinguar.

Que medidas estão a ser tomadas para se aproveitar o excedente da produção?
A plataforma logística vem mesmo para responder esses aspectos, transportando o excendente da produção para o resto do país.

A província tem muitos recursos minerais onde se evidencia a exploração de diamantes, o que é que a vice-governadora nos pode dizer, e qual é a situação do garimpo nestas áreas?
Temos diamante, nos municípios da Nharêa, Chitembo, Camacupa e Cuemba. A exploração que está ser feita foi toda autorizada. Os que estão a explorar diamantes nestas localidades estão organizados em cooperativas e têm alvarás cedidos para a exploração artesanal do diamante. Mas há medidas para que aquele que não cumprir com as normas de exploração artesanal perde o direito da actividade. A venda é feita também de forma organizada, como se fosse um produto qualquer.

A questão habitação é um problema na província?
A província tem dois grandes projectos habitacionais. Falo do projecto Kora-Angola, que prevê a construção de sete mil habitações, e que já foram erguidas no Cuito e que neste momento, estão em curso trabalhos de acabamento. No município do Andulo estão concluídas mil habitações.
Neste momento, nos dois projectos está em curso a construção de algumas infra-estruturas complementares, como estação de água, escolas, postos médicos. Estes projectos habitacionais serão entregues no I semestre de 2017. Temos ainda a felicidade de sermos abrangidos com a construção de 200 fogos para cada município, que é um projecto do Ministério do Urbanismo e da Habitação. Neste momento, já construímos 100 fogos em cada município, constituindo-se na primeira fase.