Entrevista

Calueque quer colher 1.500 toneladas de milho em Fevereiro

Na imensidão dum espaço baldio da localidade do Calueque, província do Cunene, há 3 anos, foi implantado o projecto Agro-industrial Esopak, gizado por um grupo de empresários nacionais com o propósito de alavancar a produção de alimentos diversos à escala industrial.

Na imensidão dum espaço baldio da localidade do Calueque, província do Cunene, há 3 anos, foi implantado o projecto Agro-industrial Esopak, gizado por um grupo de empresários nacionais com o propósito de alavancar a produção de alimentos diversos à escala industrial. A materialização do empreendimento, além de conferir nova dinâmica aos municípios do Curoca e Ombadja, visou a criação de condições favoráveis para exploração das terras aráveis localizadas na zona sul do país assim como conferir melhor aproveitamento da água do rio Cunene. A proprietária do complexo produtivo STI e Participações lançou a primeira semente em 2016, simbolizando o arranque do cultivo de cereais, com realce para o milho branco e amarelo. Estão disponíveis 40 mil hectares, dos quais acima de oito mil estão já pré desmatados. O aparato mecanizado é composto por 30 tractores acopladas as referidas alfaias, entre quais semeadores de milho, massango, massambala e trigo, incluindo charruas de várias dimensões para preparação dos solos. Para se precaver das pragas, estão também disponíveis tanques que auxiliam no transporte e pulverização das áreas agricultáveis. A prática agrícola na localidade de Calueque só é feita em melhores condições com recurso a irrigação. Neste contexto, 14 pivotes dos 22 existentes, asseguram a irrigação gota a gota, havendo também para a irrigação por aspersão.

Produção
O responsável do complexo agrário, Mário Rodrigues, explicou a delegação da Comissão Económica do Conselho de Ministros, que estão lavrados na presente campanha agrícola 142 hectares, cuja perspectiva de colheita é de 1.500 toneladas de milho no mês de Fevereiro de 2020. A comitiva chefiada pelo secretario de Estado do Presidente da República para a área Produtiva, Isaac dos Anjos, foi ainda anunciada a plantação de 171 hectares igualmente de milho com a colheita prevista para Maio. “Na nova área produtiva, prevemos colher 1.800 toneladas”, disse. Segundo Mário Rodrigues, as sementes de milho branco e amarelo são importadas da África do Sul, as mesmas utilizadas no norte da Namíbia, cujas condições climáticas são semelhantes ao da província do Cunene.
“A técnica aplicada na preparação de solos e plantação vai nos permitir maior colheita em relação as terras de San Nujoma”.
O responsável da Esopak aproveitou a comitiva integrada pelos secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, José Carlos Bettencourt, secretário de Estado da Economia e Planeamento, Sérgio dos Santos e outros técnicos, para lamentar o mais estado das vias de acesso que tem atrapalhado o escoamento. “Os cerca de 98 quilómetros de picada em mau estado tem complicado sobremaneira a circulação de veículos de longo curso e mercadorias”, enfatizou, para apelar a intervenção das autoridades para a melhoria do troço de modo a tornar viável o transporte de mercadorias e não só. Mário Rodrigues fez igualmente menção sobre a falta de energia eléctrica da rede pública que tem provocado custos elevados a actividade agrícola. “Diariamente gastamos 5.000 litros de combustível para o funcionamento dos grupos geradores, facto que pode encarecer os produtos”, avisa. Apelou as entidades de direito, com realce a Empresa Nacional de Distribuição (END) a acelerar o processo que visa a ligação com os serviços da Namíbia, aproveitando as vantagens da proximidade entre as fronteiras Sul-Angola e Norte-Namíbia”.

Perspectivas
O responsável da Esopak descreveu que os resultados das culturas de milho já motivam a administração do empreendimento, gizar novas acções para se passar também a lavoura de trigo e soja, de modo a fazer face as importações e valorização da produção nacional. O JE apurou que constam entre outros projectos a instalação de uma unidade fabril rações, de bovinicultura para a produção e comercialização de carne e leite, transformação de açúcar, entre outras. Mário Rodrigues fez igualmente saber que para conter a falta de pasto para o gado bovino nas épocas de seca severa, está em curso o cultivo de Luzerna (feno), onde a fase experimental culminou com a recolha de mil e 500 fardos. “Vamos iniciar no final deste mês, a limpeza de outros 402 hectares e alinha adutora para a lagoa para a irrigação da nova área de cultivo”, revelou.