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“Temos que reestruturar a economia ao invés de desencojarmos os empresários”

O empresário Gentil Viana defende que o país precisa de uma reestruturação económica profunda no sentido de se ultrapassarem os vários constrangimentos que o sector empresarial atravessa, assegurando que “não se combate à inflação com acusações”.

O empresário Gentil Viana defende que o país precisa de uma reestruturação económica profunda no sentido de se ultrapassarem os vários constrangimentos que o sector empresarial atravessa, assegurando que “não se combate à inflação com acusações”.

Em causa, estão as declarações feitas pelo secretário de Estado da Economia, Sérgio Santos, citado pelo Jornal de Angola, que acusa os empresários angolanos envolvidos em esquemas de monopólios e oligopólios de estarem a contribuir para a inflação, ao enveredarem por acertos de preços com o objectivo de alargarem as margens de lucro.
O governante assegurou ainda que os preços só não caem mais porque alguns empresários fazem acertos entre si para manterem as margens de lucro. Denunciou haver uma concorrência desleal entre os empresários que pagam impostos e os que se recusam a cumprir com as suas obrigações fiscais.

Conversão económica
Neste contexto, o empresário Gentil Viana realça que nesta fase difícil é importante encorajar os agentes económicos e de modo gradual atacar os problemas que contribuem para a inflação que o mercado regista, acrescentado que o mercado local precisa de um plano de conversão económica.
“É urgente que se dê uma maior atenção ao Programa de apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (Prodesi)”, disse.
Considera ser um contra-senso acusar os empresários de não pagarem os impostos quando a maior dívida para com as empresas é proveniente do Estado.
Em entrevista ao JE, Gentil Viana revelou ainda que é com profunda tristeza que se tem constado alguns empresários que, para manterem os seus negócios, estejam constantemente a recorrer ao mercado informal para aquisição de divisas porque a banca não consegue dar resposta.
Sublinha que a aposta na produção interna é a única saída para se combater a inflação, acrescentando que basta olhar-se para os países vizinhos e constatar a forma como as suas cadeias produtivas estão organizadas.
“Temos que admitir que estávamos estagnados com a exportação do petróleo e com a baixa desta comoditie e outras práticas menos correctas perdemos o equilíbrio”.

Maior intervenção
Para o administrador da Agrolíder, João Macedo, tem havido uma especulação brutal nos preços postos à disposição dos cidadãos e “é importante que haja uma intervenção assertiva e eficaz por parte das autoridades que fiscalizam a actividade económica”.
Sugere que mercado informal esteja organizado caso contrário a fuga ao fisco será cada vez mais alarmante. “Não podemos continuar a ter um mercado aonde cada um pratica o preço que quer e muitas vezes sem justificações plausíveis”.
João Macedo explica que até pode haver vontade política na resolução dos problemas, mas há uma cadeia que nem sempre funciona quando as responsabilidades são emanadas.

Ecodima não se revê
Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (Ecodima) não se revê neste discurso e alega ter sido influenciado por outros grupos com a intenção de prejudicar o consumidor.
Segundo o seu presidente, Raúl Mateus, não há inflação e que há produtos no mercado. “O que não houve é o reajuste salarial em função do câmbio e as pessoas perderam o poder de compra”.
Revelou igualmente que há empresários a venderem abaixo do preço porque não cumprem com as suas obrigações fiscais, o que não é prática dos associados ligados à Ecodima.