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Futuro de Angola passa pela aposta séria na economia verde

O Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) é bastante ambicioso e vai conferir mais abertura e responsabilidade aos investidores e criadores nacionais.

O Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) é bastante ambicioso e vai conferir mais abertura e responsabilidade aos investidores e criadores nacionais.

Esta é a visão da co-fundadora da empresa AmbiReciclo, Fernanda Renée Samuel, que acha ser pertinente o Governo angolano facilitar ou potenciar os criadores nacionais, a fim de contribuir para o desenvolvimento da economia verde.
Nesta fase em que o país está mergulhado em uma crise económica e financeira, ela considera que os empresários devem ser o elo de ligação com as autoridades nacionais, tendo em conta a escassez de postos de trabalhos.
“Devemos fazer pequenas empresas, mas que gerem grandes negócios”, disse Fernanda Samuel, para quem o PRODESI deve cumprir com o propósito para o qual foi criado com vista a acelerar a diversificação da produção nacional, por via do fomento de fileiras exportadoras em sectores não petrolíferos e com potencial de substituição de importações.
“Estamos a lançar bases para paulatinamente começarmos a nos desfazer da importação porque temos capacidade de produção nacional em vários ramos desde agrícola até ao petrolífero, mas tem faltado o devido apoio a quem tem vontade para trabalhar”, afirmou. Disse que a sua empresa ainda não recebe nenhum apoio financeiro das autoridades governamentais, nem financiamento do exterior , tendo solicitado ao Estado o apoio institucional para o reconhecimento/legalização da marca (Ecorepelente), não apenas para fins comerciais, mas também para trabalhos junto das comunidades rurais e peri-urbanas.
Para a investidura nacional, o mercado ainda não incutiu a competitividade como inovação, incentivo ao desenvolvimento das empresas, mas sim com afronta e algo a abater criando o afastamento das empresas que praticam a mesma actividade ou produto.
Contudo, segundo a gestora empresarial, só há competitividade se existir produção, portanto “o ambiente de negócios em Angola ainda
está muito aquém do desejado”.

Lançamento
Fernanda Samuel realçou que a AmbiReciclo Indústria, cujos sócios são todos nacionais, foi criada a 08 de Dezembro de 2016, para promover a economia verde em Angola.
Baseiada na produção de bens ecológicos, recicláveis e biodegradáveis, a firma conta com várias parcerias, entre as quais a Universidade Jean Piaget de Angola, através dos seus laboratórios de investigação científica que a empresa tem estado a desenvolver, tendo originado à criação do EcoRepelente spray e em sabonete. Tem cooperado ainda com fornecedores de óleo de cozinha usados em supermercados de Luanda, restaurantes, discotecas, bombas de combustíveis e em outras unidades fabris, além de parceiros detentores de oficinas e consumidores de pneus e sucatas descartáveis.

Produção
As actividades da AmbiReciclo são de pequena escala de momento. Produz 500 barras de sabão por dia, 2000 kg de Omo e 20 vasos feitos com roupas descartadas por dia, uma mobília de pneu por semana e obras de arte durante um mês.
O sabão e Omo são feitos à base de óleo de cozinha usado, mobílias com pneus descartados, vasos a partir de roupas usadas e obras de arte a partir de sucatas e papelões descartados.
A fábrica, localizada no município de Viana, tem capacidade para produzir 10 toneladas trimestrais de acordo com a demanda e um aumentado gradual de acordo com a procura. Além do sabão e omo, produz igualmente o Ecorepelente. Com o incentivo do Governo angolano, a AmbiReciclo pretende alargar o seu raio de acção aos mercados regionais já identificados para os produtos, como são os casos de países africanos limítrofes e posteriormente a países asiáticos e América Latina. Sendo o negócio ainda artesanal, Fernanda Samuel diz que a empresa poderá criar mais de 300 postos de trabalho directos numa primeira fase.