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Falta milhão de contadores no sistema pré-pago de luz

O sub sector eléctrico angolano controla, neste momento, um milhão e 300 mil clientes dos quais 300 mil estão já conectados à rede pré-pago, e isso nas províncias de Luanda, Malanje e Namibe.

O sub sector eléctrico angolano controla, neste momento, um milhão e 300 mil clientes dos quais 300 mil estão já conectados à rede pré-pago, e isso nas províncias de Luanda, Malanje e Namibe.
O desafio imediato é conseguir financiamento para a produção e instalação de 900 mil novos contadores.
Para o ministro João Baptista Borges, que recentemente falou em entrevista à Tv Zimbo, o plano de universalização do acesso à energia eléctrica em Angola não acontece antes de 2030, mesmo que se façam todos os investimentos necessários. Não existindo investimentos, disse, muito menos se podem apontar datas para a concretização de tão grande objectivo.
O titular da Energia e Águas disse que embora nos últimos dias se registem perturbações no fornecimento eléctrico às cidades, e muito por culpa das fortes chuvas, com a entrada em final de Março da terceira turbina de Laúca, com 300 megawatts de energia, juntando-se aos actuais 600 gerados pelas duas turbinas em funcionamento, vai-se sentir muito menos restrições.
João Baptista Borges disse ainda que Laúca, cuja fase de enchimento da albufeira é atingida também já agora em Abril, permitirá que a luz eléctrica deste aproveitamento presente nas províncias de Luanda, Malanje, Cuanza Norte , Cuanza Sul e Uíge possa estender-se ao centro de Angola, concretamente ao Huambo e ao Bié.
Além dessas cifras, que abonam em favor do sector, Baptista Borges explica que Laúca permitiu ainda poupar-se diariamente um milhão de litros de diesel (gasóleo) gastos com as centrais térmicas, expressando, segundo cálculos do JE, uma cifra numérica de
135 milhões de kwanzas/dia.

PT’s à margem da lei
Uma garantia que o ministro deixou é que os preços praticados pelos fornecedores privados de serviços de electricidade por via dos Postes de Transformação (PT) vão ser regulados, pois eles agem à margem da lei. Contudo, disse que estes ainda são necessários, uma vez que o sector não pode assumir já a distribuição em toda a parte do território nacional.
Conforme disse, de momento, só 40 por cento da população tem acesso à electricidade. Destes, 90 por cento vive nas cidades, sendo também esta uma razão da necessidade de retirada dos subsídios do Estado à tarifa eléctrica, cenário que faz antever, para breve, ajustes nos preços que são cobrados.
De todas as formas, a periferia de Luanda deve ganhar, brevemente, novas 300 mil ligações, assegurando um cumprimento rigoroso do plano de segurança energética que estabelece 2011 a 2025 como o prazo de implementação das metas do Executivo.

Vida na água
Quanto ao sub sector das águas, o andamento do programa “Água para todos”, com uma execução de 67 por cento e que previu dar acesso ao bem a sete milhões de famílias nas zonas rurais, a meta é que ao menos 80 por cento deste seja concretizado, isto é 5,6 milhões de famílias acedam à água tratada.
O governante lembrou, nesse capítulo, que ainda 80 por cento do preço de luz e água é pago pelo Estado em subsídios. Daí que, o plano de criação e revitalização de 19 empresas provinciais de água (uma vez que Benguela e Lobito têm cada uma) é prioridade. Estas terão de permitir, também no quadro da municipalização dos serviços, que as populações tenham acesso a água e, mais do que isso, paguem aquilo que consomem de forma justa (proporcional ao que gastam) e regular.