Empresas

Exposição aproxima investidores

A 35ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), que está a decorrer, na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, em Viana, sob o lema “Dinamizar o Sector Privado.

A 35ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), que está a decorrer, na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, em Viana, sob o lema “Dinamizar o Sector Privado e Promover o Crescimento Económico”, abriu as portas na terça-feira, quando passavam das 12h00, e termina amanhã com a Gala Leões de Ouro. O ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, que fez a abertura do acto, garantiu aos empresários estrangeiros que “o país está aberto para receber todos aqueles investidores que pretendem fazer negócio em Angola”. Anna Prineslik, chefe da delegação da Bielorrússia, país que participa pela primeira vez na maior bolsa de negócios em Angola, disse ao Jornal Economia & Finanças que as palavras do ministro de Estado para a Coordenação Económica garantem protecção aos investidores estrangeiros e um “negócio atraente” com os parceiros angolanos. A delegação da Bielorrússia é integrada por dez empresas e está em Angola no âmbito de um processo de viagem organizado pela empresa de exposições Belinterexpo, da Câmara de Comércio e Indústria da Bielorrússia, com a ajuda da Embaixada da Bielorrússia na África do Sul. As dez empresas da Bielorrússia expõem equipamentos para a agricultura, mineração, serviços públicos, produtos farmacêuticos, alimentos e ingredientes. Algumas das empresas já operam no mercado angolano, enquanto outras esperam encontrar parceiros de negócios durante a exposição. Anna Prineslik confirmou que “alguns contactos de negócios foram feitos”, esperando que sejam consolidados nos próximos tempos. As empresas da Bielorrússia na Filda receberam, no primeiro dia da feira, a visita dos ministros da Agricultura de Angola, Marcos Alexandre Nhunga, de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Núnes Júnior, e do Comércio, Jofre Van Dúnem. Entre os produtos das empresas Bielorrússia presentes na Filda estão lacticínios e medicamentos para o tratamento da diabetes, doenças cardiovasculares, do foro neurológico, do trato gastrointestinal e da tuberculose. O calendário para 2019, da empresa de exposições “Belinterexpo”, pertencente à Câmara de Comércio e Indústria da Bielorrússia, inclui mais de 40 eventos em 25 países, como Angola, Azerbaijão, Argentina, Bulgária, Grã-Bretanha, Alemanha, Geórgia, Egipto, Iraque, Cazaquistão, Catar, China, Cuba, Mongólia, Nigéria, Emirados Árabes Unidos, Rússia, Sérvia, Síria, Sudão, Turquia, Uzbequistão, República Checa e Suécia.

Alemãs no sector agrícola
A Alemanha regressou este ano à Filda depois de não ter participado em quatro edições. Algumas das 11 empresas alemãs presentes na 35ª edição da Filda têm intenção de investir na agro-indústria, informou Marcus Knupp, da Câmara de Comércio Alemanha-Angola.
As empresas que participam na Filda têm uma estratégia de negócio, com projectos que podem ser implementados em todas a províncias, disse Marcus Knupp.
O responsável explicou que a ausência da Alemanha nas edições de 2015 a 2018 não se deveu a questões burocráticas, ligadas, por exemplo, à emissão de vistos de entrada em Angola.

“Nunca tivemos dificuldades na concessão de vistos, um problema que é sempre agilizado”, esclareceu Marcus Knupp, reconhecendo que Angola sempre esteve aberta à Alemanha.
Sobre a nova pauta aduaneira, Marcus Knupp referiu que cada país, de acordo com a sua economia, aplica a política fiscal que julga ser melhor, mas reconheceu que, às vezes, o desagravamento fiscal é aconselhável para proteger os agentes económicos nacionais.

Venda em grande escala
mais de 50 milhões de dólares
A Ferpinta, que se faz presente na Filda, é uma empresa de venda de material agrícola em grande escala. Actualmente, apenas em Luanda e no Lobito, a Ferpinta já gizou um plano para estar em todo o país, vendendo máquinas de médio e grande porte.
José Paulo Lei, responsável da empresa, cem por cento angolana, disse ter recebido, em dois dias de feira, vários visitantes, a maioria ligados ao sector da agricultura, entre angolanos e estrangeiros.
O gestor disse, por outro lado, que a nova pauta aduaneira deve salvaguardar os interesses da classe empresarial nacional e sobre o Programa de Apoio ao Crédito (PAC) considerou uma “boa intenção”, que deve ser extensiva a todos os empresários.
A Ferpinta factura, anualmente, o equivalente a 40 milhões de dólares e está preparada para estender o negócio aos países da Zona de Comércio Livre da SADC.

Parceria chinesa
A Bom Bom produz instrumentos agrícolas, no âmbito de uma parceria com um empreendedor da China, onde o produto é acabado.
A empresa está na 35ª edição da Filda pela primeira vez e a sua presença está a ser proveitosa, afirmou o responsável pela área de vendas, Fábio Afonso, recebeu nos dois primeiros dias, dezenas de pessoas, que recorreram ao stand para observar a qualidade das pás, enxadas, catanas e máquinas agrícolas.
“Como a agricultura em Angola ainda não é industrializada, optamos por vender esses meios e os que temos disponíveis chegam para fornecer aos nossos clientes, que não são poucos”, declarou Fábio Afonso, que disse ser remota a perspectiva de negócio entre os países da Zona de Comércio Livre da SADC por muitas empresas do ramo agrícola terem ido à falência por falta de financiamento.
A Bom Bom vai montar, brevemente, de acordo com Fábio Afonso, uma fábrica na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo para a produção de fertilizante.
A empresa é auto-sustentada, esclareceu Fábio Paulo, que defendeu celeridade na concessão de crédito aos empresários.

Venda de carne
A Soipa, que produz carnes de marca Natura, está também presente na FILDA. No âmbito da fidelização de clientes, o seu público-alvo são empresas e grandes e pequenas superfícies comerciais.
No mercado há dez anos, a Soipa tem mais de 600 clientes, informou Catarina Melo, supervisora de vendas da empresa, que tem planos de internacionalizar a sua marca, começando pelo continente africano.
“Alem dos empresários que nos têm visitado, recebemos, com muito agrado, os embaixadores da Zâmbia e Alemanha em Angola, que nos perguntaram como produzimos e como fazemos a distribuição”, contou Catarina Melo, que disse terem os dois diplomatas ficado impressionados com o trabalho desenvolvido pela empresa nacional.
Sobre o Programa de Apoio ao Crédito, a supervisora disse ser “bem-vindo”, porque um empresário, seja de que ramo for, a atravessar dificuldades financeiras merece ser apoiado, por ser criador de empregos e apoiar a economia.

Angolana cria marca de sabão
Mayra Rodrigues é uma jovem que está no mundo do empreendedorismo com dois produtos de uso doméstico que criou. Trata-se de uma marca de sabão e de detergente com o nome de Pétalas.
A sua empresa, a Majovalce-Comércio e Indústria, participa pela primeira vez na Feira Internacional de Luanda (Filda), que encerra já as portas amanhã depois de cinco dias de actividade.
O detergente criado por Mayra Rodrigues é utilizado em máquinas de lavar automáticas e semi-automáticas.