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Combate à burocracia na importação e exportação

O Presidente da Republica, João Lourenço, criou recentemente, uma comissão de trabalho interministerial para questões de simplificação e desburocratização do processo de importação e exportação de bens para a economia nacional, que num prazo de 120 dias terá a missão de propor alterações para desburocratizar a importação e exportação de bens.

O Presidente da Republica, João Lourenço, criou recentemente, uma comissão de trabalho interministerial para questões de simplificação e desburocratização do processo de importação e exportação de bens para a economia nacional, que num prazo de 120 dias terá a missão de propor alterações para desburocratizar a importação e exportação de bens.
Uma nota da Casa Civil da Presidência da República a refere que a comissão é coordenada pelo ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, integrando ainda os ministros das Finanças, da Economia e Planeamento, do Comércio, dos Transportes, da Saúde e da Agricultura e Florestas, além do secretário para os Assuntos Judiciais e Jurídicos do Presidente da República.
Neste contexto, o presidente da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (ECODIMA), Raúl Mateus assegura que a ideia é correcta e é missão do Chefe de Estado criar medidas que tornam a vida das empresas e das pessoas mais facilitada visando uma redução
dos preços de bens de consumo.
“Uma das preocupações prende-se com o facto de que a banca não tem sido muito dinâmica no que toca as transferências de valores para garantir a importação de bens”, afirmou o empresário.
Raúl Mateus reitera que o sector da distribuição assume um papel fundamental na economia nacional e considera urgente haver maior disponibilidade de produção local para permitir que o Estado tenha cada vez menos necessidade de divisas.

Constatação “in loco”

Para o administrador do grupo Agrolíder, João Macedo, a comissão vai constatar “in loco” as reais dificuldades dos empresários sobretudo no que toca à exportação da produção nacional.
Em entrevista ao JE, João Macedo diz ser importante que os empresários nacionais exportem com mais facilidade porque “muitos têm capacidade, mas não o fazem por vários constrangimentos”.
“A Agrolíder tem como foco a produção local e temos conseguido com algum esforço exportar por exemplo a banana para alguns países vizinhos”, ressaltou acrescentando que o tempo estipulado para desmantelar tais dificuldades é longo a julgar que muitos aspectos estão já identificados.

Produção local

Por seu turno, o empresário Adérito Areias, responsável por 80 por cento da produção de sal no país avança que a medida foi extremamente oportuna e vai permitir fazer ênfase as reais necessidades do país.
Na sua visão é essencial ter-se em conta “o que precisamos importar e o que podemos produzir internamente, porque nem sempre resolvermos
os problemas com a importação.
Considera que o país continua a importar bens em excesso mesmo com alguma capacidade de se produzir localmente.
“Tenho a certeza que estes 120 dias poder-se-á fazer o levantamento daquilo que nós podemos produzir de imediato e centralizar as poucas divisas que temos naquelas necessidades urgente para a população”, atira Adérito Areias, em entrevista à Lac.
O presidente da Associação dos Industriais de Angola (AIA), José Severino garante que muitas situações em relação a importação e exportação de bens serão esclarecidas com a criação desta comissão de trabalho.
“O país precisa crescer a nível dos outros mercados da região”.

Balança comercial regista saldo positivo

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), disponibilizados na sua página de internet, indicam que a balança comercial angolana registou, no I Trimestre deste ano, um saldo positivo, superior a 5,1 mil milhões de dólares, um crescimento de 111 por cento face ao mesmo período do ano anterior, então afectado pela crise nas exportações petrolíferas.
De acordo com o documento, as importações aumentaram 7,8 por cento, em termos homólogos. Entretanto, face ao trimestre anterior (Outubro a Dezembro de 2016), as compras angolanos até diminuíram, o  equivalente a 2,4 por cento, de acordo com o INE.
Todo este cenário interno de dificuldades deveu-se a queda acentuada do preço do petróleo no mercado internacional, o que afectou a capacidade de Angola arrecadar receitas em proporções iguais as que possui até antes de 2014.