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Temos muitas vantagens para continuar a exportar”

O presidente da Comunidade Exportadora e Internacionalizada de Angola (Ceeia), Agostinho Kapaia, considera a feira da banana como uma das formas de promover a produção nacional com o foco na exportação e internacionalização.

O presidente da Comunidade Exportadora e Internacionalizada de Angola (Ceeia), Agostinho Kapaia, considera a feira da banana como uma das formas de promover a produção nacional com o foco na exportação e internacionalização.
Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, o patrão da Ceeia defende que, assim como a banana é fundamental a aposta em outras espécies que o mercado externo precisa.

Como é que avalia o processo de exportaçao da produção agrícola?
As nossas empresas de produção de banana já fazem com realce para a Novagrolíder que exporta semanalmente cinco contentores de 40 pés de banana para Portugal. Para dar mais suporte a política de exportação, é preciso criar sinergias entre as empresas angolanas e estrangeiras no sentido de aumentar a capacidade de exportação.

Que estrategias devem ser definidas para o sucesso deste processo?
A solução passa em atrair empresas a iniciar o processo de exportação, a Ceeia tem trabalhado com as empresas que têm produtos. Angola estará presente em Dezembo numa feira internacional no Cairo, Egipto com uma comitiva de membros da associação e não só para participar e expor os seus produtos. O segredo da exportação está na dimensão da quantidade e na criação de condições de marketing para fazer e a Novagrolíder neste aspecto está muito bem avançada devido as suas estruturas nacionais e internacionais. Defendo a exportação porque este processo é sem dúvida um meio de dar sobrevivência ao país, sem o qual não se consegue ajudar alavancar a economia. Durante muitos anos o projecto da economia angolana foi baseada na exportação do petróleo e diamantes. Mas a crise económica mostrou que não é sustentável.
Que hipóteses tem a agricultura de ser competitiva e aceite além fronteiras?
Esta é a hora em que se precisa estudar outros recursos. A agricultura é, sem dúvidas o pilar principal de produtos que podem ser exportados e o trabalho que está a ser feito. Tudo vai se encaixar no novo perfil de produtos a serem exportados. Apesar das dificuldades por que os empresários passam, devido aos custos de produção que são evidentes, deve-se melhorar essa capacidade de produzir e tornar mais barato.

Que vantagens enumera para sermos uma referência em termos de exportação?
Do ponto de vista comparativo em relação aos outros países, Angola tem muitas vantagens, porque possui boa terra, quantidade de água necessária para tornar a área da agricultura numa das bandeiras de exportação do país.O país está na lista dos cinco maiores países do mundo com potencial agrícola. Sublinho que este factor deve-se levar muito a sério de modo a aproveitar as potencialidades para dar um salto qualitativo em termos
de produtos do campo.
Qual o trabalho de casa que temos em frente para sermos bem sucedidos?
Fazer um trabalho em conjunto e fundamental para obter infra-estruturas, ter tudo nos conformes, isso em termos de vias de acesso para o escoamento, transportes e outras que possam alavancar o sector e trazer receita à nação angolana. Necessitamos igualmente de investir na investigação, na produção de sementes, fertilizantes para efectivamente baixar os custos, de fontes de energia, resolvendo assim os problemas dos combustíveis para o crescimento nesta área agrícola. Outros factores que devem ser resolvidos, são a subvenção dos custos de importação e exportação no sentido de se eliminarem as assimetrias existentes, para que o produto se torne mais barato. De outra forma não se alcançam os objectivos preconizados pelas empresas em conjunto com o Estado.

Quais são os grandes desafios da Ceeia?
Com cerca de 40 empresas associadas, o grande desafio da Ceeia neste momento é que o exportador tenha edifícios e que os seus produtos cheguem nos mercados internacionais num preço mais competitivo. O nosso foco é olhar primeiro para o mercado da região. Nós não queremos dar passos maiores que a perna. Temos que ir devagar, mas a análise que fazemos é estudar com inteligência e começar por estas regiões, razão pela qual fomos a São Tomé para começar a exportar para lá alguns produtos feitos em Angola.

Mas, não se fica por aí?
Claro, repare que mas a partir daí podemos também fornecer a outros países. São Tomé pode vir a ser uma plataforma que vai permitir abastecer outros países como a Nigéria e Gabão que estão muito próximo. Devemos olhar para as exportações como um mecanismo para obtenção de receitas cambiais, mas para tal precisamos ter produtos com qualidade. As exportações são fundamentais e não devem ser vistas simplesmente como uma ferramenta para vender o excedente, sendo que esta teoria está ultrapassada na medida em que hoje há países do mundo que não produzem determinados produtos, mas são os maiores exportadores.