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Sonangol quer gerar mais riqueza

A Sonangol poupou, até ao segundo semestre deste ano, um valor de 53 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 320 milhões de dólares.

A Sonangol poupou, até ao segundo semestre deste ano, um valor de 53 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 320 milhões de dólares.
Este resultado é já uma resposta da implementação bem-sucedida, de acordo com a administração da petrolífera, do programa “Sonalight - centrado na redução de despesas com fornecimentos e serviços externos” com o qual se previu reduzir 200 mil milhões de kwanzas (1,2 mil milhões de dólares) e estão já aprovados 113 mil milhões de kwanzas (600 milhões de dólares).
Por seu lado, o “Sonapluscriado para identificar e implementar oportunidades de aumento dos volumes vendidos” permitiu à empresa um aumento de receitas fixado em 183 mil milhões de kwanzas (1,1 mil milhões de dólares). Até ao momento, estão já capturados 43 mil milhões de kwanzas (260 milhões dólares).
O programa Sonaplus consubstanciou-se nos aumentos dos volumes de betumes vendidos, optimização dos produtos da Refinaria de Luanda, revisão nos preços dos lubrificantes e na SonAir, e adopção de programas de garantia de receita na Clínica Girassol.
Os dados avançam também que nas contas de 2017 será alcançada parte mais significativa das poupanças.
“O conselho de administração traçou um plano de transformação que passa por assegurar a estabilidade e continuidade da empresa, cujas bases serão lançadas em 2018, para reflectir o crescimento e investimentos necessários a companhia”, disse Isabel dos Santos.

Lucros

Na apresentação do relatório e contas de 2016, que decorreu esta semana na sede da Sonangol, à baixa de Luanda, a presidente do Conselho de Administração, Isabel dos Santos, anunciou um lucro liquido de 13 mil milhões de kwanzas e uma produção base de 1.7 milhões de barris/dia.
O referido lucro representa apenas 28 por cento do resultado liquido de 2015 que foi de 47 mil milhões de dólares.
Por outro lado, em contrapartida, o resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado, somou 525 mil milhões de kwanzas, representando um crescimento de 36 por cento, face ao ano de 2015.
“A acção reflecte uma inversão da tendência de queda abrupta nos exercícios dos dois anos anteriores solidificando, assim, as bases da recuperação do grupo”, disse.

Plano estratégico

Com isto, a petrolífera segue o plano adoptado que visa poupar recursos, tornar-se eficiente e eficaz, assegurar a qualidade, garantir segurança patrimonial e operacional, treinamento técnico e tecnológico, preservação do ambiente e produção com o menor custo. Aliás, estas premissas são os caminhos com os quais a Sonangol procura voltar a ser competitiva e oferecer petróleo de qualidade, pois em 2016 o preço das encomendas do barril bateu no fundo ao atingir os 29 dólares.
De acordo com Isabel dos Santos, o desempenho atingido pela companhia é resultado do compromisso assumido de melhorar a eficiência, aumentar a rentabilidade e a transparência da gestão.
“Este indicador é ainda mais positivo por ter sido registado num ano em que a Sonangol enfrentou uma fase adversa, tanto a nível nacional como internacional”, afirmou.

Manter cadeia de valor

Para a gestora, dadas as circunstâncias, o objectivo do grupo é, além de enriquecer o património, aprimorar o saneamento financeiro da empresa, o enfoque na cadeia de valor do petróleo e gás natural e a criação dos alicerces para uma mudança organizacional
e cultural sustentável.
Isabel dos Santos realça que os resultados são fundamentais para que a empresa assuma de novo a sua condição de força motriz da economia angolana e geradora de riqueza para todos os cidadãos.
“Tudo aconteceu numa situação de crise económica, onde encontramos uma quebra de receitas de 60 por cento, face a 2013. A título de exemplo, em 2013, a receita da Sonangol foi de 41 mil milhões de kwanzas e em 2016 a receita foi de 15 mil milhões, quando o preço chegou a atingir 29 dólares por barril”, lembra.
“De realçar que o nível de produção, recomendado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), coloca Angola como o primeiro produtor de petróleo no continente africano”, disse.
No que respeita a responsabilidade social, a petrolífera angolana efectuou investimentos superiores a 3.650 mil milhões de kwanzas (22 milhões de dólares), em projectos nas áreas da Educação, Saúde e Formação Profissional.