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Será que estamos bem?

O Governo angolano tem envidado esforços na expansão da Rede de Mediatecas de Angola, já existentes em pelo menos seis províncias (Benguela, Huambo, Luanda, Lubango, Saurimo e Soyo), com serviços on-line de pesquisas integradas, biblioteca, leituras de e-books, etc.

O Governo angolano tem envidado esforços na expansão da Rede de Mediatecas de Angola, já existentes em pelo menos seis províncias (Benguela, Huambo, Luanda, Lubango, Saurimo e Soyo), com serviços on-line de pesquisas integradas, biblioteca, leituras de e-books, etc.
Consecutivamente a isto, disponibilizou pontos de acesso à Internet (wifi) gratuitosem 20 artérias da capital do país.
Entretanto, mesmo com todos estes esforços, ainda é muito longo o percurso que temos pela frente para atingir grandes taxas de penetração comparativamente à Nigéria que possui (2016/2017) uma densidade populacional de 186.987.563 milhões de habitantes, dos quais 86.219.965 são utilizadores de Internet, representando uma taxa de penetração de 46.1%, ou seja, em cada 100 nigerianos (comparativamente ao percentual da taxa de penetração) quase metade usava neste período a Internet, dados que o tornavam no país africano com maior número de utilizadores da Web. Num outro meu artigo já havia se referido ao número de internautas que existiam nos Estados Unidos da América.
Com mais de 324.118.787 milhões de habitantes, aquele país do primeiro mundo possuia 286.942.362 cibernautas, sendo que a taxa de penetração era superior a 88% (isto é, em cada 100 americanos 88 usam Internet).
A taxa de penetração de um produto, ou serviço, consiste na percentagem de compradores que adquiriu o produto, pelo menos uma vez, durante um determinado período de tempo considerado para análise, ou seja, a taxa de penetração é a percentagem em termos do número de potenciais clientes desse mesmo mercado.
Quase um ano depois, verifica-se um aumento populacional de 8.887.674 (95,46%); aumento de 12.171.491 (87,62%) de utilizadores de Internet e aumento da taxa de penetração de 4,1%.
Dados interessantes, não é? Sim. E acima de tudo curiosos.
Mas então, e nós Angola, como é que nós estamos? Que dados existem sobre os nossos internautas? Quantos de nós utiliza esta ferramenta, Internet, cada vez mais indispensável para as nossas vidas ou para o nosso quotidiano? Quais são os nossos números?
De acordo com o relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados em Março de 2016, sobre o Censo da População e Habitação em Angola, existiam no país 2.119.946 milhões de utilizadores de Internet, face ao índice populacional de Angola (25.789.024 de habitantes), ou seja, em cada 100 angolanos apenas 8 usavam internet, isto porque a taxa de penetração era de apenas 8,2%.
A título de comparação procurei por dados actualizados do INE referentes a 2017/2018, mas sem sucesso! Logo, recorri a outra fonte (internacional) aondedemonstra um aumento populacional de 4.985.181 (83,8%) e aumento de 3.845.507 (35,53%) de utilizadores de internet e ainda da taxa de penetração de 11,1%.
Fazendo uma comparação entre 2015 e 2016, Angola saiu de 2.119.946 de utilizadores de Internet para 5.965.453 até 2017. A taxa de penetração com o índice da população saiu de 8.2% para 19.3%.
Neste momento, a taxa deve estar mais um pouco mais acima, segundo dados mundiais.
Um novo dado bastante interessante é agora considerado.
O número de subscritores da maior rede social, o Facebook em que 17.000.000 e 3.800.000 representam Nigéria e Angola, respectivamente.
Será que estamos bem? A resposta é não! Apesar dos esforços do Governo ainda estamos longe comparativamente a Nigéria.
Não obstante o empenho do Governo angolano que passa, por exemplo, pelas iniciativas como: a realização de projectos de investigação científica; o reforço da digitalização de serviços; o acesso livre à Internet pelos estudantes e docentes; a criação de uma rede de troca de informações e dados entre instituições de ensino superior; dentre outras.
O mesmo empenho tem sido conjunto, também, e essencialmente, pelo empresariado privado angolano que de mãos dadas com outras empresas privadas internacionais têm desenvolvido projectos bastante ambiciosos para o efeito. Falo, por exemplo, do África com 2018 – o maior evento de telecomunicações, tecnologia e inovação no continente africano, realizado na Cidade do Cado – aonde a nossa Angola Cable e a Broadband Infraco (sul-africana) estabeleceram um acordo que permitirá a expansão do acesso à Internet em África.Em resumo, penso que estes esforços conjuntos devem continuar para que efectivamente tenhamos mais acesso à Internet e os seus serviços com boas larguras de banda, velocidades navegáveis e preço justo.
O consumidor de Internet é diferente, possui um comportamento nada parecido com o do comprador convencional. O consumidor da Internet é exigente, é impaciente, seja para visualizar uma página ou para receber um produto, quando decide reclamar não poupa palavras, pesquisa muito antes de comprar, procura normalmente o preço mais barato.